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巴西投2.1亿雷亚尔建mRNA疫苗与疗法国家网络

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A aposta brasileira em terapias e vacinas de RNA

巴西联邦政府投入2.1亿雷亚尔,依托布坦坦研究所、Fiocruz和米纳斯吉拉斯联邦大学建设mRNA疫苗与疗法研发生产网络,目标减少进口依赖并应对未来卫生紧急事件。

巴西联邦政府已投入2.1亿雷亚尔,推进一项连接基础研究、技术创新、规模化生产和专业人才培养的国家mRNA网络。其中布坦坦研究所获7300万雷亚尔、Fiocruz获7700万雷亚尔、米纳斯吉拉斯联邦大学疫苗技术中心(CTVacinas)获6000万雷亚尔。布坦坦正在圣保罗建设RNA疫苗工厂,预计2027年下半年完工,年产能约5000万剂。

该战略的背景是新冠疫情暴露的对外依赖:疫情初期,已投资先进生物技术的企业和政府率先推出首批针对Sars-CoV-2的免疫剂。巴西希望把这段经验转化为技术主权和卫生创新战略,覆盖从狂犬病到癌症的预防与治疗,并为未来卫生紧急事件做准备。

mRNA技术将蛋白质的“配方”送入细胞机器,细胞据此生产蛋白质,免疫系统学会识别;使用后mRNA被降解,不改变DNA。自复制RNA还能在细胞内自我复制,以更低剂量产生更多蛋白质;干扰RNA(siRNA)则相反,通过破坏对应的信使来阻断特定蛋白质的生产。2023年诺贝尔医学奖授予了为该技术奠定基础的匈牙利生物化学家Katalin Karikó和美国免疫学家Drew Weissman。

Fiocruz通过Bio-Manguinhos建立了mRNA技术开发和临床批次生产平台,投资约2亿雷亚尔,称这是拉丁美洲首个临床批次生产工厂,技术已向巴西国家工业产权局(INPI)申请,是专利保护的第一步;自2021年起,Bio-Manguinhos被世卫组织认定为拉丁美洲mRNA疫苗参考中心。该机构已生产六批完全在巴西开发的新冠疫苗试验批次,用于验证实验流程。9月,巴西国家卫生监督局(Anvisa)批准了这款mRNA新冠疫苗的1期临床试验,将其作为加强针评估安全性和免疫原性,志愿者招募预计2027年第一季度开始。此外,Fiocruz还在开展针对利什曼病、奥罗普切热和结核病的研究,并开发基于合成RNA的三阴性乳腺癌产品。

布坦坦方面,所长Esper Kallás表示,能生产医用mRNA的国家很少,巴西正在争取成为其中之一,“这是战略性的,因为我们可以获得这套生产能力而不依赖国际供应链”。该所还在与美国Moderna谈判新冠疫苗Spikevax(mRNA-1273)的技术转让,承诺条款已签署并获卫生部认可,但尚无时间表。另一项目是与美国加州Replicate Bioscience合作,用自复制mRNA开发狂犬病疫苗;该候选疫苗RBI-4000在美国1期临床中显示较强免疫刺激能力,低剂量下效果持久,巴西研究预计2027年下半年启动,若成功可在巴西和拉美销售。

巴西卫生部官员Igor Bueno表示,正在构建更广泛的政策,强化先进疗法领域的 frontier 卫生技术,并投资创新以让SUS更便宜、更可及。Fiocruz负责生产与创新的副总裁Priscila Ferraz则指出,挑战之一是将这一生态系统整合起来,避免重复努力并放大公共机构的投资效益。

文章同时列出不确定性:对进口投入品和技术的依赖、高复杂度机构维持高度专业化团队和研究的财务可持续性、中长期投资连续性的需要,以及国际知识产权争端。

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A aposta brasileira em terapias e vacinas de RNA

Como o país tenta transformar a experiência da pandemia de Covid-19 em uma estratégia de soberania tecnológica e inovação em saúde Consideradas uma das principais fronteiras da medicina contemporânea, as terapias e vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA) são uma aposta do Brasil na prevenção e no tratamento de diversas doenças, desde a raiva até o câncer. Além de tentar reduzir a dependência de tecnologias externas, o país quer estar preparado para responder a futuras emergências sanitárias. A pandemia de Covid-19, que atingiu o Brasil a partir do início de 2020, expôs uma fragilidade que passava ao largo das prioridades de políticas públicas de muitos países: a dependência externa no desenvolvimento e na produção de vacinas e terapias de ponta. À época, empresas e governos que já investiam em biotecnologia avançada saíram na frente e conseguiram colocar no mercado os primeiros imunizantes contra o Sars-CoV-2, um vírus até então desconhecido. RNA É o nome da família. Assim como o DNA, o RNA é formado por uma sequência de “letras” químicas, mas costuma ter uma fita só e vida curta na célula. Há vários tipos, com funções diferentes. RNA mensageiro (mRNA) Leva para a maquinaria da célula a receita de uma proteína copiada do DNA. Nas vacinas, a receita é a de uma proteína do vírus: a célula a produz, e o sistema imune aprende a reconhecê-la. Depois de usado, o mRNA é degradado e não altera o DNA. RNA autorreplicante É uma versão do mensageiro que também carrega as instruções para fazer cópias de si mesmo dentro da célula. Com isso, produz mais proteína a partir de uma dose menor. RNA interferente (siRNA) Funciona no sentido oposto: em vez de mandar produzir uma proteína, bloqueia a produção de uma proteína específica ao destruir o mensageiro correspondente. A tecnologia baseada em mRNA é capaz de acelerar a criação de imunizantes porque permite rápida adaptação a novas variantes, como foi o caso do vírus da Covid-19. Diferentemente de vacinas convencionais, produzidas a partir do próprio vírus morto ou atenuado, a de mRNA utiliza parte da sequência genética do agente infeccioso para ensinar o organismo a se defender. Em 2023, rendeu o Nobel de Medicina à bioquímica húngara Katalin Karikó e ao imunologista norte-americano Drew Weissman , cujas descobertas possibilitaram seu desenvolvimento. A estratégia brasileira é investir em uma rede nacional de desenvolvimento de mRNA que conecte pesquisa básica, inovação tecnológica, produção em escala e formação de especialistas. Fazem parte dessa estratégia a fábrica de vacinas de RNA em implantação no Instituto Butantan, em São Paulo, a plataforma nacional para imunizantes e terapias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e o Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA (CTV-RNA), sob a coordenação do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que foi criado por iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O governo federal investiu R$ 210 milhões nas três frentes – R$ 73 milhões para o Butantã, R$ 77 milhões para a Fiocruz e R$ 60 milhões para o CTVacinas. As instituições obtiveram também verbas de outras fontes para financiar seus projetos. A ideia é reduzir gastos públicos com importação de vacinas, nacionalizar terapias que demorariam para chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS) se dependessem de compra externa e viabilizar tratamentos personalizados produzidos no Brasil. Por outro lado, há incertezas, como a dependência de insumos e tecnologias importados, a garantia da sustentabilidade financeira para estruturas de alta complexidade, com a manutenção de equipes e pesquisadores altamente especializados, além da necessidade de continuidade dos investimentos no médio e longo prazo. Disputas internacionais de propriedade intelectual também são uma preocupação. “São poucos os países capazes de produzir RNA mensageiro para uso médico. O Brasil está se candidatando a ser um deles. Isso é estratégico porque podemos ganhar essa capacidade instalada de produção sem depender da cadeia de fornecimento internacional”, avalia o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. Ele prevê que, com o conhecimento consolidado no país, caso surja um novo agente pandêmico, o Brasil poderá contribuir para a resposta produzindo um imunizante de forma relativamente rápida. O instituto usará um dos pavimentos de um novo prédio construído em São Paulo para instalar a fábrica de vacinas de RNA. A compra dos equipamentos está em andamento, com previsão de a área estar pronta até o segundo semestre de 2027. A capacidade estimada de produção é de 50 milhões de doses por ano. O Butantan está negociando também a transferência de tecnologia da vacina contra o coronavírus Spikevax (mRNA-1273), da farmacêutica norte-americana Moderna. O termo de compromisso já foi assinado, com o aval do Ministério da Saúde. Ao final desse processo, ainda sem previsão de data, o instituto poderá produzir esse imunizante no Brasil. Outro projeto nessa área é a parceria entre o Butantan e a Replicate Bioscience (empresa com sede na Califórnia, Estados Unidos) para desenvolver uma vacina contra a raiva usando RNA mensageiro autorreplicante, que possibilita melhor resposta imunológica. Atualmente, a vacina antirrábica humana disponível no Brasil contém vírus inativados, que não causam a doença, mas estimulam o organismo a produzir anticorpos. O mRNA “convencional” funciona como uma única instrução para a célula fabricar uma proteína, enquanto o autorreplicante produz múltiplas cópias de si mesmo, ampliando a produção da proteína de interesse. É mais difícil de desenvolver, mas permite vacinas ou terapias mais potentes com doses menores. Endêmica em mais de 150 países, a raiva é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta cerca de 59 mil mortes por ano no mundo pela doença. Em um estudo clínico de fase 1 conduzido pela Replicate nos Estados Unidos, o candidato a imunizante, chamado RBI-4000, demonstrou forte capacidade de estimular a resposta imune, mantendo efeito prolongado mesmo em baixas doses. Kallás afirma que a perspectiva é iniciar estudos no Brasil até o segundo semestre de 2027. Caso a vacina antirrábica de RNA autorreplicante tenha sucesso, o Butantan poderá comercializá-la no Brasil e na América Latina. “Muitas áreas caminham lado a lado com a de RNA mensageiro. Temos que entender de diversidade genética, de diversidade de micróbios e da gênese do desenvolvimento de diversos cânceres, porque essa será a nova fronteira dessa tecnologia”, diz Kallás, explicando que essas terapias dependem da identificação precisa das proteínas, o que exige compreender as diferenças biológicas. “Temos condições de fazer esses mRNAs entregarem diversas proteínas que podem servir de solução para o tratamento de inúmeras doenças. A potencialidade de seu uso é muito grande”, completa Kallás, que também é o pesquisador responsável pelo Centro de Produção de Imunobiológicos – Vacina da Raiva (CePI – Raiva) , um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) d a FAPESP . Mais do que iniciativas isoladas, os projetos foram concebidos para ocupar diferentes etapas dessa cadeia: pesquisa, desenvolvimento tecnológico, produção em escala e capacitação de profissionais. Divulgação Fábrica de vacinas de RNA em implantação no Instituto Butantan deve ficar pronta no segundo semestre de 2027 Divulgação Por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), a Fiocruz implantou a plataforma de desenvolvimento tecnológico e produção de lotes clínicos de RNA mensageiro para vacinas e terapias, com investimento em torno de R$ 200 milhões. Lote-piloto É produzido em pequena escala para testar e ajustar o processo de fabricação, checando se a receita funciona, o resultado se repete e a molécula se mantém estável. Não é aplicado em pessoas. Lote clínico É fabricado dentro das Boas Práticas de Fabricação exigidas pela Anvisa, com ambiente controlado, rastreabilidade e testes de qualidade e esterilidade. É o único tipo que pode ser usado nos ensaios clínicos, em voluntários. Lote comercial É a produção em escala industrial, depois que a vacina passa pelos testes em humanos e recebe o registro da Anvisa. É esse que chega aos postos de saúde e clínicas. Primeira planta de produção de lotes clínicos na América Latina, ela permite desenvolver novos produtos inserindo a “informação genética” a ser usada para induzir a resposta imunológica a cada doença. A tecnologia foi depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), primeiro passo para a proteção por patente. Desde 2021, Bio-Manguinhos é reconhecido pela OMS como centro de referência em vacinas de mRNA na América Latina. A Fiocruz já produziu seis lotes-piloto do imunizante contra a Covid-19 totalmente desenvolvido no Brasil, que serviram para a validação dos processos experimentais. Em setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu aval para a fase 1 do estudo clínico da vacina de mRNA contra a Covid-19, a primeira desenvolvida com essa tecnologia no Brasil. O imunizante será avaliado como dose de reforço. Nesta etapa serão analisados a segurança e a capacidade de resposta da vacina (imunogenicidade). O recrutamento dos voluntários está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. A vice-presidente de produção e inovação em saúde da instituição, Priscila Ferraz, destaca a importância da área. “Temos uma cadeia desse tipo de tecnologia implementada no Brasil. Isso é bastante relevante do ponto de vista da soberania nacional e da nossa capacidade tecnológica. Entre os desafios agora está a integração desse ecossistema para não duplicar esforços e potencializar esses investimentos em instituições públicas nacionais”, afirma. Além da vacina de RNA mensageiro contra a Covid-19, há pesquisas em diferentes estágios, do pré-clínico ao avançado, para doenças como leishmaniose, febre oropouche e tuberculose. A planta de produção de lotes-piloto tem capacidade superior a 50 mil doses por lote, e o volume pode ser ampliado. Em outra linha de pesquisa, a Fiocruz desenvolve um produto contra o câncer de mama triplo-negativo baseado em RNA sintético — molécula fabricada em laboratório, com a sequência desenhada pelos pesquisadores para atuar sobre um alvo específico das células doentes. Esse tipo de câncer recebe o nome porque as células do tumor não têm os três receptores (de estrogênio, de progesterona e da proteína HER2) que servem de alvo para os tratamentos mais usados. Considerado um dos mais agressivos, ele representa em torno de 15% dos casos de câncer de mama e tem alto índice de metástase e recidiva (quando o câncer retorna depois do fim do tratamento). O diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, Igor Bueno, destaca a importância de o Brasil avançar nessas terapias buscando novos produtos. “A gente vem estruturando uma política mais ampla, fortalecendo tecnologias de fronteira em saúde no âmbito de terapias avançadas. Temos feito iniciativas para torná-las mais baratas e acessíveis ao SUS. Investimos em inovação visando acesso ao sistema público”, diz Bueno. André Rocha - Bio-Manguinhos/Fiocruz Trabalho na plataforma de RNA da Fiocruz André Rocha - Bio-Manguinhos/Fiocruz A Fiocruz conta com um grupo de desenvolvimento de produtos em RNA que reúne 28 pesquisadores distribuídos em oito unidades da fundação. Atualmente, há o pedido de patente depositado de Bio-Manguinhos e outros três em preparação. Esse foco em pesquisa e parcerias nacionais e internacionais também é parte da missão do CTV-RNA, que começou a funcionar neste ano como um polo científico dentro do CTVacinas, em Belo Horizonte. Com apoio da Embrapii, esse centro possibilitará o desenvolvimento de projetos desde a prova de conceito até a maturidade nece

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