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研究:巴西375家上市公司中僵尸企业呈结构性特征

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O risco de uma empresa começa muito antes da inadimplência

圣保罗经济学院一项硕士论文分析2010至2024年375家B3上市公司数据,认为巴西僵尸企业问题具有结构性,且违约前存在可追踪的财务脆弱信号。

圣保罗经济学院基金会(EESP-FGV)经济学家Caio Szumanski的硕士论文《巴西僵尸企业:财务脆弱性、行业传染、新冠疫情与司法重整》分析了2010至2024年间在B3上市的375家公司的季度数据,结论认为所谓“僵尸企业”——持续处于财务脆弱状态、盈利能力低且高度依赖信贷但仍继续运营的公司——在巴西具有结构性而非周期性特征。

该研究采用的方法之一是:过去八个季度利息覆盖率平均值低于1,即营业利润持续无法覆盖财务费用,以此识别僵尸企业。研究还发现这些企业的发生率与正式司法重整申请之间存在差异,并旨在调查进入司法重整前是否存在财务脆弱的前兆信号。

文章作者、Celero首席营收官兼联合创始人João Betenheuzer指出,企业很少一夜之间陷入财务困境,在严重逾期、深度债务重组或申请司法重整之前,通常有一段运营开始承压的时期:现金流吃紧、债务占比上升,新信贷额度可能更多用于维持旧承诺而非支持增长。

研究还发现,在被归类为僵尸企业的公司中,短期信贷使用增加8.1%,长期信贷减少10.7%,文章将这一变化与更高的流动性冲击脆弱性联系起来。

文章认为,违约是重要指标但反映的是已经发生的事:巴西央行将至少有一期逾期超过90天的操作认定为违约,对于需要当下决定是否放贷或给多少额度的机构而言,等待这一阶段意味着依赖相对滞后的信号。作者分析,两家企业当前财务指标可能相似但风险迥异,一家可能在困难期后重建现金,另一家可能逐月消耗储备——照片相似,轨迹不同。因此风险分析不应只问企业今天怎样,资金进出、收入持续性、已承担义务、信贷使用和现金行为有助于判断其走向。对中小企业而言,这一解读尤为重要,因其财务报表或公开历史较少,但自身资金流动每天产生经营信息。

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O risco de uma empresa começa muito antes da inadimplência

Entre uma empresa saudável e uma inadimplente existe uma zona intermediária em que mudanças no comportamento financeiro podem começar a aparecer | Foto: Canva *Por João Betenheuzer, CRO e Co-Founder da Celero Empresas raramente entram em dificuldades financeiras de um dia para o outro. Antes de um atraso relevante, de uma renegociação mais profunda ou de um pedido de recuperação judicial, normalmente existe um período em que a operação começa a dar sinais de pressão. O caixa perde fôlego, a dívida ocupa mais espaço e novas linhas de crédito podem começar a servir mais para sustentar compromissos anteriores do que para financiar crescimento. Uma pesquisa desenvolvida pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV) ajuda a dimensionar essa questão. Na tese de mestrado “Zombie firms no Brasil: fragilidade financeira, contágio setorial, pandemia de covid-19 e recuperação judicial”, do economista Caio Szumanski, foram analisados dados trimestrais de 375 companhias listadas na B3 entre 2010 e 2024. O estudo concluiu que a presença das chamadas “zombie firms” — empresas que seguem em operação apesar de uma situação persistente de fragilidade financeira, com baixa capacidade de geração de resultado e elevada dependência de crédito —, tem caráter estrutural, e não apenas cíclico, no Brasil. A metodologia utilizada reforça a importância de olhar a trajetória. Entre os critérios utilizados para identificar essas empresas está uma média do Índice de Cobertura de Juros inferior a 1 durante os últimos oito trimestres, indicando incapacidade persistente de o lucro operacional cobrir as despesas financeiras. O estudo também encontrou uma discrepância entre a incidência dessas empresas e os pedidos formais de recuperação judicial e foi estruturado para investigar a existência de sinais antecedentes de fragilidade financeira antes do ingresso nesse regime. Isso importa especialmente para o mercado de crédito: a inadimplência é um indicador importante, mas registra algo que já aconteceu. O Banco Central considera inadimplentes as operações com pelo menos uma parcela em atraso superior a 90 dias. Para uma instituição que precisa decidir hoje se concede crédito ou qual limite oferece, esperar esse estágio significa trabalhar com um sinal relativamente tardio. Entre uma empresa saudável e uma inadimplente existe uma zona intermediária em que mudanças no comportamento financeiro podem começar a aparecer. A própria pesquisa encontrou, entre as empresas classificadas como zumbis, aumento de 8,1% no uso de crédito de curto prazo e redução de 10,7% no de longo prazo, movimento associado à maior vulnerabilidade a choques de liquidez. Nenhum movimento isolado determina que uma empresa terá problemas. O que importa é como diferentes sinais evoluem e se relacionam ao longo do tempo. É aí que existe uma diferença importante entre olhar uma fotografia e acompanhar uma trajetória. Duas empresas podem apresentar hoje indicadores financeiros semelhantes e carregar riscos bastante diferentes. Uma pode estar reconstruindo caixa depois de um período difícil; outra pode estar consumindo reservas mês após mês. A fotografia é parecida. A trajetória não. Para o crédito, ignorar essa diferença aumenta o risco de errar nos dois sentidos: financiar uma empresa em deterioração ou negar recursos a uma companhia saudável que atravessa apenas uma pressão temporária. Por isso, a análise de risco não deveria se limitar à pergunta sobre como uma empresa está hoje. Fluxo de entradas e saídas, recorrência de receitas, compromissos assumidos, uso de crédito e comportamento de caixa ajudam a mostrar em qual direção ela está caminhando. Para pequenas e médias empresas, essa leitura ganha ainda mais importância. Muitas não possuem o mesmo volume de demonstrações financeiras ou histórico público disponíveis. Em compensação, sua própria movimentação financeira produz diariamente informações sobre o funcionamento do negócio. No crédito PJ, entender para onde uma empresa está caminhando pode ser tão importante quanto saber onde ela está hoje.

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