IA, armazenamento, minerais: quais serão as tendências de energia até 2050?
Energia solar | Foto: Canva
Quais são as principais tendências de energia para os próximos 25 anos, e onde o Brasil tem seu papel a cumprir? Essas são as perguntas que o relatório 10 Energy Megatrends 2026, produzido pelo Energy Summit e pela MIT Technology Review Brasil , com apoio da Deloitte , tenta responder, a partir de uma triagem de mais de 60 macrotendências tecnológicas e regulatórias.
As duas com horizonte imediato, de 2026 a 2028, são as que já estão na mesa de quem decide: a relação de mão dupla entre inteligência artificial e energia, e os sistemas de armazenamento e flexibilidade.
A primeira é a que tem número. O consumo elétrico de data centers deve superar 950 TWh em 2030, segundo projeção da Agência Internacional de Energia citada no estudo. Isso coloca a oferta de energia como fator determinante para a expansão da economia digital e, do outro lado, transforma a própria IA em ferramenta para prever geração renovável e operar o sistema elétrico.
Para o Brasil, o relatório aponta a matriz renovável e a transmissão como vantagens competitivas, com uma ressalva importante. Essa vantagem só tem a chance de se concretizar com a intensificação de investimentos e de maior agilidade nas conexões à rede.
“A demanda por energia vai crescer junto com a inteligência artificial, a eletrificação, a digitalização e a reindustrialização. Isso exige adicionar soluções, combinar tecnologias e construir um sistema muito mais flexível, integrado e resiliente”, diz Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit .
O que vem depois
Depois das duas primeiras tendências, os prazos se alongam rápido. Minerais críticos e valor industrial aparecem entre 2027 e 2032. Robótica e IA física em óleo e gás, biorrefinarias e combustíveis renováveis, bioeconomia florestal e infraestrutura para mobilidade elétrica se concentram são as previsões seguintes, que devem ganhar força a partir de 2030.
Depois vem a parte longa. Hidrogênio verde marítimo e combustíveis sintéticos ficam entre 2030 e 2038. Fusão nuclear, entre 2035 e 2045. E geração de energia no espaço, como solar em órbita e microrreatores orbitais, que o próprio relatório classifica como experimentais, devem se tornar tendências entre 2038 e 2050.
E o Brasil?
O estudo também mediu as condições brasileiras para entrar em cada uma dessas cadeias. Do lado dos ativos, lista a matriz elétrica com mais de 85% de participação renovável, a disponibilidade de biomassa, as reservas minerais estratégicas, a experiência tecnológica em águas ultraprofundas e a infraestrutura portuária.
O caso dos minerais críticos é o mais explícito sobre o que falta. Lítio, terras raras, nióbio e níquel ganham peso nas cadeias de baterias e motores elétricos, mas o relatório afirma que a oportunidade brasileira não está na extração, mas sim em avançar para o processamento, o refino e a fabricação de produtos de maior valor agregado. É o mesmo gargalo histórico, com outro minério.
“O Brasil aparece nessas tendências não por uma única vantagem, mas pela combinação de várias delas”, afirma Hudson Mendonça. “O ponto central agora é transformar potencial em execução.”