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巴西两候选人外交纲领对立:卢拉主攻全球南方,弗拉维奥亲美以

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Lula defende Sul Global; Flávio quer proximidade com EUA e Israel

巴西总统候选人卢拉与弗拉维奥·博索纳罗分别公布外交政策纲领,前者主张深化全球南方与金砖合作,后者主张亲近美国、以色列和阿根廷。

巴西总统候选人卢拉(劳工党)与弗拉维奥·博索纳罗(自由党)分别在各自政府计划中提出外交政策纲领:卢拉主张加强与全球南方的关系并与世界各地区发展往来,弗拉维奥则主张向美国、以色列和阿根廷靠拢。据巴西通讯社报道,卢拉为外交议题预留近六页篇幅,弗拉维奥约三页。

卢拉的计划称,世界正经历自二战以来「前所未有的冲突」,国际法遭到攻击,并有人试图「强加一种掠夺性的世界秩序」。文件写道:「我们将坚决反对任何把巴西置于外国利益之下、或把我国降为地缘政治依附地位的企图。」该计划提出「普遍主义」外交,与「世界所有各方」发展关系以分散贸易伙伴,并承诺深化与金砖国家、全球南方和二十国集团的 geopolitical 接近,同时加深与非洲的关系。

弗拉维奥的计划则称,主权要靠「实践」而非「大话」来行使,并批评「近年来巴西外交以意识形态取代国家利益」,点名现政府在伊朗、委内瑞拉和以色列问题上的立场。文件称:「我们不会把最重要的传统伙伴当作对手」,并称近年与阿根廷、美国、以色列的关系「已被推到破裂边缘」,将「以专业精神和对巴西利益的关注扭转这一局面」。

在中东与拉美问题上,弗拉维奥为特朗普政府在海外的军事行动辩护,包括对伊朗的战争和入侵委内瑞拉,并批评金砖国家推动成员国之间无需美元即可贸易的政策。卢拉政府则谴责对伊朗的军事攻击以及以抓捕尼古拉斯·马杜罗方式对委内瑞拉的军事干预,同时呼吁外交对话、尊重国际法和各方克制。

国防方面,卢拉的计划承诺强化本国国防工业,称「没有防御能力就没有主权性的国际投射」,并列举现任期内的措施:自2023年以来已执行204亿雷亚尔战略项目,交付7架鹰狮F-39战斗机(今年首架在巴西本土生产),采购3架本国制造的KC-390运输机,在建4艘护卫舰(首艘已服役),生产226辆装甲车。弗拉维奥则承诺鼓励军事技术,重点在无人机和人工智能创新,称武装部队投资应与巴西作为多个集团成员国的定位相称。

关键矿产与稀土方面,卢拉计划制定专门政策,组织产业链、区分技术用途,避免单纯出口战略原材料,并推动区域性的勘探、加工和增值战略。弗拉维奥则表示将吸引外资和现有技术并向巴西转移,与「所有愿意与巴西合作的55个国家」建立国际伙伴关系。他今年3月在美国一场保守派活动上称,巴西是美国「打破对中国关键矿产依赖的解决方案」。巴西稀土储量约2100万吨、居世界第二,占已知储量约23%;美国仅190万吨,约占2%。

南美一体化方面,卢拉计划把地区一体化和南美及加勒比作为「和平区」列为下届任期优先事项,称南美一体化是巴西战略投射的「第一圈」,将继续深化南方共同市场。

关税问题上,卢拉计划批评前总统雅伊尔·博索纳罗执政时期巴西在地缘政治上「被孤立」、外交声望下降、地区协议弱化。卢拉还指责博索纳罗家族为「祖国叛徒」,因前众议员爱德华多·博索纳罗移居美国并在那里推动特朗普政府对巴西加征关税。弗拉维奥则常把特朗普对巴西加税归咎于卢拉政府的「反美」议程,并称将「寻求有效外交方案应对美国、中国和欧洲对本国产品的制裁」,主张「由专业精神和务实主义而非意识形态引导的外交」。

弗拉维奥的计划还提出推动巴西加入经合组织,称加入不仅是「标签」,还要求本国规范与国际标准接轨、改善国有企业治理、减少腐败。

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信息概要

类型
政治
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
编辑整理
话题
政治政策
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Lula defende Sul Global; Flávio quer proximidade com EUA e Israel

O plano de governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para política externa destaca o fortalecimento das relações do Sul Global e, ao mesmo tempo, defende estimular as relações “com todas as regiões do mundo”. Por sua vez, o plano do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para política externa defende uma aproximação maior com Estados Unidos (EUA), Israel e Argentina. Notícias relacionadas: Conheça as propostas de Flávio e Lula para a segurança pública. Brasil cria política para ampliar produção de minerais críticos. Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças. Destaque na campanha deste ano, a política externa do Brasil é abordada pelos candidatos em capítulos específicos dentro dos planos de governos. Lula reservou quase seis páginas para o tema e Bolsonaro cerca de três. O plano de Lula destaca que o mundo vive “conflitos sem precedentes” desde a 2ª Guerra Mundial, com ataques ao direito internacional e à tentativa de “imposição de uma ordem mundial predatória”. “Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, diz o documento. O candidato do PL, por sua vez, diz que a soberania se exerce “na prática” e não com “bravatas”.  “Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia”, diz o texto, criticando a posição do governo Lula em relação ao Irã, à Venezuela e a Israel.  Flávio tem defendido as agressões bélicas do governo de Donald Trump no mundo, como a guerra contra o Irã e a invasão da Venezuela, além de criticar a política do Brics de estimular o comércio entre países sem a necessidade do dólar. Já o governo Lula adota uma postura de condenação aos ataques militares contra o Irã e à intervenção militar na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro, combinada com apelos por diálogo diplomático, respeito ao direito internacional e contenção das partes. “Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais. Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, EUA e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil”, diz o documento de Flávio Bolsonaro. Defesa nacional Primeiro Gripen E produzido no Brasil faz voo inaugural no interior de São Paulo — Foto:  Divulgação/Embraer O plano de governo de Lula promete fortalecer a indústria de defesa nacional em um mundo onde o direito internacional vem sendo constantemente violado. “Neste cenário, política externa e defesa nacional são dimensões complementares de uma mesma estratégia voltada à proteção dos interesses do Brasil. Não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa”, diz o plano. O projeto do candidato do PT cita as medidas tomadas no atual mandato para fortalecer a capacidade de defesa do Brasil por meio do Novo PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. “Desde 2023 já foram executados R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos. Entregamos 7 caças gripens-F-39, tendo sido produzida a primeira aeronave em solo brasileiro este ano. Adquirimos 3 cargueiros KC-390 fabricados no país. Estamos construindo 4 fragatas, a primeira já em operação. Produzimos 226 viaturas blindadas”, destaca. O candidato Flávio Bolsonaro também aborda a relação entre defesa e política internacional ao prometer incentivar as tecnologias militares disponíveis com foco em inovação em drones e inteligência artificial. “Os investimentos nas Forças Armadas devem ser condizentes com a inserção de um país que é membro de diferentes blocos e grupos de nações, voltados ao enfrentamento de desafios políticos e econômicos globais”, diz o documento do PL. Sul Global A China atua ativamente como porta-voz e parceira de blocos do Sul Global, integrando o Brics. Na foto, o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim - Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Direitos Reservados No plano de Lula, é prevista uma política externa “universalista” por meio de relações com “todas as partes do mundo” para diversificar as parcerias comerciais do Brasil.   “Investiremos em novos acordos comerciais e na abertura de novos mercados para nossos bens e serviços, de modo a continuar enfrentando agressões comerciais e a defender os interesses do país”, disse. Desde o ano passado, o Brasil tem sido alvo da política de tarifas do governo Trump, que afeta outros aliados históricos dos EUA, como Canadá e Índia. O plano de governo da chapa de Lula destaca ainda a importância de fortalecer a cooperação com o Sul Global, termo usado para se referir aos países considerados ainda não desenvolvidos, majoritariamente localizados no Hemisfério Sul do planeta. “Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o Brics e com o Sul Global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade”, diz o documento. O G20 é o grupo de países com as maiores economias do planeta, incluindo União Europeia e União Africana, que reúne ainda EUA, França, Alemanha, Japão e Coreia do Sul. Já o Brics reúne Rússia, Índia, China, África do Sul, Árabia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.  O plano de Lula promete ainda o aprofundamento das relações com a África, "reconhecendo sua crescente importância na ordem internacional e os laços históricos e culturais que unem o Brasil ao continente africano”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que defender a soberania é abrir mercados para quem produz no Brasil e atrair investimentos. "Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo." China e terras raras Candidatos apresentam projetos diferentes para desenvolvimento de minerais críticos e terras raras - Sigma Lithium/Divulgação/Arquivo O plano de Lula prevê o desenvolvimento de uma uma política específica para minerais críticos e terras raras. O intuito é organizar cadeias produtivas, diferenciar seus usos tecnológicos e evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas.  “Promoveremos uma estratégia regional de mapeamento, beneficiamento e agregação de valor, para inserir o país de forma soberana nas cadeias globais de valor desses recursos”, diz o projeto de governo. Já Flávio Bolsonaro diz que vai trabalhar para atrair o capital  estrangeiro e a tecnologia já existente no mundo, transferindo esse conhecimento ao Brasil.  “Estabeleceremos parcerias internacionais com todos os 55 países que queiram a cooperação do Brasil, sem preconceitos ou ranços ideológicos.” O assunto das terras raras tem sido abordado por Flávio Bolsonaro em encontros no exterior. Em março deste ano, em evento com conservadores nos Estados Unidos, ele afirmou que o Brasil é a solução para “quebrar” a dependência que os EUA têm da China em relação aos minerais críticos. “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do Hemisfério será lutado porque o Brasil é a solução da América [os EUA] para quebrar a dependência da China de minerais críticos, especialmente dos elementos de terras raras”, disse. Atrás apenas da China, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, cerca de 23%. Os EUA concentram apenas 1,9 milhão de toneladas, algo em torno dos 2% das reservas conhecidas. Os minerais críticos, entre eles, as terras raras, estão no centro da disputa comercial e tecnológica entre China e EUA por serem os insumos fundamentais das indústrias de tecnologia, defesa e transição energética.  O governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi marcado por atritos com a China, entre eles, a sugestão de Eduardo Bolsonaro de que a pandemia de covid-19 seria de responsabilidade do governo de Pequim, o que levou a Embaixada da China no Brasil pedir retratação pela "provocação flagrante". Integração sul-americana Ao reconhecer um mundo em turbulência, o plano do governo Lula destaca que a integração regional e a afirmação da América do Sul e do Caribe como “zona de paz” deve ser uma das prioridades do próximo mandato. “A integração sul-americana é o primeiro círculo de projeção estratégica do Brasil. Seguiremos aprofundando o Mercosul e os espaços de integração regional”, diz o documento. Tarifaço contra o Brasil O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas a produtos brasileiros. - Reuters/Toby Melville/proibida reprodução Em crítica ao governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato Flávio, o plano de Lula argumenta que o Brasil ficou “isolado” geopoliticamente com Jair, com rebaixamento do prestígio diplomático e desidratação de acordos regionais. Lula ainda tem acusado a família Bolsonaro de “traidores da Pátria” uma vez que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA, onde articulou tarifas comerciais do governo Trump contra o Brasil. Ao anunciar as tarifas aos produtos brasileiros, em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal que, à época, se preparava para o julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista.  Tanto Eduardo quanto Flávio comemoraram a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, apesar dos prejuízos para parte da cadeia econômica brasileira. “Obrigado Presidente Trump - Faça o Brasil Livre Novamente - Queremos Magnitsky!”, escreveu Flávio em alusão à Lei Magnitsky imposta pelos EUA, em julho de 2025, como retaliação a autoridades brasileiras e ministros do Supremo. O candidato do PL, por sua vez, costuma responsabilizar uma suposta agenda “anti-EUA” do governo Lula para justificar as tarifas impostas por Trump ao Brasil. No capítulo que aborda o agronegócio brasileiro, Flávio Bolsonaro informa que vai trabalhar para “buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos EUA, da China e da Europa aos produtos nacionais”. “Nossa proposta é o oposto: uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia. O Itamaraty voltará a ser conduzido pela competência técnica que sempre marcou seus quadros”, diz o documento. Nas redes sociais, entretanto, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, defende uma “faxina” no Itamaraty contra servidores que supostamente teriam “sabotado” o governo do pai dele, Jair Bolsonaro. OCDE No plano do candidato Flávio, destaca-se ainda o objetivo de incluir o Brasil na OCDE [Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico], fórum que reúne 38 países, entre eles, os mais desenvolvidos, para produção de estatísticas e recomendação de políticas públicas. “A adesão à OCDE é mais do que um selo: ela exige convergência das nossas normas aos padrões internacionais, melhora a governança das empresas estatais, reduz a corrupção e integra o Brasil às melhores práticas globais”, justifica Flávio Bolsonaro. A Agência Brasil publica, neste segundo turno, matérias com o comparativo dos planos de governo dos dois candidatos.

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