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巴西INPE用卫星图像追踪Billings水库溶解有机碳分布

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Imagens de satélite ajudam a rastrear manchas de poluição na represa Billings

巴西国家空间研究所开发出一种利用卫星图像追踪圣保罗Billings水库溶解有机碳分布的方法,可大范围连续识别污染严重区域。

巴西国家空间研究所(Inpe)开发出一种方法,可利用卫星图像追踪圣保罗大都市区Billings水库水体中的溶解有机碳(COD)分布。该指标反映有机物、未处理污水和藻类的存在。研究获圣保罗研究基金会(FAPESP)支持,于8月发表在《International Journal of Remote Sensing》上。

据研究协调人、Inpe水生系统仪器实验室(LabISA-Inpe)负责人克劳迪奥·克莱门特·法里亚·巴尔博萨(Cláudio Clemente Faria Barbosa)介绍,水中少量有机物是细菌循环水生生物所需元素的重要食物来源,但过量会导致水中氧气减少,污染水平高时可能造成鱼类死亡。他还表示,有机物量与溶解碳量密切相关,因此测量前者可间接推算后者。研究作者指出,水库周边污染打破碳的自然循环,过量残留物增加甲烷和二氧化碳等温室气体排放,使水库成为排放源,这在当前气候变化背景下使监测变得必要。

此外,气温升高和温带气旋带来的风会造成水体分层被打破,使表层温暖富氧水与底层寒冷贫氧水之间的自然分层瓦解,促使养分快速释放和藻类大量繁殖。

这是LabISA团队针对Billings水库的第二项研究。该水库建成已超过一百年,对圣保罗大都市区城市供水、发电和防洪具有战略意义。2023年,团队曾发表另一篇文章,描述利用卫星图像绘制水库中蓝细菌分布的方法。蓝细菌天然存在于河流和湖泊中,含蓝色素藻蓝蛋白,大量存在时可能对人和鱼鸟产生神经毒性。

两项研究都开发了算法,根据水库反射光模式估算水中成分。卫星图像记录的颜色被转换为可计算色素浓度的指标,并关联到大范围水库水质。碳特别通过估算有色溶解有机物(CDOM)来计算,这部分有机物呈深灰色(茶色),吸收电磁辐射,可由卫星图像测量。Inpe研究员、最新文章通讯作者丹尼尔·安德拉德·马西埃尔(Daniel Andrade Maciel)解释,另一部分有机物经历“漂白”(阳光作用失去颜色)后不再与光相互作用,无法直接遥感估算,但可以计算其比例。卫星图像监测克服了在广阔区域频繁人工采样的困难和成本。

研究人员称,Billings是富营养化水库的典型,因污水直排、化肥元素、藻类及 Serra do Mar 来有机物的分解,水中养分浓度高,因此是可在巴西及其他热带国家类似水体推广的良好案例。马西埃尔表示,尽管其他国家(主要是北半球)已有此类测量,但在热带富营养化水库通过CDOM绘制碳分布仍有挑战:养分和阳光高时藻类过度生长,藻类与有色溶解有机物吸收相同光谱区域的光,使估算更困难,尤其在藻华条件下。

研究人员介绍,开发此类模型(监测碳、蓝细菌或藻华)步骤类似:先实地采集并记录数据,用光谱辐射计测量水面入射光和反射光,揭示水中成分如何吸收或散射光,从而识别成分。实地工作通常连续四到五天,包括卫星过境当天和时段,以便后续验证模型。巴尔博萨说,所用卫星约上午10时30分过境,他们每天上午10时至下午2时进行一系列测量,以获得接近卫星过境的验证数据。

测量溶解有机物吸收系数时,水样经0.22微米滤孔过滤后放入10厘米石英比色皿,设备一侧发光、另一侧检测透过后光量。马西埃尔举例说,若设备发射100个光子、另一端收到40个,可计算水在各波长吸收的电磁辐射,差值即CDOM吸收系数,再与遥感信息关联;估算有色溶解有机物后,模型与溶解有机碳建立线性关系。

巴尔博萨表示,模型还需完善,之后才会在Mapaqualí平台提供Billings碳监测。该平台也将提供Billings的有色溶解有机物、蓝细菌和浮游植物(通过叶绿素检测)分布图。他说,团队开发了自动化系统持续生成制图,根据所用卫星每两到五天更新图像,但多云天制图受影响。目前平台已有Tietê河梯级六个水库的叶绿素a和藻蓝蛋白分布图。

研究人员现在的想法是将经验扩展为覆盖全巴西的模型,包括沿海和内陆水域。工作将基于马西埃尔在FAPESP支持下、由巴尔博萨指导的博士后期间整理的大型数据库。2025年7月发表在《Scientific Data》的文章中,团队展示了支持遥感水质分析的数据库BRAZA,汇集全国128个以上湖泊、河流、水库和沿海水域的2895次测量信息,有巴西和美国17家机构参与,数据向公众开放。

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类型
科研进展
方向
巴西
分类
宏观市场
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Imagens de satélite ajudam a rastrear manchas de poluição na represa Billings

Frances Jones | Agência FAPESP – Uma metodologia desenvolvida no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) permite usar imagens de satélite para rastrear as manchas de poluição nas águas verdes e turvas da Represa Billings, um dos maiores e mais importantes reservatórios da Região Metropolitana de São Paulo. O modelo de monitoramento mapeia como está distribuído pela represa o carbono orgânico dissolvido (COD) – um indicador de matéria orgânica, esgoto não tratado e algas. Se por um lado a tecnologia ainda não substitui a precisão das coletas locais para apontar os valores exatos de concentração, por outro ela entrega um quadro amplo e contínuo das áreas mais críticas e impactadas pela ação humana. Desenvolvido com apoio da FAPESP, o estudo foi publicado em agosto no International Journal of Remote Sensing . Como explica Cláudio Clemente Faria Barbosa , coordenador do Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos ( LabISA-Inpe ) e coautor do artigo, a presença de uma pequena quantidade de matéria orgânica na água é importante, pois funciona como alimento para as bactérias reciclarem elementos essenciais à vida aquática. “Mas seu excesso provoca a redução do oxigênio na água, o que pode levar à mortandade de peixes quando os níveis de poluição são elevados”, afirma o professor do programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto. Ainda segundo o pesquisador, a quantidade de matéria orgânica e a de carbono dissolvido na água estão intimamente ligadas e, portanto, medir a primeira permite calcular a segunda de forma indireta. Os autores destacam que a poluição no entorno da represa desequilibra o ciclo natural do carbono, pois o excesso de resíduos aumenta a emissão de gases de efeito estufa (como metano e CO2) para a atmosfera. Por transformar o reservatório em uma fonte emissora, esse monitoramento torna-se essencial no atual cenário de mudanças climáticas. Além disso, o aumento das temperaturas e dos ciclones extratropicais produzem ventos que causam a desestratificação da coluna d’água – ou seja, a quebra das camadas naturais que separam as águas mais quentes e ricas em oxigênio, em geral mais próximas à superfície, das mais frias e pobres em oxigênio, do fundo. O desequilíbrio contribui para a rápida disponibilização de nutrientes e a intensa floração de algas. Com o uso de um espectrorradiômetro, o pós-graduando do Inpe Renato Martins mede o quanto a luz do sol penetra e reflete na água do reservatório de Funil ( foto: Claudio Barbosa ) Este foi o segundo trabalho da equipe do LabISA com foco na Billings, represa construída há mais de cem anos e de relevância estratégica para a Região Metropolitana de São Paulo, por sua contribuição para o abastecimento urbano, a produção de energia elétrica e a contenção de enchentes. Em 2023, o grupo publicou outro artigo descrevendo um método para mapear cianobactérias no reservatório, também a partir de imagens de satélite. Encontradas naturalmente em rios e lagos, as cianobactérias possuem um pigmento azulado – a ficocianina (por isso também são conhecidas como algas azuis) – e podem ser neurotóxicas para humanos, peixes e aves quando presentes em grandes quantidades. Em ambos os estudos, foram desenvolvidos algoritmos capazes de estimar a presença dos constituintes da água a partir dos padrões da luz refletida pela represa. A cor registrada por imagens de satélite é convertida em medidas que permitem calcular a concentração de pigmentos e associá-la à qualidade do reservatório em larga escala. O carbono, em especial, foi calculado a partir da estimativa da matéria orgânica dissolvida colorida (CDOM), de coloração cinza-escura (cor de chá), que é a parte da matéria orgânica que absorve radiação eletromagnética e pode ser medida por imagens de satélite. “Há outra parte da matéria orgânica que passa pelo que chamamos de branqueamento [perda de cor pela ação do sol] e não interage mais com a luz, então não dá para estimar diretamente por sensoriamento remoto”, explica o engenheiro ambiental e sanitarista Daniel Andrade Maciel , pesquisador do Inpe e autor correspondente do artigo mais recente. “Mas podemos calcular essa proporção.” O monitoramento por meio de imagens de satélite supera as dificuldades e os custos de realizar coletas manuais frequentes em áreas muito extensas. De acordo com os pesquisadores, a Billings é um exemplo de reservatório eutrofizado, ou seja, que apresenta alta concentração de nutrientes na água – por causa do despejo direto de esgotos, da presença de elementos de fertilizantes químicos, da decomposição de algas, folhas, galhos e material orgânico provenientes da Serra do Mar. Com isso, ela representa um bom estudo de caso, replicável em outros ambientes aquáticos eutrofizados do Brasil e de outros países tropicais. Embora essas medições já sejam realizadas em outros países, principalmente do Hemisfério Norte, havia o desafio de se mapear o carbono por meio do CDOM em um reservatório tropical e eutrofizado. “Quando há alta concentração de nutrientes e luz solar, ocorre um crescimento excessivo de algas. É mais complicado estimar o carbono, principalmente em condições de floração, porque as algas absorvem o mesmo tipo de luz [na mesma região espectral ou comprimento de onda] da matéria orgânica dissolvida colorida, dificultando as estimativas”, diz Maciel. Há uma sequência de etapas similares no desenvolvimento de um modelo como esse, seja para monitorar carbono, cianobactéria ou floração de algas (medida por meio da clorofila), explicam os pesquisadores. Primeiro, é necessário ir a campo coletar e registrar os dados in situ . Uma vez no local, mede-se em pontos determinados e com equipamentos específicos (chamados espectro-radiômetros) a luz solar que incide sobre a superfície da água (irradiância) e a que é refletida de volta (radiância) – o quanto retorna para o sensor a bordo do satélite. As informações revelam como os componentes da água absorvem ou espalham a luz e, assim, eles são identificados. O trabalho de campo em geral ocorre ao longo de quatro ou cinco dias seguidos, incluindo o dia e o horário em que o satélite estiver passando sobre o local, a 700 quilômetros de altitude, para a validação posterior do modelo. “Os satélites que usamos passam por volta das 10h30 da manhã. Fazemos sempre uma série de medidas entre as 10h da manhã e as 2h da tarde, em todos os dias de campo. Com isso, temos medidas para validações bem próximas da passagem do satélite”, conta Barbosa. Para medir o coeficiente de absorção da matéria orgânica dissolvida, a amostra da água é colocada em uma caixinha transparente (cubeta de quartzo) de 10 centímetros após passar por um filtro com poros de 0,22 micrômetros. O equipamento emite um feixe de luz de um lado da cubeta e verifica quanto saiu do outro lado, depois de atravessar pela amostra de água que contém a matéria orgânica dissolvida. “Quando o equipamento emite, por exemplo, 100 fótons e chegam à outra ponta da cubeta 40 fótons, posso calcular o quanto aquela água absorveu de radiação eletromagnética em vários comprimentos de onda”, conta Maciel. “A diferença é o que chamamos de coeficiente de absorção do CDOM. É esse valor que conseguimos relacionar depois com as informações do sensoriamento remoto. Após estimar a matéria orgânica dissolvida colorida, o modelo faz uma relação linear com o carbono orgânico dissolvido.” Barbosa diz que o modelo ainda deverá ser refinado antes de o monitoramento de carbono da Billings ser disponibilizado na plataforma Mapaquali , um projeto que também contou com apoio da FAPESP. No portal , serão disponibilizados os mapas da Billings, apontando locais com maior ou menor presença de matéria orgânica dissolvida colorida, de cianobactérias e de fitoplânctons (detectados a partir da clorofila). “Desenvolvemos um sistema automatizado que gera o mapeamento o tempo todo e atualiza a imagem a cada dois ou cinco dias, dependendo do satélite utilizado”, diz Barbosa. Em dias muito nublados, o mapeamento fica comprometido. Atualmente, já há no portal mapas de clorofila-a (pigmento que indica a presença de algas) e ficocianina (pigmento que indica a presença de cianobactérias) de seis reservatórios ao longo da cascata do rio Tietê, que é como os cientistas chamam o sistema de represas de hidrelétricas interligadas naquele curso d’água. A ideia dos pesquisadores agora é expandir a experiência para um modelo que abranja todo o Brasil, incluindo as águas costeiras e continentais. O trabalho partirá das informações reunidas em um grande banco de dados organizado por Maciel durante seu pós-doutorado, realizado com apoio da FAPESP sob a supervisão de Barbosa. Em artigo publicado na revista Scientific Data em julho de 2025, o grupo apresenta a base de dados que viabiliza essa análise da qualidade da água por sensoriamento remoto. Chamada de BRAZA, ela reúne informações sobre 2.895 medições em mais de 128 lagos, rios, reservatórios e águas costeiras em todas as regiões do país. O esforço contou com a colaboração de 17 instituições do Brasil e dos Estados Unidos. Os dados – abertos a toda a comunidade – estão disponíveis para o público . O artigo A new remote sensing-based algorithm for estimating dissolved organic carbon in an urban eutrophic reservoir pode ser acessado em: tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01431161.2026.2715139 .

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