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巴西学者警告:再造林只盯碳汇或致植物多样性受损

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Foco exclusivo em captura de carbono ameaça diversidade de plantas em projetos de reflorestamento

巴西学者在荷兰莱顿举行的FAPESP Week活动上警告,将再造林目标仅限定为碳储存可能损害生物多样性,并援引大西洋森林恢复项目仅使用不足8%树种的研究。

巴西圣卡洛斯联邦大学(UFSCar)环境科学系教授、林业与森林研究实验室(Laspef)研究员里卡多·奥古斯托·戈尔内·维亚尼(Ricardo Augusto Gorne Viani)上周在荷兰莱顿大学举行的FAPESP Week Países Baixos活动上警告,将再造林政策和项目的目标仅限定为碳储存,可能损害生物多样性保护,并影响水文调节和农业授粉。

维亚尼表示,森林恢复不能被视为“神奇解决方案”,也不能替代工业和能源部门快速、大幅削减温室气体排放。他说,种植本土树木恢复森林时需要考虑一系列预期效益,“如果只优先考虑碳储存,就可能与生物多样性保护产生直接冲突”。

巴西承诺到2030年恢复1200万公顷原生植被,面积相当于荷兰国土的三倍。维亚尼认为,这一目标的规模要求以科学为依据,避免再造林形成生态贫瘠的森林。

在树种选择上,他展示的数据显示,同一天、同样土壤条件下种植的本土树种表现差异巨大:两年后,一棵粉红雪松(Cedrela fissilis)仍矮小,而一棵野烟草(Solanum granulosoleprosum)已超过两米并开花结果。

其团队基于非政府组织SOS Mata Atlântica的记录,分析了大西洋森林分布区1000多个恢复种植项目。研究显示,该生物群落现有4000多种树木,而这些项目仅使用423种,不足树木多样性的8%;且所选物种在整个生物群落范围内几乎相同,与周边原生林相比,恢复种植在物种组成上彼此更为相似,形成生态学上的生物均质化。

维亚尼指出,这种选择偏向生长快、种子易采集和苗圃易生产的先锋物种,虽有利于郁闭林冠和抑制入侵草本,但低估了生长缓慢的物种、濒危植物以及果实能吸引种子传播动物的树木。

他主张恢复规划应详细诊断景观:在原生林覆盖良好的景观中,种植少量速生树种可能是高效低成本策略,自然界会补足多样性;但在破碎化景观中,必须主动引入更多样的本土物种,包括自然扩散能力低的物种。

类似问题也见于塞拉多(Cerrado)。UFSCar团队分析该生物群落恢复的111项研究,其中39项比较了恢复区与保存完好的生态系统,数据显示碳和生物量虽接近原始植被,但本土植物多样性仍显著低于参照区。111项研究中仅13项同时评估了生物量与碳参数及植物多样性。维亚尼说,绝大多数研究只测碳或只测生物多样性,数据证明恢复塞拉多碳储量并不保证本土植物物种回归,项目需综合监测两项指标。

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Foco exclusivo em captura de carbono ameaça diversidade de plantas em projetos de reflorestamento

Elton Alisson, de Leiden (Países Baixos) | Agência FAPESP – A restauração de florestas tropicais consolidou-se como uma das mais promissoras soluções baseadas na natureza para conter a crise climática. No entanto, limitar o objetivo das políticas e dos projetos de reflorestamento apenas ao armazenamento de carbono pode comprometer a conservação da biodiversidade e ter impactos na regulação hídrica e na polinização agrícola. O alerta foi feito por Ricardo Augusto Gorne Viani , professor do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pesquisador do Laboratório de Silvicultura e Pesquisas Florestais (Laspef), durante a FAPESP Week Países Baixos , evento realizado na semana passada na Universidade de Leiden. Segundo o pesquisador, embora a restauração florestal tenha ganhado forte impulso, a prática não pode ser encarada como uma “solução mágica” nem substituir o corte rápido e drástico das emissões de gases de efeito estufa pela indústria e pelo setor de energia. “Restaurar florestas é uma importante medida de mitigação porque as árvores removem dióxido de carbono da atmosfera à medida que crescem. No entanto, quando fazemos o plantio de árvores nativas para restauração, precisamos considerar o conjunto de benefícios esperados. Se priorizarmos unicamente o [armazenamento de] carbono, podemos criar conflitos diretos com a conservação da biodiversidade”, afirmou Viani. O Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 – uma extensão equivalente a três vezes a área total dos Países Baixos. Para o pesquisador, a magnitude dessa meta exige embasamento científico para evitar que os reflorestamentos resultem em florestas ecologicamente empobrecidas. Ricardo Augusto Gorne Viani, da UFSCar, em sua apresentação na Universidade de Leiden, Países Baixos ( foto: Elton Alisson/Agência FAPESP ) Um dos pontos centrais abordados por Viani diz respeito à seleção de espécies arbóreas nos projetos de restauração. Para ilustrar como a escolha da planta altera radicalmente o resultado de campo, o pesquisador apresentou dados visuais de espécies nativas plantadas no mesmo dia e sob as mesmas condições de solo: enquanto um espécime de cedro-rosa ( Cedrela fissilis ) apresentava porte reduzido após dois anos, uma muda de fumo-bravo ( Solanum granulosoleprosum ) já ultrapassava dois metros de altura, florescendo e frutificando no mesmo período. “Há uma enorme variação no desempenho e na velocidade de crescimento entre as espécies nativas. Essa dinâmica afeta diretamente o custo da restauração, o tempo de sombreamento do solo e a capacidade de retenção de carbono”, explicou Viani. Contudo, a busca por resultados rápidos e de baixo custo tem gerado uma distorção preocupante. O pesquisador apresentou os resultados de um amplo levantamento conduzido em seu laboratório na UFSCar, fruto do doutorado de Crislaine de Almeida , que analisou mais de mil plantios de restauração distribuídos pela Mata Atlântica a partir de registros da ONG SOS Mata Atlântica. O estudo revelou que os projetos utilizam um conjunto extremamente reduzido da flora nativa. Das mais de 4 mil espécies de árvores existentes na Mata Atlântica, os reflorestamentos avaliados empregaram apenas 423 espécies – ou seja, menos de 8% da diversidade arbórea do bioma. Mais do que o baixo número absoluto, a pesquisa identificou uma padronização geográfica: as espécies selecionadas para o plantio são praticamente as mesmas em toda a extensão do bioma, independentemente das particularidades regionais. “Constatamos que os plantios de restauração na Mata Atlântica são muito mais semelhantes entre si, do ponto de vista da composição de espécies, do que em relação às florestas nativas remanescentes que estão ao seu redor. Isso promove um processo conhecido na ecologia como homogeneização biótica, em que a flora regional é padronizada pelo uso repetitivo de um pequeno grupo de plantas”, disse Viani à Agência FAPESP . Essa seleção privilegia espécies de crescimento acelerado (pioneiras) e de sementes fáceis de coletar e produzir em viveiros. Embora estas sejam benéficas para fechar o dossel e combater gramíneas invasoras, essa abordagem sub-representa espécies de crescimento lento, plantas ameaçadas de extinção e árvores cujos frutos atraem a fauna dispersora de sementes, ponderou Viani. A gravidade da homogeneização biótica depende da paisagem em que a área restaurada está inserida. Se houver fragmentos florestais nativos preservados na vizinhança, sementes trazidas pelo vento e pelos animais podem colonizar o sub-bosque do plantio, enriquecendo a floresta ao longo do tempo. No entanto, em paisagens agrícolas altamente degradadas e isoladas, as espécies não plantadas jamais conseguirão chegar espontaneamente. Para conciliar viabilidade econômica e integridade ecológica, Viani defende que o planejamento da restauração adote um diagnóstico detalhado da paisagem. “Não defendemos que seja necessário plantar centenas de espécies em absolutamente todos os locais. Em paisagens com boa cobertura de floresta nativa remanescente, plantar poucas espécies de crescimento rápido pode ser uma estratégia eficiente e barata, pois a natureza completará a diversidade. O problema ocorre quando essa lógica é estendida para paisagens fragmentadas. Nesses locais, é indispensável introduzir ativamente uma maior diversidade de espécies nativas, incluindo aquelas com baixo potencial de dispersão natural”, avaliou. Esse descompasso entre o acúmulo de biomassa e o retorno da biodiversidade também foi documentado no Cerrado. Ao analisar 111 estudos sobre a restauração do bioma, o grupo da UFSCar identificou 39 trabalhos que comparavam áreas recuperadas com ecossistemas preservados. Os dados mostraram que, embora o carbono e a biomassa voltem a patamares muito próximos aos da vegetação original, a diversidade de plantas nativas continua significativamente inferior à encontrada nas áreas de referência. A revisão também expôs um gargalo na produção científica: dos 111 estudos analisados no Cerrado, apenas 13 avaliaram simultaneamente parâmetros de biomassa e carbono e de diversidade vegetal. “A ampla maioria dos trabalhos científicos mede ou o carbono ou a biodiversidade. Os dados comprovam que recuperar estoques de carbono no Cerrado não garante o retorno das espécies de plantas nativas, reforçando que os projetos precisam monitorar ambos os indicadores de forma integrada”, pontuou Viani. Mais informações sobre a FAPESP Week Países Baixos em: fapesp.br/week/2026/netherlands .

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