OpenFX monta time no Brasil e anuncia braço de CVC
Catherine Kaupert, diretora da OpenFX para a América Latina | Foto: divulgação
Investida por gigantes como Accel e Lightspeed , a OpenFX em dois anos saiu do zero para um dos maiores volumes do mercado de pagamentos internacionais com stablecoins. Hoje, a startup norte-americana atende mais de 100 fintechs e já processa cerca de US$ 80 bilhões em volume anualizado. Agora, ela quer ir além da própria infraestrutura e amplia sua estratégia em duas frentes: um braço de investimentos em startups e uma operação própria no Brasil.
O braço de CVC, chamado OpenFX Ventures , pode ser novo, mas a operação já estava rodando havia meses. O veículo sai do stealth mode com um portfólio de aproximadamente 16 empresas em todo o mundo, incluindo fintechs da América Latina. Segundo Catherine Kaupert, diretora da companhia para a América Latina, o plano agora é ganhar escala e atrair mais deal flow.
De acordo com a executiva, o foco está em startups early-stage de infraestrutura de pagamentos transfronteiriços na América Latina, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia-Pacífico, com cheques que vão do pré-seed ao seed. “Buscamos negócios complementares, que podem ajudar a nossa proposta de valor e se beneficiar dela”, afirma Catherine.
A tese se divide em quatro frentes: ferramentas de pagamento com IA, infraestrutura para mercados de crédito e de capitais, aplicações financeiras de nova geração e infraestrutura de roteamento e compensação. Além do capital, as investidas ganham conexão direta com os mercados da OpenFX e acesso antecipado a novos produtos.
O timing, segundo a empresa, tem a ver com um mercado de captação mais difícil para quem tenta modernizar o sistema financeiro. “A maior parte do dinheiro do mundo ainda circula em sistemas criados antes da internet, e as empresas que vão modernizá-los estão enfrentando mais dificuldades para levantar recursos”, afirma Prabhakar Reddy, fundador e CEO da OpenFX .
Portfólio
Apesar de não entrar em detalhes sobre a carteira de investidas, a OpenFX Ventures divulgou alguns de seus principais aportes para mostrar a tese do veículo. O destaque é a fintech mexicana Jeeves , que levantou US$ 110 milhões numa rodada liderada pela CoinFund e contou com a participação da OpenFX .
A aposta casa com a virada da Jeeves , que deixou de ser só uma fintech de cartões corporativos para se tornar uma plataforma bancária nativa em stablecoins. Em um ano, a empresa triplicou seu volume anualizado, para US$ 5 bilhões, e só o volume em stablecoins saltou de praticamente zero para US$ 1,5 bilhão em oito meses.
Conforme explica Catherine, parte desse fluxo passa pela OpenFX . “Faz total sentido para eles movimentar dinheiro ao redor do mundo usando a OpenFX. E, indiretamente, estão usando stablecoins para isso, de forma mais barata e muito rápida”, diz a diretora.
A Jeeves também é um elo com o Brasil. A empresa tem operação em São Paulo e lançou em janeiro uma rota de pagamentos em stablecoin entre Brasil e Estados Unidos.
Perguntada sobre oportunidades de investimento em fintechs brasileiras, Catherine destaca que algumas estão no radar. “Estamos olhando para o Brasil como o maior mercado da América Latina. E, para isso, precisamos de parcerias ou de uma relação próxima com as empresas que fazem sentido, que tornem nossa operação mais eficiente”, diz. Segundo a executiva, a OpenFX pode fazer parcerias, investir ou até comprar empresas que facilitem as operações cross-border de companhias brasileiras ou de estrangeiras que atuam no país.
O braço de investimentos, de acordo com a empresa, já abriu um canal para receber founders brasileiros e latino-americanos que estejam captando rodadas em estágio inicial.
Da parceria à operação própria
No Brasil, a OpenFX opera há cerca de um ano e meio, depois de começar pelo México. Até aqui, atuava no país por meio de parceiros, como provedores de liquidez e bancos com licença local. Agora, o plano é andar com as próprias pernas: a empresa abriu uma entidade brasileira e pediu ao Banco Central autorização para operar como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV, a sigla brasileira para o que o mercado internacional chama de VASP).
O pedido vem na esteira das novas regras do BC para o setor, em vigor desde fevereiro, que passaram a tratar como operação de câmbio os pagamentos internacionais feitos com ativos virtuais, exatamente o tipo de transação que a OpenFX faz.
“A decisão de pedir a autorização e montar um time local tem muito a ver com o potencial e com as expectativas altas que temos para o país”, afirma Catherine.
A estrutura local também está em formação. A empresa está contratando talentos para as áreas de compliance e risco, prepara um escritório em São Paulo e espera a chegada de um country manager nas próximas semanas. Além do Brasil, a OpenFX opera no México, na Colômbia, onde entrou nos últimos seis meses, e na Argentina, onde está em fase de lançamento.
“O Brasil ainda não é o nosso mercado número um, mas vejo o país se tornando o nosso principal mercado na América Latina”, diz a executiva. Entre os clientes potenciais, ela cita importadores e exportadores, estrangeiros que investem em energia e recursos naturais e famílias que mandam dinheiro para filhos que estudam fora.
Para Catherine, o Pix colocou o brasileiro num patamar raro de pagamentos instantâneos, mas essa experiência ainda não atravessa a fronteira, e é aí que a OpenFX quer entrar. “Nossa visão como empresa é fazer o dinheiro se mover como dados”, afirma.