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巴西最低运费表实施数月,仅8%个体司机认可

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Piso do frete sai pela culatra: caminhoneiro autônomo perde mercado

巴西政府推出的公路货运最低运费政策实施数月后,货运平台Frete.com调查显示仅8%个体司机认可,62%工作量减少,64%收入恶化,货运正向大型车辆和运输公司转移。

巴西政府今年3月以临时措施推出、7月获国会通过的公路货运最低运费政策,实施数月后效果与预期相反。货运平台Frete.com对700多名个体卡车司机的调查显示,仅8%的受访者认可现行最低运费表,62%表示工作量减少,64%表示收入恶化。

Frete.com创始人兼CEO费德里科·维加对Brazil Journal表示,平台在数百万笔交易数据中发现,公路货运总量并未下降,而是向大型车辆转移,这些车辆通常由运输公司运营。由于运费下限按轴数和距离而非吨位计算,大型车辆更具竞争力。以1000公里路线为例,九轴挂车每吨运费下限为145雷亚尔,而个体司机常用的拖车为245雷亚尔。此外,企业承运在税收上比个体司机更有优势,同等表价下企业更具竞争力。

在四家大型农业运输公司中,与个体司机签订的货运份额从2025年的24%降至2026年的14%。据Frete.com数据,拖车在农业运输中的占比从68%降至44%。调查中65%的司机认为原本由他们承运的货运正流向运输公司。

影响在临时措施之前就已开始。去年政府启动对最低运费表的电子稽查,此前该表自特梅尔政府时期设立后执行率低。稽查加强后罚款显著增加,临时措施进一步规定违规罚款最高可达100万雷亚尔,后成为法律。据Frete.com分析,上月43%的货物由大型车辆运输,而3月临时措施出台时为14%,去年9月电子稽查开始前为10%。

维加表示,司机在调查中称运费下限变成了上限,运输公司不再将其视为最低价而是固定价,货主直接按表价支付,议价空间消失。他说,每五名司机中就有一人(20%)已表示考虑退出市场,长期看个体司机数量可能受到影响。Frete.com年交易额约550亿雷亚尔,拥有600名员工,业务还包括支付中介和信贷。维加称公司对巴西及运输市场中长期保持乐观,计划2028年在美国进行IPO。

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政策法规
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巴西
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Piso do frete sai pela culatra: caminhoneiro autônomo perde mercado

A lei que reforçou o controle de preços do frete rodoviário, uma das primeiras medidas do inesgotável pacote de “bondades” pré-eleitorais do Governo Lula, está rendendo resultados opostos aos esperados por Brasília. Lançada em março por meio de uma medida provisória aprovada no Congresso em julho, a nova política de piso mínimo para o transporte de cargas prometia aumentar a renda dos caminhoneiros autônomos (e render votos entre um público visto como mais alinhado ao ex-presidente Bolsonaro). Meses depois, os números mostram outra história. A plataforma Frete.com, que registra movimentos de cerca de 900 mil caminhões e carregamentos de 25 mil empresas por ano em seu sistema, fez uma pesquisa com mais de 700 autônomos: apenas 8% disseram aprovar a tabela de frete mínimo como está hoje. Na prática, a nova lei reduziu a quantidade de trabalho para 62% dos motoristas ouvidos, e 64% deles citaram piora no faturamento. “Começamos a escutar os caminhoneiros reclamando que não tem cargas no mercado, que está ruim, aí fomos ver o que estava acontecendo. Olhamos na plataforma, fizemos um estudo dentro das milhões de transações que acontecem ali, e depois fizemos uma pesquisa com eles,” Federico Vega, o CEO e fundador da companhia, disse ao Brazil Journal . O levantamento de dados de viagens, porém, apontou que não houve uma queda nos volumes que passam pelas estradas, e sim uma migração para veículos maiores, em geral operados por transportadoras . Como a tabela calcula o piso de frete por eixo e por distância, e não por tonelada transportada, os caminhões maiores se tornaram mais competitivos e tomaram mercado dos menores, tipicamente conduzidos por autônomos. Numa rota de 1.000 km, por exemplo, um rodotrem com nove eixos, que consegue levar muito mais carga, acaba na prática com um frete-piso de R$ 145 por tonelada, enquanto o valor para uma carreta – usada pelos autônomos – fica em R$ 245 por tonelada. Além disso, a contratação de transporte com empresas conta com vantagens tributárias na comparação com o caminhoneiro pessoa física. Com o mesmo preço de tabela, os CNPJs acabam sendo mais competitivos. Em quatro grandes transportadoras do agronegócio, a fatia de fretes contratados com motoristas pessoa física caiu de 24% do mercado em 2025 para 14% em 2026. Ao sancionar a lei, o Presidente Lula disse que era “um dia importante para os caminhoneiros”, e o PT classificou a medida como “vitória” para a categoria em uma publicação em seu site. As novas regras, porém, reduziram a participação de carretas, veículos típicos dos autônomos, de 68% para 44% das viagens no agronegócio, segundo os dados da Frete.com. Na pesquisa, 65% dos caminhoneiros disseram perceber que fretes que antes eram contratados com eles estão indo para transportadoras e empresas. Os impactos começaram ainda antes da MP, no ano passado, quando o Governo iniciou uma fiscalização eletrônica da tabela de fretes mínimos – criada ainda na gestão Michel Temer, após a histórica greve dos caminhoneiros. Após anos de baixo cumprimento da tabela – com jeitinhos por parte dos contratantes e vista grossa das autoridades – a fiscalização mais forte aumentou significativamente as multas aplicadas, e a MP reforçou ainda mais as regras, colocando multas de até R$ 1 milhão por descumprimento, que depois viraram lei. No mês passado, 43% das cargas foram transportadas em veículos grandes, na comparação com 14% em março, quando saiu a MP, e 10% em setembro passado, antes do início da fiscalização eletrônica, segundo as análises da Frete.com. “Os caminhoneiros também disseram na pesquisa que o piso virou um teto. As transportadoras não estão usando o valor como um mínimo, mas como um preço tabelado. O dono da carga fala ‘vou te pagar o preço da tabela’, não tem mais negociação, e antes tinha,” disse o CEO da plataforma. “Um de cada cinco caminhoneiros, 20% dos motoristas, já falam em sair do mercado. Em virar Uber, vender o caminhão. Então no longo prazo provavelmente teremos um impacto na quantidade de autônomos.” Com os caminhoneiros no centro de seu modelo de negócios, a Frete.com vinha monitorando desde o início os impactos da nova legislação. Vega criou a empresa em 2013, após notar, em viagens de bicicleta pelas estradas, que os postos de gasolina funcionavam como um “ marketplace offline ” para caminhoneiros, com anúncios em papel – um modelo ineficiente que deixava os motoristas muito tempo parados procurando carga. Hoje são transacionados no app da Frete.com cerca de R$ 55 bilhões em fretes por ano, e a companhia, com 600 funcionários, também atua com intermediação de pagamentos e crédito para os caminhoneiros e empresas contratantes. Apesar das mudanças com a nova política de fretes, o CEO disse que a empresa mantém seu otimismo com o País e com o mercado de transportes no médio e longo prazo. Com operações também no México, a Frete.com está trabalhando para listar suas ações na Bolsa. “O plano é um IPO em 2028 nos Estados Unidos,” disse Vega, um argentino que antes de criar a companhia trabalhou como investment banker no JP Morgan.

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