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巴西间日疟疫苗Vivaxin获Anvisa批准启动人体试验

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Vacina brasileira contra malária vivax recebe aval para testes em humanos

巴西自主研发的间日疟疫苗Vivaxin获Anvisa批准进入一期人体临床试验,计划2027年1月起筛选48名健康志愿者。

巴西一款针对间日疟(vivax)的疫苗Vivaxin已获巴西国家卫生监督局(Anvisa)批准开展人体临床试验,进入一期阶段,将评估安全性、可能的不良反应及刺激抗体产生的能力。该批准见于10月7日《联邦官方公报》刊登的第3.956号决议。

一期试验方案计划招募48名18至59岁、无疟疾感染史的健康志愿者,筛选工作于2027年1月开始。受试者将分为接种疫苗组和安慰剂组,采用三剂接种方案,剂次间隔28天,随访一年。

该疫苗由圣保罗大学(USP)与米纳斯吉拉斯联邦大学疫苗技术中心(CTVacinas)及制药企业Cristália合作开发,此前已通过良好实验室规范和良好生产规范测试,并在动物中证实免疫能力。研究获得FAPESP、Finep以及巴西卫生部、科技创新部资助,已向巴西和国外申请专利。

据USP药学院教授Irene Soares介绍,这是全球尚无先例的疫苗,完全在巴西构思,在Anvisa获批一期试验用了近一年半时间。CTVacinas主任Ricardo Gazzinelli表示,该疫苗对巴西消除疟疾、助力拉美控制疾病有重要作用,并指出患病者无法工作,社会经济影响显著。

若一期试验证明安全,疫苗将进入二、三期试验,预计在巴西招募约300人,主要集中在亚马逊地区,后续可能涉及其他国家。各阶段均持续监测免疫效果。全部流程完成、且无明确时间表之后,才会向Anvisa申请注册,以实现大规模生产和商业化。

间日疟由Plasmodium vivax寄生虫引起,通过按蚊雌蚊叮咬传播,是巴西和美洲最主要的疟疾类型,全球尚无可用疫苗。世界卫生组织2025年报告显示,80个有本地传播的国家共记录2.82亿例病例,其中990万例为间日疟;在美洲,该虫种占63%。巴西卫生部数据显示,2025年巴西本土感染病例为118,037例,较上年下降15%,其中95%以上集中在亚马逊地区,该地区在诊断、治疗和预防方面还面临可及性挑战。巴西的目标是到2035年阻断本地传播。

与P. falciparum不同,P. vivax有一种名为PvCSP的蛋白,存在三种变体(VK210、VK247和P. vivax-like)。研究人员以PvCSP为靶标,人工将三种变体拼接成一种“嵌合重组蛋白PvCSP-All epitopes”,用于Vivaxin疫苗,以针对三种寄生虫形式提供保护。该活性成分经冻干处理成粉末以保证稳定性,使用前与佐剂CTVad3混合以增强免疫应答。疫苗的作用是向免疫系统“展示”寄生虫蛋白,刺激产生抗体,阻止P. vivax侵入肝细胞。在 mice 和灵长类动物的临床前研究中,该蛋白联合CTVad3佐剂表现出安全性、高免疫原性,并能诱导100%保护。

Soares还表示,已有一个获FAPESP批准的项目,将跟踪临床试验中志愿者产生的免疫学数据,计划运用计算和生物信息学方法分析免疫反应,并研发可用于预防和治疗间日疟的抗体。此外,她正与CTVacinas下属RNA疗法与疫苗能力中心的Santuza Teixeira教授合作,研发另一种基于mRNA的间日疟疫苗,该技术仍处于动物试验阶段。

该疫苗研发始于2010年代初,由圣保罗联邦大学(Unifesp)细胞与分子治疗中心及USP药学院的研究人员发起,获FAPESP支持,并与纽约大学、巴斯德研究所等国际团队合作。在抗原筛选和概念验证后,与CTVacinas的合作加强,后者负责佐剂和最终产品质量控制,Cristália实验室正在生产试验用批次。

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Vacina brasileira contra malária vivax recebe aval para testes em humanos

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Uma vacina brasileira contra a malária vivax, tipo mais comum da doença no país e que não tem imunizante disponível no mundo, recebeu aval para ser testada em humanos. Chamada Vivaxin, a formulação entra agora em estudos clínicos de fase 1, que vão avaliar a segurança, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular a produção de anticorpos, ou seja, a resposta imunológica. O protocolo prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia por malária. A seleção começa em janeiro de 2027. Serão avaliados grupos que receberão a vacina e placebo (formulação sem o princípio ativo), em um esquema de três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. Os voluntários serão acompanhados durante um ano. O aval foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na resolução nº 3.956, publicada no Diário Oficial da União em 7 de outubro. Desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Centro de Tecnologia de Vacinas ( CTVacinas ), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a indústria farmacêutica Cristália, o imunizante já havia passado por testes de boas práticas de laboratório e de fabricação, além de ter sua capacidade de imunização comprovada em animais. Os pesquisadores – que receberam financiamento da FAPESP, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia e Inovação – já solicitaram a patente no Brasil e no exterior ( leia mais em: agencia.fapesp.br/53363 ). Se a fase 1 demonstrar a segurança, a vacina seguirá para as etapas 2 e 3 dos testes clínicos, realizadas com um número maior de voluntários – a previsão é de que participem cerca de 300 pessoas no Brasil, principalmente na Amazônia, e de que o estudo envolva outros países posteriormente. O monitoramento da eficácia do imunizante também segue nas outras fases. Somente ao final de todo esse processo, sem prazo para conclusão, será feito o pedido de registro na Anvisa para a produção em larga escala e comercialização. “Essa é uma vacina inédita no mundo. Foi toda concebida no Brasil. Na Anvisa, levamos quase um ano e meio para obter o aval da fase 1. Depois de todas as etapas concluídas, será um avanço para o mundo”, diz à Agência FAPESP a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP Irene Soares , uma das coordenadoras do trabalho, juntamente com o professor Ricardo Gazzinelli , diretor do CTVacinas. Para Gazzinelli, desenvolver esse tipo de imunizante representa uma oportunidade não só de reduzir os impactos da doença sobre os sistemas de saúde, como também de contribuir com a melhoria da rotina das populações expostas, geralmente vulneráveis. “Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e contribuir para o controle da doença na América Latina. Como as pessoas doentes não podem trabalhar, o impacto socioeconômico é relevante”, disse o diretor, em comunicado à imprensa. Doença infecciosa transmitida a humanos pela picada de fêmeas do mosquito Anopheles , a malária é causada pelo parasita do gênero Plasmodium . Duas espécies do parasita são as maiores ameaças no mundo: P. vivax , predominante no Brasil e nas Américas, e P. falciparum , com mais casos em países da África e a única com vacina. Apesar dos avanços no tratamento, relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2025 aponta que foram registrados 282 milhões de casos em 80 países com transmissão local (endêmica). Do total, 9,9 milhões foram de P. vivax . Nas Américas, a espécie respondeu por 63% dos registros. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram 118.037 casos contraídos em território nacional em 2025, o que representa 15% menos do que no ano anterior. Mais de 95% estão concentrados na região amazônica, onde o enfrentamento da doença também envolve desafios de acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às ações de prevenção. O Brasil tem a meta de interromper a transmissão local da doença até 2035. Entre os sintomas mais comuns da malária estão febre alta, cansaço, enjoo, suor excessivo, dores de cabeça e no corpo. A forma grave da doença pode causar anemia e comprometer órgãos como fígado e baço. O tratamento é feito com medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Diferentemente do P. falciparum , o P. vivax tem uma proteína, chamada PvCSP (proteína circunsporozoíta), que possui três variantes (VK210, VK247 e P. vivax -like). A PvCSP é mais abundante na superfície dos esporozoítos, que são a forma alongada do parasita. Presentes na glândula salivar do mosquito transmissor, os esporozoítos, após serem depositados na pele, chegam ao fígado e podem infectar o organismo humano. Por isso, após anos de estudos, os pesquisadores usaram a PvCSP como proteína-alvo. Conseguiram desenvolver artificialmente uma molécula a partir da união das três diferentes variantes, chamada “proteína quimérica recombinante PvCSP-All epitopes”, que é usada na vacina Vivaxin e busca proteger contra as três formas do parasita. Essa substância ativa é então liofilizada, ou seja, transformada em pó para garantir a estabilidade. Antes da aplicação, é misturada com o adjuvante (CTVad3) – um composto capaz de potencializar a resposta imunológica. No organismo, o imunizante funciona como uma espécie de “apresentação” da proteína do parasita ao sistema imune, estimulando a produção de anticorpos capazes de reconhecer o parasita em uma futura infecção. O objetivo é impedir que o P. vivax invada as células do fígado, onde se multiplica antes de alcançar os glóbulos vermelhos e provocar os sintomas da malária. Em estudos pré-clínicos conduzidos em camundongos e primatas, a proteína, associada ao adjuvante CTVad3, mostrou-se segura, altamente imunogênica e capaz de induzir 100% de proteção. Soares conta que já tem um projeto aprovado pela FAPESP com o objetivo de acompanhar os dados imunológicos gerados pelos voluntários no ensaio clínico da vacina. A proposta é aplicar abordagens computacionais e de bioinformática para analisar a imunidade gerada, além de buscar desenvolver anticorpos que possam ser usados tanto na prevenção quanto no tratamento da malária vivax. Além da Vivaxin, Soares vem trabalhando em parceria com a professora Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência em Terapia e Vacinas de RNA, ligado ao CTVacinas, em outro imunizante contra a malária vivax baseado em RNA mensageiro (mRNA). Essa tecnologia utiliza parte da sequência genética do agente infeccioso para “ensinar” o organismo a se defender. Esse tipo de vacina funciona introduzindo um fragmento de mRNA que corresponde a uma proteína do “invasor-alvo”. O sistema imune detecta a proteína “estranha” e desencadeia a produção de anticorpos. O mRNA serve para transportar as instruções necessárias e depois é degradado pelo organismo. Esses estudos ainda estão na fase de testes em animais. A iniciativa de desenvolver uma vacina contra o P. vivax partiu de um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular e Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da FCF-USP no início dos anos 2010, com o apoio da FAPESP e a colaboração de uma equipe internacional, com pesquisadores da Universidade de Nova York (Estados Unidos) e do Instituto Pasteur (França), entre outros. Depois da seleção do antígeno e de testes de prova de conceito, fortaleceu-se a parceria com o CTVacinas, que, entre outras atribuições, é responsável pelo adjuvante e pelo controle de qualidade do produto final. O laboratório Cristália está produzindo os lotes que serão usados nos testes.

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