As razões ‘críticas’ e ‘pesadas’ da torcida de Washington por Flávio
É a definição de mineral crítico na prática. A indústria de alta tecnologia do Japão está prestes a ficar sem estoques do ítrio – um elemento químico usado na produção de lasers, supercondutores, ligas metálicas e eletrônicos. Os japoneses estão nas mãos da China, que vem controlando as exportações de minerais críticos para preservar seus próprios estoques e usar seu domínio no suprimento desses elementos como poder de barganha nas negociações internacionais.
De acordo com o Financial Times , Tóquio recorreu a Washington e a grandes empresas americanas, pedindo ajuda diplomática para ter acesso ao mineral – sem sucesso até o momento. “Estamos em uma situação crítica para manter o fornecimento às indústrias que dependem desses materiais,” disse ao FT uma autoridade do Governo japonês. “Os estoques estão diminuindo, e há um limite para os esforços de economia no uso de terras raras.” O ‘estrangulamento’ do Japão demonstra a centralidade das terras raras na geopolítica e na economia global. E é mais um fator que estará em jogo na eleição de domingo, nota a consultoria Gavekal num relatório publicado ontem. “Com Flávio Bolsonaro liderando as pesquisas, há uma boa chance de o Brasil seguir outras nações latino-americanas que penderam para a direita e entrar na órbita política dos EUA,” disse o analista Tom Miller. “Washington dará uma recepção calorosa ao Brasil por várias razões estratégicas, e uma delas seria a possibilidade de ter acesso ao tesouro dos minerais críticos.” Fora da Ásia, o Brasil é o principal produtor das terras raras pesadas – uma subcategoria dos 17 elementos desse grupo de minerais. Para os EUA, as jazidas brasileiras são uma promissora fonte alternativa para contornar os chineses.
Um Governo Flávio não constitui necessariamente um fator decisivo, uma vez que os investimentos americanos já estão acontecendo mesmo no Governo Lula. “O que verdadeiramente importa é que os EUA estão finalmente tendo acesso a um fornecimento livre da influência chinesa,” escreveu Miller. O Brasil é particularmente importante para a oferta de disprósio e térbio. São elementos empregados em ímãs feitos com terras raras – e são poucos os fabricantes fora da China. Como lembra a Gavekal, o Brasil e a Austrália são os dois únicos países fora da Ásia que hoje produzem terras raras em escala comercial. Em 2024, o Brasil respondeu por 2% da produção mundial de disprósio. A estimativa é que o percentual brasileiro chegue a 11% em 2029, segundo a Benchmark Minerals, tornando o País o maior fornecedor global depois da China. Hoje a China mantém um virtual monopólio sobre a matéria-prima de terras raras pesadas, o que inclui a importação de países vizinhos, como Mianmar e Laos. “O território chinês e seus estados satélites concentram cerca de 99% do processamento de terras raras pesadas e 94% da produção de ímãs permanentes de terras raras, de acordo com a Benchmark Mineral,” disse a Gavekal. “Essa situação deixa os setores americanos de tecnologia e defesa dependentes do principal concorrente estratégico de Washington.”
Os ímãs permanentes preservam as suas propriedades magnéticas de forma contínua, sem a necessidade de fontes externas, como eletricidade. São empregados em microfones, celulares, equipamentos de ressonância magnética e inúmeros outros sistemas avançados. O relatório destacou os projetos de exploração de Serra Verde , adquirida pela americana USA Rare Earth, e de Carina, da canadense Aclara Resources – ambos em Goiás e com apoio financeiro dos EUA. A Casa Branca – não é segredo para ninguém – torce para a vitória de Flávio. Para a Gavekal, o filho de Bolsonaro não deverá romper as relações com a China – até pela própria dimensão do comércio entre os países. “Mas Flávio poderá facilitar a coordenação estratégica, acelerar os procedimentos de licenciamento de explorações e assinar instrumentos bilaterais que priorizem a cadeia de fornecimento americana,” disse Miller. “Para os EUA, este cenário configura uma vantagem relevante.”