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巴西卫生部长谈罕见病政策:优先“及时诊断加数据”而非药物清单

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Q+Alexandre Padilha – Prioridade para doenças raras é “diagnóstico oportuno com dados”

巴西卫生部长帕迪利亚在专访中为2014年罕见病国家政策以“组织护理”而非“药物清单”为核心的设计辩护,承认经济评估方法对罕见病有局限,并将“及时诊断加数据”列为下一阶段优先事项。

巴西卫生部长亚历山大·帕迪利亚(Alexandre Padilha)在接受《MIT Technology Review Brasil》独家专访时表示,巴西罕见病政策的优先事项是“及时诊断加数据”,并为2014年《罕见病患者全面关怀国家政策》选择以组织护理而非制定药物清单为核心的设计作出辩护。他同时承认,传统经济评估方法对罕见病存在结构性局限。

帕迪利亚在2011年任卫生部长期间推动创建了国家技术纳入委员会(Conitec),2014年发布上述罕见病政策;十二年后他重返部长职位,继续面对政策落实情况的质询。

据他介绍,政策采用国际通行的患病率标准:每10万居民中影响不超过65人的疾病属于罕见病。工作组没有制定封闭式疾病清单,而是按护理轴分组:先天性异常、智力障碍和先天性代谢错误(约80%的罕见病由遗传因素导致),以及非遗传性罕见病。

在技术层面,他表示核心挑战是在缺乏全国流行病学数据、遗传科医生和实验室不足、且巴西统一医疗系统(SUS)收费表中没有诊断检查和遗传咨询项目的情况下组织护理。工作组的应对是:不逐病制定规范,而是按护理轴归类;由专家列出每个轴的关键检查,提交Conitec评估。

他强调,政策刻意避免成为一份药物清单,而是聚焦诊断、授权服务与专项经费,药物纳入则走Conitec程序。目前已有327项罕见病治疗被纳入。

帕迪利亚承认,Conitec的传统经济评估方法是为大规模人群和强证据设计的,而罕见病研究样本小、不确定性大。为此,委员会为罕见病明确了更灵活的阈值,卫生部也开始采用风险分担协议——脊髓性肌萎缩症(AME)药物Zolgensma®即通过此类协议完成首批输注,付款与临床结果挂钩。

他列举的进展包括:新生儿筛查覆盖87%的新生儿;SUS开始提供全外显子组测序;罕见病参考服务从2022年的22家增至目前的50家,另有10家基因治疗服务点。但他也承认,全国约有400名医学遗传科医生,数量不足且集中在大城市和大学医院。

在研发方面,他表示卫生部近三年在巴西临床研究上投入超过14亿雷亚尔,其中“巴西基因组项目”已为35项罕见病研究投入1.896亿雷亚尔;还为囊性纤维化新疗法投入超过10亿雷亚尔,为多发性硬化症药物克拉屈滨投入8600万雷亚尔。

对于国会正在审议的将罕见病政策上升为法律的提案,帕迪利亚表示卫生部一直在跟踪并提供技术意见,但强调卫生创新是动态的,卫生政策需要跟上节奏。他说,行政部门的议程包括监测与建立国家登记系统、规模化基因组诊断、兼顾地区公平的新生儿筛查、按疾病组(如神经肌肉疾病)划分的护理线、专业人员培训以及先进疗法的治理。

在平衡创新疗法高成本与SUS可持续性方面,他表示没有单一解决方案,SUS已在使用风险分担协议、附条件纳入并基于真实世界数据再评估、集中采购与价格谈判、将复杂疗法集中于授权中心等工具。他最后强调,SUS的治疗不仅是药物可及,还包括多学科专科护理以及手术、矫形器、假肢、移植等资源。

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信息概要

类型
政策法规
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
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话题
政策政治
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Q+Alexandre Padilha – Prioridade para doenças raras é “diagnóstico oportuno com dados”

Download E-mail Enviar Alexandre Padilha ocupava o Ministério da Saúde quando o país criou a Conitec, em 2011, e publicou a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, em 2014. Doze anos depois, voltou à cadeira. Agora, continua diante das cobranças sobre o que a política entregou. Nesta entrevista exclusiva à MIT Technology Review Brasil, o ministro defende a escolha de organizar o cuidado em vez de montar uma lista de medicamentos, admite que os métodos de avaliação econômica têm limites para doenças raras e vê com cautela os projetos que tramitam no Congresso. MIT Technology Review Brasil: Como surgiu a decisão de formular uma política nacional específica para doenças raras na sua primeira gestão? Havia pressão de pacientes, sociedades médicas ou organismos internacionais? Alexandre Padilha: Foi uma decisão construída junto com a sociedade. Em fevereiro de 2012, no Dia das Doenças Raras, participei de um encontro na Câmara dos Deputados organizado por associações de pacientes e familiares, e disse ali que a ação do Ministério teria de se apoiar em três eixos: informação e formação, diagnóstico e tratamento. A partir disso, o Ministério da Saúde montou um grupo de trabalho com gestores, geneticistas e associações. Havia pressão, sim, e legítima: das famílias e das associações, que buscavam o Ministério, o Congresso e o Judiciário, muitas vezes por medicamentos de alto custo. Havia também uma política de genética clínica, de 2009, que precisava se converter em serviços. Acompanhávamos as experiências internacionais, sobretudo os planos europeus, mas ainda não existia uma resolução da OMS sobre o tema, que só viria em 2025. MIT TR: Quais foram os principais desafios técnicos e políticos para estruturar a política publicada em 2014? Alexandre Padilha: O desafio técnico central era organizar o cuidado para milhares de condições diferentes, sem dados epidemiológicos nacionais, com poucos geneticistas e poucos laboratórios, e sem procedimentos na tabela do SUS que remunerassem a investigação diagnóstica e o aconselhamento genético. O grupo de trabalho respondeu com duas escolhas que continuam no centro da política: em vez de normatizar doença por doença, agrupamos as condições por eixos de cuidado; e, como sem diagnóstico não há cuidado, os especialistas listaram os exames essenciais de cada eixo para avaliação da Conitec. Um dos desafios era mudar a expectativa de que a política seria uma lista de medicamentos: optamos por uma política de cuidado, com diagnóstico, serviços habilitados e financiamento próprio, deixando a incorporação de medicamentos no rito da Conitec. Havia também a pactuação federativa sobre quem habilita, quem financia e quem regula o acesso. MIT TR: A criação da Conitec, em 2011, e a formulação da política de doenças raras estavam conectadas desde o início ou convergiram ao longo do caminho? Alexandre Padilha: Foram processos com origens distintas que convergiram cedo. A política organiza o cuidado; a Conitec dá o critério para incorporar tecnologias. A Conitec nasceu em 2011 como resposta geral à necessidade de decidir a incorporação de tecnologias com critério, prazo e transparência, para todo o SUS. A política de doenças raras usou essa estrutura desde o início. Hoje, com a ampliação dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) voltados às doenças raras, que orientam o cuidado integral aos pacientes, existem 327 tratamentos incorporados para tratamento de doenças raras. MIT TR: Que critérios definiram o que entrava ou não no escopo de “doenças raras” para fins de política pública no Brasil? Alexandre Padilha: Adotamos o critério de prevalência usado internacionalmente: é rara a doença que afeta até 65 pessoas em cada 100 mil habitantes. Em vez de uma lista fechada de doenças, que ficaria desatualizada rapidamente, o grupo de trabalho organizou o cuidado por eixos: anomalias congênitas, deficiência intelectual e erros inatos do metabolismo, que refletem o peso da causa genética, presente em cerca de 80% dessas condições, e as doenças de origem não genética. MIT TR: Havia resistência dentro do próprio Ministério ou do SUS quanto à viabilidade orçamentária de atender uma população tão dispersa e heterogênea? Alexandre Padilha: A preocupação com sustentabilidade é legítima e esteve presente. Ela influenciou o desenho: a política financiou equipes e procedimentos de diagnóstico e cuidado, com incentivo de custeio e habilitação de serviços, e não assumiu um compromisso aberto de fornecer qualquer medicamento sem a adequada avaliação das evidências disponíveis. Cada tecnologia passaria pela avaliação da Conitec. Esse desenho tornou a política viável e, ao mesmo tempo, sinalizou que o cuidado às pessoas com doenças raras não era só uma questão de acesso ao medicamento, mas de garantia de integralidade e de equidade. MIT TR: Olhando em retrospecto, o que a política de 2014 acertou e o que o senhor reconhece hoje como limitação daquele desenho? Alexandre Padilha: O principal acerto foi deslocar o foco do medicamento isolado para a linha de cuidado, com diagnóstico, aconselhamento genético e serviços habilitados, e articular a incorporação ao rito da Conitec. O desafio, em um país continental de tantas diferenças como o Brasil, é que a implementação depende do desenho de fluxos do município ou do estado. Enfrentamos esse desafio, e desde 2023 a Rede de Atenção Especializada para Doenças Raras do SUS mais que triplicou o número de serviços de referência. Hoje, existem 60 serviços de referência para oferecer investigação, confirmação do diagnóstico e tratamento para pessoas com doenças raras. MIT TR: Nesses mais de dez anos, quais foram os avanços mais significativos na incorporação de tratamentos e diagnósticos para doenças raras pelo SUS? Alexandre Padilha: Os avanços mais importantes estão no diagnóstico e em tratamentos que mudam a história natural de algumas doenças. O Programa Nacional de Triagem Neonatal foi ampliado, com o teste do pezinho alcançando 87% dos recém-nascidos. Para reforçar o diagnóstico de doenças raras, o SUS passou a ofertar o Sequenciamento Completo do Exoma, exame de alta precisão que identifica alterações genéticas raras de forma mais rápida e segura. O exame visa resolver um dos principais desafios enfrentados pelas famílias, que é o tempo de espera pelo diagnóstico. No ano passado, foram realizadas as primeiras infusões do fármaco Zolgensma® para pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME), viabilizadas por meio do Acordo de Compartilhamento de Risco (ACR) com a empresa fabricante, em que o pagamento está condicionado aos resultados clínicos obtidos pelos pacientes. MIT TR: A Conitec cumpriu a função que se esperava dela para esse grupo de pacientes? Alexandre Padilha: A Conitec cumpriu o papel central de dar previsibilidade, fundamento técnico e transparência às decisões, com consulta pública e prazos. Boa parte das terapias hoje disponíveis para doenças raras passou por ela. Há um limite estrutural, que não é só brasileiro: os métodos tradicionais de avaliação econômica foram feitos para populações grandes e evidência robusta, e as doenças raras têm estudos pequenos e muita incerteza. Por isso a Comissão explicitou limiares mais flexíveis para doenças raras e o Ministério passou a usar acordos de compartilhamento de risco, que foi a estratégia criada para distribuição do medicamento Zolgensma®. MIT TR: Que lacunas identificadas em 2014 ainda persistem, doze anos depois? Alexandre Padilha: Em doze anos, algumas lacunas persistem, mas elas dependem em grande parte da formação de recursos humanos e de organização local de serviços de referência. Hoje, são cerca de 400 geneticistas médicos em todo o Brasil, um número pequeno se comparado às necessidades e, infelizmente, esses profissionais ainda estão concentrados nos grandes centros, muitas vezes ligados a hospitais universitários. Mas avançamos muito na rede. Eram 22 serviços de referência até 2022. Hoje são 50 serviços de referência e 10 de terapia gênica. Outra lacuna é o desenvolvimento de novos tratamentos. Por isso, para ampliar o desenvolvimento de novas tecnologias, inclusive para doenças raras, o Ministério da Saúde investiu mais de R$ 1,4 bilhão em pesquisa clínica no Brasil nos últimos três anos. O Projeto Genomas Brasil, por exemplo, já investiu R$ 189,6 milhões em 35 estudos sobre doenças raras. Também foram investidos mais de R$ 1 bilhão no custeio de novos tratamentos para fibrose cística, como o medicamento Trikafta®, indicado para melhorar a função pulmonar e nutricional dos pacientes, que reduziu em até 84,8% as internações por fibrose cística. Mais R$ 86 milhões foram direcionados para a aquisição e distribuição do medicamento cladribina, para pacientes com esclerose múltipla. MIT TR: O que está em discussão hoje, no Congresso ou no Ministério, que pode representar a próxima geração de política pública para doenças raras? Alexandre Padilha: No Congresso, há projetos que buscam transformar a política em lei, gerando a expectativa de que essa decisão daria mais estabilidade a direitos e responsabilidades. Mas é importante ressaltar que as inovações em saúde são dinâmicas, logo, as políticas de saúde precisam seguir esse compasso. O Ministério tem acompanhado e contribui tecnicamente. No Executivo, a agenda está alinhada às melhores práticas internacionais: vigilância e estruturação de um registro nacional, diagnóstico genômico em escala, triagem neonatal com equidade regional, linhas de cuidado por grupos de doenças, como as neuromusculares, formação de profissionais e governança para terapias avançadas. MIT TR: Como equilibrar o alto custo de terapias inovadoras, como as gênicas, com a sustentabilidade do SUS, sem excluir pacientes do acesso a tratamento? Alexandre Padilha: Não há solução única. O SUS já usa um conjunto de instrumentos: acordos de compartilhamento de risco, em que o pagamento depende do resultado; incorporação condicionada, com reavaliação e dados de vida real; compra centralizada e negociação de preço; e concentração das terapias mais complexas em centros habilitados, como fizemos com a terapia gênica. Mas é importante lembrar que o tratamento no SUS não é só acesso a medicamentos: envolve cuidado multidisciplinar especializado e acesso a outros recursos, como cirurgias, órteses, próteses, transplantes, entre tantas necessidades das pessoas que vivem com doenças raras. MIT TR: Se pudesse recomendar uma prioridade única para os próximos anos nessa área, qual seria? Alexandre Padilha: Diagnóstico oportuno com dados. Sem diagnóstico não há tratamento; sem dados sobre quem foi diagnosticado, em quanto tempo e com que resultado, não conseguimos dimensionar adequadamente a demanda, negociar preço por resultado ou aperfeiçoar a política. Na prática, isso significa garantir oportunidade igual de diagnóstico e cuidados em todas as regiões a partir de serviços de referência em todos os estados, promovendo a produção de dados de mundo real sobre os cuidados e tratamentos da pessoa com doença rara que é atendida no SUS.

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