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便携式生物传感器从实验室走向市场仍面临多重障碍

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Corrida de obstáculos para os biossensores portáteis

新冠疫情推动大量低成本便携式生物传感器原型问世,但多数仍未进入临床和商业市场,稳定性、可重复性与真实样本验证是主要瓶颈。

新冠疫情激发了全球研究人员开发检测Sars-CoV-2新方法的竞赛,数十种低成本便携式设备在科学论文中被描述并向媒体发布,但大多数未能进入市场。据巴西FAPESP通讯社报道,将原型转化为商业产品仍是开发便携式或可穿戴生物传感器的研究人员面临的主要挑战。

圣保罗大学圣卡洛斯化学研究所物理学家Laís Brazaca表示,把实验台上有效的成果转移到现实世界,对研究者而言往往是极具挑战的一步,但她感觉学术界正在朝这个方向前进。她是6月发表在《ACS Applied Materials & Interfaces》上关于健康可穿戴传感器综述文章的第一作者。

Brazaca领导一个由FAPESP资助的项目,目标是开发可穿戴生物传感器,监测汗液中与疾病相关的蛋白质。目前大多数贴肤设备只能检测汗液中的电解质和代谢物,她的想法是开发能采集并分析蛋白质等较大分子的设备。血液中高浓度clusterina与阿尔茨海默病相关,dermicidina水平升高则被认为与乳腺癌有关,项目目标之一是验证这些关系是否也存在于汗液中。

可穿戴传感器开发始于1980年代,用于远距离监测宇航员生命体征;首批可穿戴生物传感器出现在1990年代末。据Brazaca主导的综述统计,自2005年以来已发表6万篇关于健康可穿戴生物传感器的科学论文。目前市场上主要的比色生物传感器是新冠、HIV和怀孕快速检测,电化学类则只有血糖仪较为常见。

莱斯大学纳米工程师Juliane Sempionatto指出,该领域正在成熟,真正的挑战在于把数据读取转化为可靠、可用于医疗决策的临床信息。她所在团队近期开发了测量汗液中电解质和代谢物的可穿戴生物传感器原型,另有项目致力于监测与女性健康相关的激素,但两者仍需进一步工作才能进入市场。

生物传感器的主要难点是在实验室外维持足够长的运作时间。其生物组件是脆弱的分子,固定到传感器上后需在与人身体差异很大的条件下保持活性,许多产品寿命不超过数周。此外,纳米材料合成中的可重复性很难保证,同一工艺生产的传感器对相同浓度目标物可能产生不同电信号。

多数研究仅在理想化实验室条件下测试原型,少数使用合成体液,使用真实患者样本的更少,进入临床试验的仅一小部分。坎皮纳斯州立大学化学家William Reis de Araújo称,其团队的一个不同之处是始终使用真实样本。2020年疫情期间,他与宾夕法尼亚大学团队合作开发基于ACE2蛋白的生物传感器,其中一款石墨微电路设备单件成本低于25雷亚尔,2021年在美国大学医院321名患者中完成验证,两年后成本降至约17雷亚尔,但专利尚未授权给企业。2022年猴痘疫情传入坎皮纳斯后,Araújo团队又开发了首个检测该病毒的电化学生物传感器,并于两年后改进为可嵌入敷料的柔性织物形态。

Araújo强调,尽管目标是开发越来越便宜的检测,但开发原型所需的基础研究投入的耗材和设备成本约需10万雷亚尔。

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Corrida de obstáculos para os biossensores portáteis

Apesar dos resultados promissores em laboratório, a maioria dos dispositivos ainda não está pronta para uso clínico e comercialização A pandemia de Covid-19 desencadeou uma corrida entre pesquisadores do mundo inteiro pelo desenvolvimento de novos métodos para detectar o vírus Sars-CoV-2, causador da doença. O objetivo era criar soluções tão baratas e rápidas quanto os testes vendidos em farmácias, mas com a mesma sensibilidade do melhor exame laboratorial então disponível. Dezenas de dispositivos portáteis de baixo custo capazes de detectar o vírus em poucos minutos, mesmo em baixas concentrações, foram descritos em artigos científicos e divulgados à imprensa. A maioria, entretanto, não chegou ao mercado. Transformar protótipos em produtos comerciais continua sendo o principal desafio dos pesquisadores que desenvolvem biossensores portáteis ou vestíveis. Além de identificar rapidamente infecções por vírus e bactérias, esses dispositivos prometem facilitar o diagnóstico e o acompanhamento de uma série de doenças, substituindo, em algumas aplicações, exames de sangue por análises rápidas de lágrimas, saliva ou suor. Também poderiam permitir diagnósticos mais precoces e tratamentos personalizados. “Fazer a transferência do que funciona na bancada para o mundo real é, muitas vezes, um passo muito desafiador para os pesquisadores, mas sinto que a comunidade acadêmica está seguindo nessa direção”, avalia a física Laís Brazaca, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP). Ela é a primeira autora de um artigo de revisão sobre sensores vestíveis para saúde, publicado em junho na revista ACS Applied Materials & Interfaces . Brazaca lidera um projeto financiado pela FAPESP cuja meta é desenvolver biossensores vestíveis para monitorar proteínas no suor associadas a doenças. A maioria dos aparelhos que funcionam colados à pele detecta no suor apenas eletrólitos (íons de sódio, cloro e outros) e metabólitos (pequenas moléculas, como glicose e lactato). “Minha ideia é desenvolver dispositivos que coletem e analisem moléculas maiores, como proteínas”, diz. O sangue transporta uma grande variedade dessas moléculas, mas apenas algumas conseguem atravessar os vasos sanguíneos e chegar ao suor. Entre elas estão a clusterina e a dermicidina. No sangue, altas concentrações de clusterina estão associadas à doença de Alzheimer, enquanto níveis elevados de dermicidina vêm sendo relacionados ao câncer de mama. Um dos objetivos do projeto é verificar se essas relações também ocorrem no suor, o que pode depender de muitos fatores do organismo. Há também o fato de que as concentrações de proteínas medidas pelo sensor podem diferir das realmente presentes no suor. Por fim, é preciso resolver a dificuldade de integrar, em um aparelho flexível, uma espécie de laboratório de química em miniatura, chamado de circuito microfluídico, a um circuito microeletrônico capaz de registrar e transmitir sem fio os dados para um computador ou celular. Para superar esses obstáculos, Brazaca colabora com os químicos Emanuel Carrilho, seu colega no IQSC-USP; Khaled Abdelazim, da Universidade Harvard; e Juliane Sempionatto, da Universidade Rice (EUA), que também é nanoengenheira. Recentemente, o grupo de Sempionatto desenvolveu protótipos de biossensores vestíveis para medir eletrólitos e metabólitos no suor. Outro projeto seu busca monitorar hormônios relacionados à saúde da mulher. “Há uma necessidade enorme de ferramentas que permitam acompanhar mudanças hormonais desde a adolescência feminina até a menopausa”, explica. Os protótipos de ambos os projetos ainda precisam de trabalho adicional para chegar ao mercado. “A área está amadurecendo”, afirma Sempionatto, também coautora da revisão. “O desafio real é transformar a leitura de dados em uma informação clínica confiável e útil para uma decisão médica.” O desenvolvimento de sensores vestíveis começou na década de 1980, para monitorar à distância os sinais vitais de astronautas durante missões espaciais. Esses primeiros instrumentos deram origem aos chamados sensores físicos, capazes de registrar pequenas variações de pressão associadas ao funcionamento de coração, pulmões e sistema nervoso, por exemplo. Muitas dessas medições hoje podem ser feitas por celulares e relógios inteligentes. Já os primeiros sensores biológicos vestíveis surgiram no final da década de 1990. Esses dispositivos consistem em uma superfície capaz de abrigar um componente de origem biológica — um anticorpo, uma enzima, um pedaço de DNA, ou mesmo uma célula inteira —, que reage na presença de uma molécula específica produzida pelo corpo humano, por vírus ou por bactérias. Essa reação gera um sinal mensurável, como uma mudança de cor, nos biossensores colorimétricos, ou uma alteração nas propriedades elétricas do material, nos eletroquímicos. No fim da década de 1990 chegaram os primeiros sensores biológicos vestíveis, que reagem na presença de uma molécula específica produzida pelo corpo humano, por vírus ou por bactérias Hoje : Os testes rápidos de Covid-19, HIV e gravidez são os principais biossensores colorimétricos, em que a reação gera uma mudança de cor, disponíveis no mercado Entre os eletroquímicos, em que a reação altera as propriedades elétricas do material, os únicos já comuns são os medidores de glicose 60 mil artigos científicos sobre biossensores vestíveis para saúde foram publicados desde 2005, segundo revisão liderada pela física Laís Brazaca, do IQSC-USP Atualmente, os testes rápidos de Covid-19, HIV e gravidez, entre outros, são os principais biossensores colorimétricos no mercado. Entre os eletroquímicos, os únicos já comuns são os medidores de glicose. Em geral, analisam uma gota de sangue obtida por uma picada no dedo, enquanto os mais avançados funcionam em um adesivo aplicado ao braço, monitorando a glicose por alguns dias por meio de microagulhas. Esses produtos representam uma pequena fração dos protótipos já desenvolvidos. A revisão liderada por Brazaca contabilizou 60 mil artigos científicos sobre biossensores vestíveis para saúde publicados desde 2005. Novos materiais tornaram os dispositivos mais flexíveis e compatíveis com a pele e outras partes do corpo. “A grande variedade de possíveis materiais e aplicações tornou o campo atraente para a pesquisa básica e aplicada, mas a consolidação em produtos exige foco nas aplicações viáveis comercialmente”, considera o físico Osvaldo Novais de Oliveira Jr., do Instituto de Física de São Carlos da USP (IFSC-USP), também coautor da revisão. Com apoio da FAPESP, Oliveira desenvolve biossensores para saúde e monitoramento ambiental. Seu grupo já criou dispositivos que identificam genes associados a câncer de cabeça e pescoço, testados com amostras de células de pacientes do Hospital de Amor, em Barretos (SP). A principal dificuldade dos biossensores é manter seu funcionamento por tempo suficiente fora do laboratório. Seus componentes biológicos são moléculas frágeis que, depois de imobilizadas no sensor por ligações químicas, precisam continuar ativas em condições muito diferentes das encontradas no corpo humano. Para prolongar sua vida útil, pesquisadores têm recorrido a versões sintéticas mais estáveis e a camadas protetoras. Ainda assim, muitos não duram mais do que algumas semanas. Um exemplo é o biossensor eletroquímico integrado aos óculos, desenvolvido no laboratório de Joseph Wang, na Universidade da Califórnia em San Diego. Sempionatto foi aluna de doutorado de Wang, enquanto Brazaca fez estágio no laboratório em 2017, durante seu doutorado, sob orientação do engenheiro de materiais Valtencir Zucolotto, do IFSC-USP. Juntas, elas colaboraram para criar o primeiro biossensor vestível capaz de monitorar álcool em lágrimas, além de vitaminas e glicose. As enzimas usadas nas detecções precisavam ser preparadas no máximo um dia antes do uso. Além da estabilidade dos componentes biológicos, a síntese dos nanomateriais empregados na interface do sensor envolve reações químicas cujo controle pode ser desafiador. “A reprodutibilidade é muito difícil”, afirma a química Juliana Cancino-Bernardi, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP (FFCLRP-USP). Segundo ela, esses materiais apresentam variações inevitáveis de tamanho durante a fabricação, podendo alterar suas propriedades eletrônicas. Isso significa que biossensores produzidos pelo mesmo processo podem gerar sinais elétricos diferentes em resposta à mesma concentração da substância-alvo. “Para gerar dados confiáveis durante dias, semanas ou meses, o comportamento do sensor precisa ser muito estável ou, pelo menos, previsível”, ressalta Sempionatto. Outro problema é que a maioria dos estudos testa seus protótipos apenas em condições idealizadas em laboratório. Alguns avançam para analisar fluidos sintéticos — versões artificiais de suor, saliva ou sangue com composição conhecida. Mais raros são os que utilizam amostras de fluidos reais de pacientes. Apenas uma pequena parcela chega aos testes clínicos. “Um diferencial do nosso grupo sempre foi utilizar amostras reais”, afirma o químico William Reis de Araújo, que coordena um laboratório da área na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e também fez estágio no laboratório de Wang. No auge da pandemia, em 2020, o pesquisador da Unicamp iniciou uma colaboração remota com o grupo de Cesar de la Fuente-Nunez, da Universidade da Pensilvânia (EUA), especialista em compostos antimicrobianos. Dois alunos de Araújo foram ao laboratório dele para desenvolver biossensores baseados na proteína ACE2, receptor presente na superfície de células humanas e usado pelo vírus SARS-CoV-2 para invadi-las. A estratégia se mostrou acertada porque, embora novas variantes do vírus tenham tornado obsoletos muitos biossensores baseados em anticorpos, elas continuaram a se ligar ao ACE2. Um dos dispositivos era um microcircuito eletrônico de grafite modificado, impresso a laser em papel. Cada unidade descartável custava menos de R$ 25. Após receber uma amostra de saliva ou esfregaço nasal com cotonete, o sensor era inserido em um pequeno aparelho comercial chamado de potenciostato, conectado a um celular ou computador – o resultado vinha em quatro minutos. Em 2021, a equipe validou o biossensor em 321 pacientes do hospital da universidade americana. Dois anos depois, reduziu seu custo para cerca de R$ 17. Apesar de estimarem que milhões de unidades poderiam ser fabricadas por semana durante a pandemia, a patente ainda não foi licenciada para uma empresa. Em 2022, um surto mundial de varíola dos macacos, mais conhecida como mpox (doença viral transmitida pelo contato com fluidos de pessoas ou animais infectados), chegou a Campinas, com 96 casos registrados. O episódio levou Araújo a criar o primeiro biossensor eletroquímico para detectar o vírus em amostras de sangue, saliva ou secreções das lesões. Dois anos depois, sua equipe aprimorou o biossensor, inicialmente feito em papel, na forma de um tecido flexível que pode ser incorporado a curativos. Esse trabalho integra um projeto de Araújo financiado pela FAPESP para criar biossensores descartáveis para detecção de infecções virais e bacterianas. Outros dispositivos poderão diferenciar dengue, zika e chikungunya, além de identificar as espécies de bactérias responsáveis por uma infecção. Um dos protótipos concluídos reúne quatro testes em um abaixador de língua — o palito usado por médicos para facilitar o exame da boca e da garganta. Rice University Equipe de Juliane Sempionatto (primeira à esquerda), na Universidade Rice, testa biosensor sobre a pele do antebraço de voluntária (segunda à esquerda). Dispositivo mede eletrólitos do suor e transmite seus dados a celular (terceira à esquerda) Rice University Araújo enfatiza que, embora o objetivo seja criar testes cada vez mais baratos, a pesquisa básica necessária para desenvolver um protótipo exige insumos e equipamentos que custam em torno de R$ 100 mil. Segundo

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