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研究:在巴西塞阿拉生产绿色钢铁比出口氢气到欧洲更划算

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Produzir aço ‘verde’ no Brasil compensa mais do que exportar hidrogênio para fabricá-lo na Europa

埃因霍温理工大学博士后研究比较巴西与欧洲绿色钢铁供应链两种模式,认为在塞阿拉州本地加工绿色钢铁在环境和社会经济上远优于出口氢气到欧洲。

埃因霍温理工大学博士后研究员克拉拉·拉贝洛·卡亚法·佩雷拉(Clara Rabelo Caiafa Pereira)的研究显示,在巴西塞阿拉州用更可持续的氢气直接生产并出口“绿色钢铁”,比把粗制氢气出口到欧洲再用于炼钢,在环境和社会经济上效率高得多。研究成果上周在莱顿举行的FAPESP Week Países Baixos活动上报告。

研究比较了两条路线的经济模式:在塞阿拉州加工金属可使产品全生命周期温室气体排放减少25%,降低欧洲工业的运营成本,并避免氢气转化、液化和长距离海运环节的严重能源损失。佩雷拉表示,在塞阿拉加工“绿色钢铁”能增强气候行动与本地包容性发展之间的协同。

她指出,绿色钢铁业比单独运营氢气工厂劳动密集得多,可在巴西东北部创造更高技能的就业岗位,有助于缓解外界对能源转型可能在发展中国家复制旧有采掘模式的担忧。

该分析回应了荷兰气候科学委员会2026年1月发布的“选择或失去”意见所引发的讨论。该意见提醒荷兰政府,不可能把所有能源密集型产业都留在其排放中和的国土内。佩雷拉指出,荷兰面临人口密度高、劳动力短缺和电网拥堵等严重空间瓶颈;若仅用氢气为荷兰钢铁生产脱碳,需消耗该国2024年全部发电量的约20%,将无法满足其他经济部门需求。

佩雷拉还提醒,职业培训计划需与项目实际落地节奏对齐。她提到塞阿拉的早期经验:在有效需求尚未落实前,已有数千人接受了“绿色氢”产业链培训。她认为,地方规划应组织持续的再培训项目,使劳动力供给与实际岗位创造相匹配。

荷兰应用科学研究组织(TNO)业务开发人员爱德华多·达罗萨·席尔瓦(Eduardo da Rosa Silva)表示,巴西与荷兰之间的短期优先机会在工业走廊中连续衔接。相关战略包括:在巴西生产“绿色”生铁中间品(用可持续木炭还原铁矿石得到的初级合金)供应欧洲钢铁业;通过烘焙(提高有机物能量密度的热处理)和压球(压成小颗粒)来动员和增密第二代生物质残余物;加强化学研发合作;以及荷兰生物质气化技术的许可。

席尔瓦评价说,巴西和荷兰从互为镜像的经济结构出发面临共同的能源转型挑战:巴西提供低成本可再生电力、大规模农业和林业生物质(如甘蔗渣和桉树)以及坚实的学术能力,荷兰则拥有愿意为“绿色”属性付费的消费需求、资金能力以及物流和系统集成方面的优势。

作为可立即行动的锚定项目,席尔瓦提出在巴西应用气化技术,将甘蔗和桉树残余物转化为负碳生物甲烷,利用《未来燃料法》的规定和生物甲烷原产地保证证书(CGOB)的签发。该数字证书追踪并证明巴西生产和销售生物甲烷的环境属性,以及RenovaBio计划的脱碳信用(CBIOs)。

尽管技术方案成熟,发言者强调,这些投资落地的核心障碍在于资金吸引力程度和项目高昂的初始成本。为吸引私人资金,席尔瓦主张在工厂建设前签订长期采购合同,确保收入可预测性。

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行业趋势
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巴西
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宏观市场
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行业趋势贸易投资
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Produzir aço ‘verde’ no Brasil compensa mais do que exportar hidrogênio para fabricá-lo na Europa

Elton Alisson, de Leiden (Países Baixos) | Agência FAPESP – No início desta década, os Países Baixos viram na importação de hidrogênio “verde” de países como o Brasil uma das principais vias para descarbonizar sua indústria siderúrgica. A estratégia levou à formalização de um acordo, em 2023, para a criação de um corredor comercial entre o Ceará e a Europa, via Porto de Pecém e Porto de Roterdã. O acordo previa duas opções de cooperação: a exportação de hidrogênio bruto para abastecer a siderurgia europeia ou a fabricação e o envio do aço "verde", produzido com hidrogênio mais sustentável, diretamente do Brasil. Um estudo conduzido por Clara Rabelo Caiafa Pereira, pós-doutoranda no Grupo de Pesquisa em Inovação e Sociedade Tecnológica da Universidade de Tecnologia de Eindhoven (TU Eindhoven), aponta que a segunda opção é ambiental e socioeconomicamente muito mais eficiente. Os resultados foram apresentados durante palestra ministrada na semana passada na FAPESP Week Países Baixos , em Leiden. Ao comparar os modelos econômicos das duas rotas, a pesquisadora demonstrou que processar o metal no Ceará reduz em 25% as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do produto, diminui custos operacionais para a indústria europeia e evita as pesadas perdas energéticas associadas às etapas de conversão, liquefação e transporte marítimo de longa distância de hidrogênio. “Processar o aço 'verde' no Ceará aumenta as sinergias entre ação climática e desenvolvimento inclusivo local”, afirmou Pereira. Por ser uma atividade consideravelmente mais intensiva em mão de obra do que a operação isolada de plantas de hidrogênio, a siderurgia "verde" gera empregos de maior qualificação no Nordeste. Segundo a pesquisadora, a medida ajuda a mitigar receios de que a transição energética venha a reproduzir velhos padrões extrativistas nos países em desenvolvimento. O desenvolvedor de negócios da Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica Aplicada (TNO), Eduardo da Rosa Silva ( foto: Elton Alisson/Agência FAPESP ) A análise da economista insere-se no debate desencadeado pelo parecer “Escolher ou perder” , publicado em janeiro de 2026 pelo Conselho Científico do Clima neerlandês, que alertou o governo dos Países Baixos sobre a impossibilidade de manter todas as indústrias intensivas em energia dentro de seu território neutro em emissões. O país enfrenta severos gargalos territoriais devido à alta densidade populacional, escassez de trabalhadores e congestionamento na rede elétrica. Conforme observou Pereira, descarbonizar a produção siderúrgica neerlandesa utilizando apenas hidrogênio exigiria cerca de 20% de toda a eletricidade gerada no país em 2024, inviabilizando o atendimento a outros setores da economia. Em suas pesquisas de pós-doutorado, a especialista expandiu as simulações para a indústria química, o comércio de intermediários – como o ferro de baixo carbono (liga metálica pré-processada com baixas emissões) – e a dinâmica dos mercados de trabalho regionais. Pereira fez uma ressalva quanto à necessidade de alinhar programas de qualificação profissional ao ritmo real de implantação dos empreendimentos. Ela lembrou a experiência inicial no Ceará, onde milhares de pessoas foram capacitadas para a cadeia do hidrogênio “verde” antes que a demanda efetiva se concretizasse. “O planejamento subnacional deve organizar programas contínuos de requalificação para equilibrar a oferta de trabalhadores com a criação real de vagas”, ponderou. O desenvolvedor de negócios da Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica Aplicada (TNO), Eduardo da Rosa Silva, explicou que as oportunidades prioritárias de curto prazo entre o Brasil e os Países Baixos se conectam de forma contínua no corredor industrial. A estratégia envolve a fabricação de intermediários de ferro-gusa “verde” (liga inicial obtida pela redução do minério de ferro com carvão vegetal sustentável) no Brasil para abastecer a siderurgia europeia, a mobilização e o adensamento de resíduos de biomassa de segunda geração por torrefação (tratamento térmico que aumenta a densidade energética da matéria orgânica) e pelotização (compactação em pequenos grânulos), o fortalecimento da cooperação em pesquisa e desenvolvimento (P&D) químico e o licenciamento de tecnologias neerlandesas de gaseificação de biomassa. “O Brasil e os Países Baixos enfrentam desafios comuns de transição energética a partir de estruturas econômicas que funcionam como um espelho. O Brasil oferece eletricidade renovável a baixo custo, vasta escala de biomassa agrícola e florestal – como bagaço de cana e eucalipto – e sólida capacidade acadêmica, enquanto os Países Baixos dispõem de demanda consumidora disposta a pagar pelo atributo ‘verde’, capacidade financeira e excelência em logística e integração de sistemas”, avaliou Silva. Como projeto-âncora de ação imediata, o executivo apontou a aplicação da tecnologia de gaseificação para converter resíduos de cana-de-açúcar e eucalipto em biometano de carbono negativo (gás renovável cujo processo de produção retira mais carbono da atmosfera do que emite) no Brasil, aproveitando os mandatos da Lei do Combustível do Futuro e a emissão de Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). Essa certidão digital rastreia e comprova os atributos ambientais do biometano produzido e comercializado no Brasil e os créditos de decarbonização do programa RenovaBio (CBIOs). Apesar da maturidade das soluções tecnológicas, os palestrantes ressaltaram que o obstáculo central para a consolidação desses investimentos reside no grau de atratividade de recursos e no elevado custo inicial dos empreendimentos. Para viabilizar a atração de recursos privados, Silva defendeu a formalização de contratos de compra de longo prazo, garantindo previsibilidade de receita antes da construção das fábricas. Mais informações sobre a FAPESP Week Países Baixos em: fapesp.br/week/2026/netherlands .

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