Quanto ganha um profissional de TI no Brasil? Pesquisa revela renda e perfil do setor
Um levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, analisou o perfil de 194.775 profissionais de tecnologia da informação identificados em sua base de dados no país. Realizado em setembro por meio do Insights Hub, plataforma de Marketing Solutions da companhia, o estudo revela características demográficas e socioeconômicas desse público e acompanha mudanças na composição do perfil identificado nos últimos anos.
O levantamento acontece em um momento de forte transformação do setor. Segundo o Relatório Setorial 2025 da Brasscom, os investimentos em tecnologias no Brasil podem chegar a R$ 2 trilhões entre 2026 e 2029, impulsionados principalmente por nuvem, com R$ 765,6 bilhões previstos, e Inteligência Artificial, com R$ 736,6 bilhões. O avanço dessas tecnologias amplia a demanda por novas competências e reforça a necessidade de atualização dos profissionais ao longo da carreira.
“A tecnologia está avançando em uma velocidade que transforma não apenas as ferramentas utilizadas pelas empresas, mas também as competências e as trajetórias profissionais. Entender quem são as pessoas que já atuam nesse mercado e como esse perfil vem se modificando nos ajuda a enxergar os diferentes momentos de carreira e a importância de manter o aprendizado contínuo ao longo dessa jornada”, afirma Letícia Sanchez, gerente executiva de Recursos Humanos da Serasa Experian.
Maioria dos profissionais tem entre 29 e 38 anos
Entre os profissionais de TI identificados em 2026, 35,8% têm entre 29 e 38 anos e 35,7% estão na faixa de 39 a 48 anos. Na sequência, 17,7% têm entre 49 e 65 anos, 7,8% entre 18 e 28 anos e 3,1% estão acima dos 65 anos.
Na comparação com os levantamentos anteriores, a composição etária das bases analisadas pela datatech apresenta mudanças. Em 2024, a maior concentração estava entre 29 e 38 anos (43,3%), seguida pelos profissionais de 18 a 28 anos (32,2%). Em 2025, as faixas de 29 a 38 anos (37,5%) e de 39 a 48 anos (34%) passaram a concentrar as maiores parcelas. Em 2026, esses percentuais chegam a 35,8% e 35,7%, respectivamente. Confira o detalhamento completo no gráfico abaixo:
“Os levantamentos mostram diferentes composições etárias entre os públicos identificados pela nossa base ao longo dos últimos anos. Mais do que associar essas variações a uma mudança específica do mercado, os dados nos ajudam a observar a diversidade de perfis que atuam em tecnologia e reforçam que desenvolvimento e atualização são importantes em diferentes momentos da carreira”, comenta Leticia.
Um em cada três tem renda estimada acima de R$ 10 mil
No recorte de renda mensal estimada, 33,1% dos profissionais de TI identificados em 2026 estão na faixa acima de R$ 10 mil. Outros 19,6% recebem entre R$ 2.001 e R$ 4 mil, enquanto 15,8% estão entre R$ 4.001 e R$ 6 mil. As faixas de até R$ 2 mil e de R$ 6.001 a R$ 8 mil representam 11,2% e 11,1%, respectivamente. Confira no gráfico abaixo:
Em relação ao gênero registrado na base, 77,4% são homens, 18,5% são mulheres e 4,1% não têm informação de gênero na base. O levantamento também mostra predominância da classe B, que reúne 55,1% dos profissionais identificados, seguida pelas classes C (19,1%) e A (17%). O detalhamento está no gráfico abaixo:
Tecnologia amplia demanda por novas competências
No cenário global, o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta IA e big data, redes e cibersegurança e letramento tecnológico como as três competências com crescimento mais acelerado de demanda até 2030. O estudo também destaca habilidades humanas, como pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade e aprendizado contínuo, entre aquelas que devem ganhar importância no período.
Na Serasa Experian, que conta com mais de 6,5 mil colaboradores no Brasil, incluindo mais de 2.900 pessoas em tecnologia, sendo que 30,7% desse público é feminino. Para apoiar o desenvolvimento desses talentos, a companhia mantém trilhas específicas de aprendizagem para Tecnologia e disponibiliza plataformas voltadas ao desenvolvimento de hard e tech skills, como Udemy, Pluralsight, DataCamp e Alura. A empresa também realiza o mapeamento de competências e habilidades de seus times de tecnologia para identificar gaps de conhecimento e direcionar oportunidades de upskilling e reskilling, contribuindo também para a progressão de carreira dos profissionais.
“A tecnologia muda rapidamente, mas a construção de uma carreira sustentável na área não depende apenas do domínio de uma ferramenta específica. Conhecimento técnico precisa caminhar junto com pensamento analítico, adaptabilidade, colaboração e disposição para aprender continuamente. Para as empresas, o desafio é criar condições para que esses profissionais atualizem competências e enxerguem possibilidades de desenvolvimento à medida que novas tecnologias transformam funções e formas de trabalhar”, avalia a gerente executiva da datatech.
Metodologia
O levantamento foi realizado em setembro de 2026 por meio do Insights Hub, plataforma de Marketing Solutions da Serasa Experian, e identificou 194.775 profissionais de tecnologia da informação na base de dados da companhia no país. A análise considera informações demográficas, socioeconômicas, geográficas e de afinidade disponíveis na plataforma. As comparações históricas utilizam levantamentos realizados pela Serasa Experian em 2024, 2025 e 2026. Os resultados representam a composição das bases analisadas em cada período e não devem ser interpretados automaticamente como uma série populacional sobre todos os profissionais de TI do Brasil.