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巴西资讯巴西宏观市场2026年9月21日

巴西情报局将美干预大选定性"临界级",在巴中资需重估50%关税与选举周期叠加风险

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Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

巴西情报局(Abin)8月底密报将美国干预巴西今年选举的风险列为"临界级别",并指美方施压升级;叠加7月22日新增25%附加税(覆盖对美出口19%),在巴中资制造与出口企业需重新评估选举周期内的合规、关税与资金路径风险。

为什么值得关注

美对巴50%关税叠加7月新增25%附加税(覆盖对美出口19%),选举周期内Receita Federal与CAMEX清单变动将直接改变在巴中资出口成本与美元清算路径。

巴西情报局(Abin)撰写的一份机密报告于8月底呈送总统府、最高选举法院(TSE)和司法部,将美国影响或干预巴西今年选举的可能性列为"临界级别",并警告美方对巴施压呈升级趋势。该消息由《圣保罗页报》于本周六(19日)披露,经巴西电视台证实。对在巴中资企业而言,这一政治信号并非远观议题:自2025年4月起巴西对美出口已承受关税,7月22日美方再宣布加征25%附加税,影响巴西对美出口的19%,选举周期内的政策不确定性正直接传导至采购、报关与资金结算环节。

据《圣保罗页报》报道并经巴西电视台证实,巴西情报局(Abin)在8月底提交的一份机密报告中,将外部干预巴西今年选举的可能性定性为"临界级别"。报告呈送对象为总统府、最高选举法院(TSE)和司法部。Abin在报告中给出的背景判断是:"重申美国在拉丁美洲的霸权"是美国总统唐纳德·特朗普(Donald Trump)第二任期的优先事项,其目标是使中国等"美国对手"远离该地区的战略资产、自然资源和基础设施。报告同时指出,近几个月美国针对巴西的行动有所加剧,除干预选举外,巴西还持续遭受损害国家利益的经济和政治措施。

原文未涉及中资企业的直接影响,但通过两条机制间接传导。其一是关税链条:自2025年4月起巴西对美出口产品被征收关税,最初为10%;7月30日特朗普签署行政令(OE),将巴西视为"对美国国家安全的非常规和特殊威胁",把关税总税率提高至50%。今年2月美国最高法院推翻特朗普全球范围进口关税,裁定总统征税侵犯国会权力、违反"重大问题原则",美方须退还非法征收的数十亿美元;但7月22日美国仍宣布加征25%附加税,影响巴西对美出口的19%。对在巴中资制造与出口企业而言,这意味着经巴西产地出口美国的成本结构仍不稳定,涉及原产地规则、报关归类与转口安排的合规审查需与Receita Federal(联邦税务局)及CAMEX(外贸商会)的最新清单保持同步。其二是制裁外溢:《马格尼茨基法》曾被适用于联邦最高法院(STF)大法官亚历山大·德·莫赖斯(Alexandre de Moraes)及其妻子、律师维维安·巴尔西·莫赖斯(Vivian Barci de Moraes),规定可冻结在美银行账户、资产和金融投资,禁止与在巴西的美国公司交易并禁止入境美国;当时另有巴罗佐、法欣、卡门·卢西亚、迪诺、扎宁、吉尔马·门德斯等大法官被取消美国入境签证。2025年12月莫赖斯及其妻子被移出制裁名单。对在巴中资机构而言,若交易对手或供应链涉及受制裁个人与实体,美元清算与美系银行通道可能被切断,需在KYC与资金路径上预留替代方案。

原文显示,关税上调的理由之一是巴西司法机构限制社交网络在巴西境内运营,涉及特朗普媒体与科技集团(TMTG)旗下的Rumble,以及由特朗普盟友埃隆·马斯克(Elon Musk)担任董事长的X(原推特);联邦最高法院称相关限制与煽动仇恨言论和攻击民主有关。另一理由是前总统雅伊尔·博索纳罗(Jair Bolsonaro)因试图以暴力手段废除民主法治国家被定罪,美方认为该定罪是政治迫害。此外,联邦众议员、前总统之子爱德华多·博索纳罗(Eduardo Bolsonaro)赴美后声称与美方合作促成相关措施,并因鼓励美国颁布关税施压司法机构,于2026年6月被联邦最高法院定罪,目前仍居美国,并因缺席众议院会议失去议员资格。CBI认为,上述事实表明美方对巴施压工具已从纯经济手段转向"司法—政治—关税"联动,其触发点与巴西国内司法进程高度绑定,而非单纯贸易逆差逻辑。这意味着在巴中资企业面对的不是一次性的关税调整,而是一个随巴西司法与选举节点波动的政策周期。

与此同时,巴西政府寻求维持良好的外交和贸易关系。尽管批评美方行动,总统路易斯·伊纳西奥·卢拉·达席尔瓦(Lula)在活动和采访中常说"我和特朗普相处得很好"。原文提到,2025年9月联合国大会期间两人短暂会面后出现所谓"化学反应",但这一表面良好关系并不意味着巴西外交或经济就能轻松度日。CBI观察,卢拉政府对美采取"口头缓和、实质对冲"的姿态,客观上为中资企业在巴西的第三国转口、本地化生产与南方共同市场内部布局留出窗口,但该窗口的宽度取决于选举结果与美方后续行政令节奏,不宜按长期稳定预期做资本开支决策。

待观察的三个具体跟踪点:一是美方7月22日25%附加税的实施细则与豁免清单是否在选举前再度调整,可监控美国联邦公报与巴西CAMEX公告的对应条目;二是巴西今年选举关键节点(候选人登记、首轮投票)前后,Abin"临界级别"评估是否被TSE或司法部公开引用,可作为政治风险升级的先行指标;三是《马格尼茨基法》名单是否再次扩容至巴西司法或政界人士,直接影响在巴中资机构的美元清算与交易对手准入,需在合规团队月度审查中列为固定项。

CBI 观察编辑判断

原文显示Abin将美干预巴西选举列为"临界级别",且美方施压工具已与巴西司法进程绑定;CBI认为,这使在巴中资企业面临的是随选举与司法节点波动的政策周期,而非一次性关税事件,美元清算与转口合规应提前设置替代方案。

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信息概要

类型
风险事件
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
编辑整理
地点
在巴中资制造企业、出口商、供应链金融机构、涉美清算业务主体
核验
待核验
对象
在巴中资企业出口商税务合规负责人
话题
政治政策

来源信息

来源
Agência Brasil — Internacional
原文标题
Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições
原始语言
葡萄牙语
原文链接
查看原文 →
编辑
Clara Lin
查看原文(葡萄牙语

Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório em que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado alerta ainda para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil. O relatório foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas neste sábado (19) pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Notícias relacionadas: ONU: Lula defende multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança. Brasil e EUA voltarão a discutir tarifas em encontro do G20. Segundo a publicação, a inteligência brasileira classifica a possibilidade de interferência externa com um "nível de criticidade" e contextualiza o problema dizendo que "a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade do segundo governo do presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo é afastar “rivais dos EUA”, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região.  A avaliação da Abin indica que houve intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil ao longo dos últimos meses. Além da ingerência nas eleições, o Brasil vem sendo alvo de medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais.  Enquanto isso, o governo brasileiro busca manter as boas relações diplomáticas e comerciais. Apesar de criticar as ações do governo estadunidense, é comum ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer, em eventos e entrevistas, “eu me dou muito bem com o Trump”.  Entenda Tudo começou com a famosa “química” que teria brotado entre os dois durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025. Essa foi a exata definição do mandatário norte-americano após um breve encontro entre ambos, quando Lula deixava o palco e Trump se preparava para discursar. Mas essa aparente boa relação entre os dois não significa vida fácil para a diplomacia ou para a economia brasileira. Desde abril de 2025, o Brasil tem sido alvo de tarifas de exportação para produtos vendidos ao vizinho do Norte. Inicialmente, foram 10% aplicados a vários países. Naquele momento, o interesse puramente econômico dava o tom das medidas anunciadas. Dois meses depois, porém, o tom político passou a influenciar medidas econômicas do governo estadunidense. No dia 30 de julho, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva (OE) que considerava o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. E elevou o valor total da tarifa para 50%. Aumento das tarifas Entre as justificativas para o aumento da tarifa, destacava-se a atuação da Justiça brasileira ao limitar a atuação de redes sociais em território brasileiro. Entre essas redes sociais estavam a Rumble, rede social da Trump Media & Tecnology Group (TMTG), e o X, antigo Twitter, presidido por Elon Musk, aliado de Donald Trump. A restrição a determinadas redes sociais tinha relação com a incitação de discursos de ódio e atentados à democracia, de acordo com o Supremo Tribunal Federal. Outra justificativa para as tarifas passou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O governo dos Estados Unidos considerou a condenação uma perseguição política e intimidação a opositores do atual governo. Trump repetia a versão de Bolsonaro, que afirma ser perseguido no processo em que foi acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado no Brasil. Na ocasião, Bolsonaro pressionou comandantes militares para suspender o resultado da eleição presidencial de outubro de 2022, quando perdeu para Lula. Lei Magnitsky Além das tarifas, o governo norte-americano foi além e aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator dos processos da trama golpista, bem como de sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes. Trata-se de uma lei local, mas que prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país. Na ocasião, também foram alvo de cancelamento do visto de entrada nos EUA os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes. Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa tiveram os nomes retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. O papel de Eduardo Bolsonaro Na ocasião, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já havia ido para os Estados Unidos argumentando ser um perseguido político. Assim que a Lei Magnitsky foi aplicada, ele foi às redes sociais celebrar as medidas econômicas e legais contra o Brasil. Além disso, Eduardo afirmou ter atuado junto às autoridades americanas em prol desse resultado. Isso levou o parlamentar a ser denunciado por coação no curso do processo, já que incentivou os EUA a decretarem tarifas para pressionar a Justiça a não condenar seu pai. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF em junho de 2026. Ele continua morando nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados. Queda nas tarifas Em fevereiro deste ano, porém, Donald Trump sofreu um revés em sua política tarifária. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump. A Corte decidiu que a imposição de tarifas feita pelo presidente interferiria nos poderes do Congresso do país e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes. O governo dos EUA, então, teve que devolver bilhões de dólares arrecadados ilegalmente. Apesar da limitação legal, o governo dos Estados Unidos ainda lança mão de tarifas. Inclusive contra o Brasil. No dia 22 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 25%. A medida atingiu 19% das exportações brasileiras para o país norte-americano. A alegação do governo Trump, desta vez, se baseava em “adoção de práticas desleais” do Brasil na relação entre os dois países. Entre essas práticas, estariam o uso do PIX (sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro), a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais com México e Índia, entre outros. Dias depois, uma nova tarifa, de 12,5%, foi aplicada. O argumento foi de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a tarifa foi “arbitrária e injustificada” e ressaltou o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo. Atualmente, parte dos produtos exportados para o país norte-americano podem ser tributados em até 37,5%. Organizações terroristas Em maio deste ano, os EUA anunciaram, em comunicado do Departamento de Estado, o desígnio das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro tentou evitar essa designação por meses. Na avaliação do governo, isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou uma aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros. De acordo com especialistas, a classificação dessas facções como terroristas pode, na verdade, atenuar eventuais punições a quem comete crimes de narcotráfico, lavagem de dinheiro, extorsão, latrocínio e contrabando de armas e munições. Visto revogado Em 4 de agosto, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil. O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. Em nota divulgada à época, o Brasil afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil. Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião. Lula e Trump Apesar de reafirmar seu bom relacionamento pessoal com Donald Trump, o presidente Lula não o poupa de críticas. Em junho, afirmou que Trump “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas contra o Brasil enquanto os dois países negociam. Isso não impede, no entanto, encontros ou conversas telefônicas entre os dois. Após o breve encontro na ONU, em setembro de 2025, os dois se encontrariam novamente no mês seguinte em Kuala Lumpur, na Malásia, onde ocorria a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Na ocasião, Trump se disse “honrado” por encontrar o presidente brasileiro. Mas nenhum acordo foi anunciado. O último encontro entre os dois ocorreu em maio deste ano, em Washington. No encontro, Lula procurou explicar que os Estados Unidos têm superávit na relação comercial com o Brasil e que não há “prática desleal” na relação comercial. Levou documentos e acertou com seu homólogo uma mesa de negociação entre as equipes dos dois governos. A reunião durou mais de três horas. Lula também expôs as medidas do Brasil contra o crime organizado, numa tentativa de evitar a designação de facções brasileiras como terroristas, o que ocorreria dias depois. Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas. Além de encontros presenciais, os dois já conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última dessas conversas, e a mais longa, com 1h20 de duração, ocorreu em agosto. A iniciativa partiu do presidente brasileiro e a ideia era retomar as negociações comerciais e discutir a contenção de conflitos internacionais. Ambos estarão juntos novamente na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22). Lula, como presidente do Brasil, é responsável por abrir o Debate Geral, seguido do discurso do presidente dos Estados Unidos. Não há, entretanto, nenhum encontro bilateral marcado entre eles.

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