Republicanos formaliza apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
O Partido Republicanos formalizou nesta quarta-feira (7) o apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. O anúncio foi feito com a presença do candidato na sede do partido, em Brasília. Conforme antecipado pelo Valor, o movimento implica um acordo de bastidores entre PL, União, PP e Republicanos de divisão de espaços no ministério de eventual governo Flávio e eleição da Mesa Diretora do Senado e da Câmara.
O apoio nacional do Republicanos a Flávio, porém, terá ressalva em diretórios de Estados alinhados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como Pernambuco e Paraíba. A maioria da bancada, no entanto, foi favorável ao apoio a Flávio.
O anúncio se soma aos gestos, nos últimos dias, da federação União-Progressistas (PP) e do candidato derrotado do PSD, Ronaldo Caiado, que fortalecem a candidatura do senador do PL.
Participaram do evento o presidente da sigla, Marcos Pereira, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o governador eleito de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo, e a senadora Damares Alves.
“Venho anunciar que o Republicanos apoiará Flávio Bolsonaro para presidente da República”, declarou Marcos Pereira. O dirigente partidário, no entanto, afirmou ser preciso manter o respeito a eventuais particularidades locais. “E cito como exemplo a Paraíba e Pernambuco. Não é um gesto automático, adesão incondicional. É uma decisão que nasce da voz das urnas e de um sentimento que a gente ouve em toda esquina: o brasileiro quer ter esperança de novo”, disse o presidente da sigla.
No evento, Tarcísio afirmou que o Republicanos não apenas apoiará a eleição, mas será importante para a governabilidade em um eventual governo:
“O Republicanos não está aqui, Flávio, simplesmente para te dar apoio para se eleger presidente da República no próximo dia 25 de outubro. E você vai ser eleito, porque esse projeto é de Deus. Você sabe disso. O Republicanos está aqui para, além disso, te ajudar a ser um grande presidente da República”, declarou o governador.
Como o Valor mostrou, com as maiores bancadas no Congresso a partir do ano que vem — 28 senadores e 121 deputados —, a posição do o PL será decisiva na eleição para as novas Mesas Diretoras das Casas legislativas no começo de fevereiro. Mesmo assim, o PL não conseguiria eleger, sozinho, ou mesmo com apoios esparsos, os presidentes das duas Casas. Além disso, nos últimos anos, as principais legendas têm reeditado acordos de divisão de poderes, de modo que o mesmo partido não ocupe, simultaneamente, o comando das duas Casas, como já se deu com o MDB no passado.
Dessa forma, nos bastidores, os dirigentes do PL, da federação União-PP e do Republicanos firmaram entendimento para que o PL complete os votos para reconduzir Hugo Motta ao comando da Câmara. Em troca, as três siglas assegurarão o apoio para eleger Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, para a presidência do Senado, no lugar de Davi Alcolumbre (União-AP).
No entanto, apesar dessa costura das cúpulas partidárias, lideranças do PL na Câmara e no Senado disseram ao Valor que haverá resistência das bancadas. Um dos motivos foi o gesto de Hugo Motta de declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os novos parlamentares querem tentar emplacar quadros do PL na direção das duas Casas, apesar do acordo com o Centrão. De um lado, haverá um movimento para tentar eleger o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), ou o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ambos reeleitos, para a cadeira de Motta.
Outra alternativa a Motta seria apoiar o nome do presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), que já disputou antes o comando da Casa. Contudo, ele acabou cedendo para apoiar Motta, que teve o então titular da cadeira, Arthur Lira (PP-AL) - agora eleitor senador - como principal padrinho de sua candidatura.
Marcos Pereira, no entanto, desponta como nome natural para o eventual ministério de Flávio. Defensores de Motta vão argumentar que em 2023, a bancada do PT fez acordo para votar na recondução de Lira ao comando da Casa, mesmo ele tendo feito campanha em 2022 para Jair Bolsonaro (PL). Uma ponderação é que tendo a Paraíba como base eleitoral, Motta não poderia se colocar contra Lula.
Há ainda uma parcela da bancada do PL que considera que a Presidência da Casa deverá ser alinhada ideologicamente à agenda de Flávio. Por isso, uma parte das lideranças defende a importância de uma composição partidária com outro partido de centro. Nesse cenário, no entanto, a bancada poderia apoiar quadros de direita de partidos como União Brasil ou Partido Progressista.
Marcos Pereira, presidente do Republicanos
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados