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Nido创始人撰文:AI价值重归美国集中,巴西投资者应赴美投早期基金

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O caminho para inovação em IA passa pelos EUA

Nido创始人Laura Constantini撰文分析Startup Genome 2026年报告,指出AI创业价值重新向美国集中,建议巴西投资者赴美并选择规模较小、更专业化的基金管理人。

为什么值得关注

文章为在巴西经营的中国企业提供了一个观察国际资本流向的视角:AI价值创造集中在美国,而中国AI生态主要由国家资本和国内资本驱动,国际私人资本进入受限。

Nido创始人Laura Constantini在Startups.com.br撰文指出,据Startup Genome 2026年报告,全球前20大创业生态占创业总价值的比例从2024年的69.7%回升至75.4%,回到2020年水平;硅谷占比从24.5%升至28.3%。她认为AI是这一反转的驱动力,并建议巴西投资者前往美国,同时选择规模较小、更专业化的基金管理人。

文章引用Startup Genome数据称,2023年下半年至2025年,北美获得全球AI-native初创风投的78%;同期全球每100家AI-native初创企业中有43家诞生于美国,英国为9家。AI-native生态价值2025年超过1万亿美元,较2020年增长507%。

关于中国,文章称Startup Genome报告几乎未提及中国,但中国是另一大AI中心。据斯坦福AI Index 2026,中国上一年产出30个相关AI模型,前一年为15个,美国为50个;2026年3月中国最佳模型在行业常用性能排名中落后美国最佳模型2.7%。文章还称中国在AI论文数量(占全球23.2%)、AI专利申请(占69.7%)和工业机器人安装量(29.5万台,美国3.42万台)上领先。

资本方面,文章称2025年美国私人AI投资为2859亿美元,中国为124亿美元;斯坦福报告提示该数字低估中国投入,因部分资金来自国有基金——2000至2023年累计约1840亿美元,未出现在私人资本数据库中。文章还提到,自2025年1月起美国财政部规则禁止美国投资者对部分中国AI、半导体和量子计算企业进行特定投资,2025年12月国会将其立法并扩大范围,使美国风投管理者在很大程度上无法投资中国AI。文章认为,中国创新中心由国家资本和国内资本驱动,外国参与有限;美国中心则由私人资本资助,对能接触到优质管理人的投资者开放。

文章还称,中国竞争尤其是开放、廉价模型压低了全球AI成本,有利于在模型之上构建应用的企业。

文章引用哈佛大学Josh Lerner的研究解释前沿技术价值倾向于留在创造地:创造始于集中,采用扩散远快于创造,先驱中心凭借技术知识积累可保持优势30年以上。作者以此分析互联网泡沫(1999—2001)、2008年金融危机和2021—22年加息三次危机,称后两次危机期间下一波浪潮恰好正在美国诞生(Airbnb、Uber、WhatsApp、ChatGPT)。

文章认为,对巴西投资者而言有两个方向相反的决定:投资地点应跟随集中趋势去美国;选择管理人则应去资本稀缺处,即规模较小、 thesis 和项目获取差异化的管理人。文章引用Colibrí Institute对2471只美国基金的研究称,新兴管理人年化IRR高出7.2个百分点,多项新兴标准组合时优势约14个百分点;它们占前四分位基金的72%,却只获得16%的资本。文章还称,2026年上半年三家管理公司(a16z、Thrive、Founders Fund)募集了美国风投总额的48.1%,2024年需九家才能达到一半。

文章称,这并不意味着背对巴西:按Lerner的逻辑,采用会快速扩散,AI浪潮将抵达巴西企业,那里会有好机会。文章还引用Mighty Capital和Chamaeleon管理人的观点,称软件本身不再天然具备防御性,价值在于专有数据、网络效应和技术层。

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O caminho para inovação em IA passa pelos EUA

Laura Constantini, fundadora da Nido | Foto: Divulgação *Por Laura Constantini, fundadora da Nido A inteligência artificial reconcentrou a criação de valor tecnológico. Depois de um período no qual parecia que a inovação se espalhava, os dados mostram o movimento contrário: a maior parte do valor e do capital de startups AI-native está nos Estados Unidos. O polo chinês, embora relevante, é em grande parte fechado para o capital privado internacional. Para o investidor brasileiro, isso implica duas decisões distintas: ir para onde o valor está sendo criado (EUA) e, dentro desse mercado, buscar gestores menores e mais especializados, onde o capital ainda é escasso. A janela para entrar nas empresas que vão capturar esse valor é agora. Entre 2020 e 2024, tudo indicava que a geografia da tecnologia estava se espalhando. Trabalho remoto, capital barato e o amadurecimento de novos polos (São Paulo entre eles) sustentavam uma leitura que parecia óbvia: a inovação não aconteceria mais de forma concentrada e em poucos lugares. Os números da Startup Genome confirmavam essa impressão. Nesse período, a fatia dos 20 maiores ecossistemas no valor total gerado por startups no mundo caiu de 75,4% para 69,7%. A dos 10 maiores, de 63,8% para 58%. O próprio Vale do Silício recuou de 27,3% para 24,5%. Esses dados constam do insight “The reemerging concentration problem” (Startup Genome, 7/out/2026). Para o investidor brasileiro, essa leitura era confortável: sugeria que dava para capturar a próxima onda daqui, investindo apenas no que estava perto. Porém, o relatório de 2026 da Startup Genome mostra o movimento contrário. Os 20 maiores ecossistemas voltaram a concentrar 75,4% do valor, exatamente o patamar de 2020. Os 10 maiores chegaram a 64,4%, acima do ponto de partida. E o Vale do Silício subiu para 28,3%, a maior fatia da série citada. O motor dessa reversão é a inteligência artificial. O valor dos ecossistemas AI-native passou de US$1 trilhão em 2025, com alta de 507% desde 2020. Entre o segundo semestre de 2023 e 2025, a América do Norte recebeu 78% de todo o venture capital investido em startups AI-native no mundo. No mesmo período, de cada 100 startups AI-native criadas no mundo, 43 nasceram nos EUA. O Reino Unido, o país europeu mais próximo, respondeu por 9. Ou seja, os EUA criam quase metade das empresas e a região fica com quase todo o dinheiro. A principal plataforma tecnológica desta década está sendo criada em pouquíssimos lugares, e quase todo o capital privado que a financia está num só. E a China? O relatório da Startup Genome praticamente não fala do gigante país: Shenzhen aparece uma única vez, numa lista de polos que subiram no ranking. A China é hoje o outro grande polo de criação de IA no mundo, e esse silêncio não quer dizer que o movimento não esteja se fortificando por ali. Segundo o AI Index 2026 de Stanford, a China produziu 30 modelos de IA relevantes no último ano, contra 15 no ano anterior (os EUA produziram 50). Em março de 2026, o melhor modelo chinês ficava apenas 2,7% atrás do melhor modelo americano no ranking de desempenho mais usado do setor. Em 2023, essa distância era de 17 a 31 pontos. A China lidera em volume de produção científica (23,2% das publicações mundiais em IA), em patentes de IA (69,7% dos pedidos) e em robótica industrial instalada (295 mil robôs, contra 34,2 mil nos EUA). No quesito capital, os dois polos funcionam de formas completamente diferentes. Em 2025, o investimento privado em IA foi de US$285,9 bilhões nos EUA e de US$12,4 bilhões na China. O próprio relatório de Stanford avisa que esse número subestima o esforço chinês, porque boa parte dele passa por fundos estatais, que acumularam cerca de US$184 bilhões entre 2000 e 2023 e não aparecem nas bases de capital privado. Há ainda uma barreira regulatória do lado americano. Desde janeiro de 2025, uma regra do Tesouro dos EUA proíbe investidores americanos de fazer certos investimentos em empresas chinesas de IA, semicondutores e computação quântica, e obriga a notificar outros. Em dezembro de 2025, o Congresso transformou essa regra em lei e ampliou seu alcance. Na prática, os gestores de venture capital americanos, que são o caminho natural do capital internacional para o early-stage, estão em grande parte impedidos de investir na IA chinesa. O polo de inovação chinês é financiado pelo Estado e pelo capital doméstico, com pouca participação estrangeira e sob restrições geopolíticas dos dois lados. Em contrapartida, o polo americano é financiado por capital privado e está aberto a qualquer investidor que tenha acesso aos melhores gestores. Há também um efeito indireto que vale acompanhar: a competição chinesa, sobretudo com modelos abertos e baratos, pressiona o custo da IA para baixo no mundo todo. Isso favorece as empresas que constroem aplicações sobre esses modelos, que é justamente a camada onde estão vários dos gestores com quem investimos. A Startup Genome recorre ao trabalho de Josh Lerner, de Harvard, nos EUA, para explicar por que o valor das tecnologias de fronteira tende a ficar onde elas são criadas, e por que a concentração atual não deve se desfazer tão cedo. A pesquisa dele descreve três padrões das tecnologias de fronteira: A criação começa concentrada – onde já estão o talento, o capital e os clientes que aceitam testar primeiro. A adoção se espalha muito mais rápido do que a criação. Usar uma tecnologia é fácil de replicar em qualquer país. Saber construí-la, não. Os polos pioneiros mantêm sua vantagem por 30 anos ou mais por que acumulam um conhecimento técnico que os outros demoram décadas para alcançar. Esse padrão ajuda a entender três crises que acompanhei de perto, que não são iguais e que ensinam coisas diferentes. A primeira é a bolha da internet, em 1999–2001. Foi a única das três que nasceu de exagero sobre uma tecnologia. A Nasdaq caiu cerca de 78% entre março de 2000 e outubro de 2002, as ações da Amazon perderam mais de 90% do valor e muita gente concluiu que a internet tinha sido exagero. Mas a adoção nunca parou. O valor de longo prazo da internet acabou concentrado num punhado de empresas americanas (Google, Amazon e, logo depois, Facebook), construídas exatamente no polo onde a tecnologia estava sendo criada. Conclusão: o tombo dos preços não foi um fracasso da tecnologia – e o valor ficou na origem. As outras duas crises não foram causadas por tecnologia – e é por isso que ensinam outra coisa. Em 2008, o problema foi o crédito imobiliário. Em 2021–22, foi a alta dos juros, que derrubou os múltiplos das empresas de crescimento, as de software entre elas. Nos dois casos, investidores do mundo todo recuaram, inclusive as famílias brasileiras do venture capital por que passaram a perceber um risco maior. Nos dois casos a onda seguinte estava nascendo nos EUA naquele exato momento. Airbnb (2008), Uber e WhatsApp (2009) foram fundados no meio da crise financeira e viraram a base da era do mobile. O ChatGPT foi lançado em novembro de 2022, no fundo da correção. A lição: a crise afasta o investidor justamente quando a próxima onda está sendo fundada, e ela é fundada na origem. Hoje o mercado discute de novo se a IA é uma bolha. Essa é uma pergunta sobre preço. O dado da Startup Genome responde a outra pergunta, mais importante para quem investe com horizonte de dez anos: onde o valor está sendo criado. E a resposta é cada vez mais concentrada. De acordo com a Startup Genome o risco não é deixar de adotar IA. É se tornar um “ consumidor produtivo” de uma tecnologia cujos ativos valiosos pertencem a outros. As empresas brasileiras vão aderir à IA, ganhar produtividade e pagar por isso. Mas o equity das empresas que constroem essa tecnologia, que é onde o valor se acumula, está majoritariamente nos EUA. E o artigo acrescenta um ponto, citando o economista Daron Acemoglu: os ganhos da IA tendem a ir mais para o capital do que para o trabalho. Neste ciclo, ser dono do capital na origem pesa mais do que nos anteriores. É exatamente a distorção que me levou a criar a Nido – gestora de Venture Capital estratégica que conecta as famílias brasileiras à economia de inovação. Em 2023, fui entender por que as famílias que acompanho há quase duas décadas tinham mais de 90% da sua alocação em venture capital em ativos brasileiros e zero exposição ao early-stage americano. A razão não era convicção, era acesso. O custo dessa distorção cresce a cada ciclo. As plataformas tecnológicas costumam chegar ao Brasil de três a cinco anos depois dos EUA. Quem espera por elas aqui investe na adoção, não na criação. Pela nossa estimativa, baseada na comparação histórica entre o valor capturado por quem cria as plataformas e o valor capturado por quem as adota, a parcela do valor que fica com quem cria foi de cerca de 55% no ciclo de SaaS, cloud e mobile. No ciclo da IA, deve chegar a 75%. Na convergência de plataformas que vem a seguir, pode passar de 85%. Investir só no Brasil é olhar o futuro pelo retrovisor: o investidor captura o eco da criação de valor, nunca a fonte. Se os polos pioneiros mantêm a vantagem por décadas, alguém poderia concluir que não há pressa. É o raciocínio inverso. A vantagem do polo é duradoura, mas a janela de entrada nas empresas que vão capturar esse valor é curta, porque elas estão sendo fundadas agora. Depois que se tornam consenso, chegam ao investidor brasileiro via fundos gigantes ou já na bolsa, com o preço já refletindo boa parte da criação de valor. A própria Startup Genome conclui que a janela para capturar uma parte relevante da criação de IA “pode ser mais curta do que se imagina”. A vantagem estrutural do polo dura décadas, mas o preço de entrada nas empresas que vão materializar essa vantagem sobe rapidamente assim que elas deixam de ser early-stage e passam a ser consenso. Até aqui, o argumento foi seguir a concentração e ir para onde o valor da IA está sendo criado. Dentro do venture americano, no entanto, a lógica se inverte. O capital dos investidores está se concentrando num punhado de gestoras gigantes, e é justamente aí que o retorno tende a ser menor. Para o investidor, a vantagem está no lado escasso dessa equação. No primeiro semestre de 2026, três gestoras ( a16z , Thrive e Founders Fund ) captaram 48,1% de todo o capital de venture levantado nos EUA. Em 2024, eram necessárias nove gestoras para chegar a metade. Ao mesmo tempo, o lançamento de fundos de primeira geração caminha para o menor nível desde 2016. Só que o retorno não acompanha o capital. O estudo do Colibrí Institute , com 2.471 fundos americanos (safras de 2000 a 2024), mostra que gestores emergentes superam os demais em 7,2 pontos percentuais de TIR ao ano, vantagem que sobe para cerca de 14 pontos quando vários critérios de emergência se combinam. Eles estão em 72% dos fundos de quartil superior e recebem só 16% do capital. Por isso, para a família brasileira, há duas decisões separadas, que seguem lógicas opostas: Onde investir: seguir a concentração. Nos EUA, porque é lá que o valor da IA está sendo criado. Com quem investir: ir para onde o capital é escasso. Com gestores menores, de tese e originação diferenciadas, que disputam menos capital e por isso negociam melhores condições de entrada e têm maior probabilidade de estar no quartil superior de retorno. Nada disso significa virar as costas para o Brasil. Pela lógica de Lerner, a adoção se espalha rápido, e a onda de IA vai chegar às empresas brasileiras. Haverá boas oportunidades aqui. A questão é saber reconhecê-las. Os gestores com quem investimos repetem lições que ainda não chegaram ao mercado brasileiro. A Mighty Capital diz que software deixou de ser defensável por si só: com IA, construir ficou mais rápido e mais barato, e a proteção do negócio passa a vir de dados proprietários, efeitos de rede e credibilidade. A Chamaeleon diz que boa parte do que o mercado chama de “startup de IA” é uma interface sobre o ChatGPT e que o valor está nas camadas técnicas difíce

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