Ruvo cresce no Brasil para disputar mercado com Wise e Revolut
Mike Mason e Alec Howard, fundadores da Ruvo | Crédito: Divulgação
No disputado mercado das contas globais, a Ruvo busca ampliar sua presença no Brasil, onde enfrenta concorrentes como Wise, Nomad, Revolut, e Nubank Ultravioleta . Para competir com esses players, a fintech aposta em uma plataforma voltada especificamente a brasileiros, tarifas a partir de 0,3% e atendimento humano via WhatsApp, com apoio de inteligência artificial (IA).
Em entrevista ao Startups , Alec Howard, fundador e CEO da Ruvo , afirma que a empresa foi uma das primeiras a se apresentar como conta global e que outros players mudaram a forma de se posicionar no mercado. Fundada em 2025, a fintech permite receber, converter e gastar dinheiro entre o Brasil e o exterior, com conversão em dólar. A solução atende pessoas e empresas que movimentam recursos em moeda estrangeira, de estudantes e freelancers a negócios de importação, exportação e viagens.
Na avaliação de Alec, o foco no público brasileiro é um dos diferenciais da fintech em relação à concorrência. “Fomos construídos realmente para brasileiros, pessoas e empresas. Nós nos concentramos apenas nesse mercado. As outras opções, em geral, tratam o Brasil como um pensamento tardio, na minha percepção”.
A carteira da Ruvo integra Pix e dólares digitais, as chamadas stablecoins (criptomoedas atreladas ao valor do dólar). O cliente pode comprar esses ativos com reais via Pix e gastá-los com o cartão internacional da Visa emitido pela plataforma.
Produto e modelo de negócio
A Ruvo começou atendendo engenheiros de software, público que Alec considera um dos melhores segmentos para desenvolver um produto. Segundo o executivo, uma solução bem construída para esses profissionais pode funcionar também para outros mercados. “Se podemos ganhar com engenheiros de software, podemos ganhar em todo o mercado”, afirma. A inspiração veio da Stripe , que desenvolveu sua infraestrutura de pagamentos para facilitar o uso por engenheiros.
Hoje, a Ruvo atende pessoas físicas, que têm acesso a cartão, compra de dólares digitais e produtos de renda, e empresas que usam a plataforma para receber recursos do exterior, em dólares ou criptomoedas, e pagar funcionários e fornecedores.
A receita vem de três fontes principais: a compra de stablecoins, o intercâmbio — tarifa cobrada nas compras com cartão — e produtos de ativos digitais e renda. De acordo com Alec, essa combinação permite sustentar o negócio.
Diferenciais competitivos
Segundo a empresa, o volume mensal de transações aumentou 4,1 vezes desde fevereiro de 2026, e a base já ultrapassa 3 mil clientes, dos quais mais de 50% chegaram por indicação. A projeção é superar R$ 1 bilhão em volume anualizado de transações até o fim de 2026.
Além do foco nos brasileiros, Alec aponta o atendimento como outro diferencial da Ruvo. A empresa integrou o WhatsApp ao suporte e, segundo o CEO, garante que os clientes tenham acesso a uma pessoa, com apoio de inteligência artificial (IA). “Vimos muitos clientes saírem de outros serviços porque esperavam dias ou semanas para saber o status dos seus fundos”, afirma. Manter a qualidade do atendimento em um nível alto é, por isso, uma prioridade para a empresa, diz o executivo.
A isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em operações elegíveis também integra a proposta da fintech. Alec explica que o negócio é estruturado em torno de stablecoins e que, segundo a interpretação regulatória adotada pela empresa, a compra desses ativos digitais é isenta do imposto.
“Nós apenas seguimos as regulações. E se houver mudança em torno do IOF com stablecoins, fomos construídos para acomodar isso”, diz Alec. Segundo ele, a maioria das empresas que oferecem stablecoins aos clientes também não paga IOF nessas operações.
Planos de expansão
Nas próximas semanas, a Ruvo passará a oferecer suporte para envios e recebimentos em euros e libras, além de transferências via SWIFT, rede utilizada por bancos em pagamentos internacionais. Segundo a empresa, esse é um dos principais pedidos dos clientes corporativos. Alec afirma que há clientes em outros países que precisam acessar pagamentos brasileiros, mas ressalta que o foco da empresa continua sendo o Brasil. “Oportunisticamente, expandimos para outros países, mas a nossa missão é focada no Brasil”, diz o CEO.
No campo de produtos, a empresa lançou recentemente o Yield, que permite ao cliente obter rendimento sobre o dinheiro mantido na conta. A Ruvo também avalia oferecer crédito e outros veículos de investimento. Alec afirma que a fintech mantém parcerias com consultorias financeiras e escritórios de contabilidade devido às sinergias entre essas áreas e o negócio da empresa.
Origem e capital
A história da Ruvo começou em 2016, quando Alec chegou ao Brasil para trabalhar na Uber . Nos seis anos seguintes, atuou na equipe de pagamentos da empresa, período em que o boleto foi integrado ao aplicativo.
A ideia de criar a fintech surgiu após ele ver o Pix em funcionamento pela primeira vez, ao comprar uma água de coco na praia. A experiência o levou a conversar com o cofundador Mike Mason, hoje CTO, que enviava dólares mensalmente a engenheiros contratados no Brasil e considerava o processo caro e demorado.
Com a mudança regulatória que permitiu a compra de stablecoins e a integração com o Pix, os dois viram uma oportunidade de desenvolver o produto, segundo Alec. A empresa foi criada sob o nome Cacao e processou cerca de US$ 165 mil nas primeiras semanas.
No ano de sua fundação, a Ruvo foi selecionada para o Batch Summer 2025 da Y Combinator. Em janeiro de 2026, a fintech captou US$ 4,6 milhões em uma rodada seed liderada pela 1confirmation , com participação de Coinbase Ventures , Rebel Fund e de investidores-anjo do Brasil e dos Estados Unidos.
Segundo Alec, os recursos foram destinados ao desenvolvimento de produtos e à contratação de profissionais. Com a equipe principal formada, a empresa mantém o foco em engenharia, vendas e marketing.
Para 2027, o CEO afirma ter objetivos de crescimento “ambiciosos”, mas não revela quais são as metas. Segundo ele, a prioridade é continuar expandindo o negócio e a base de clientes. Uma nova captação será avaliada estrategicamente, conforme as necessidades da operação.