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巴西资讯巴西宏观市场2026年7月14日

巴西沿海运输减排72%,中资物流成本与碳账本迎变局

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Cabotagem pode ganhar espaço à medida que empresas buscam reduzir emissões da logística

巴西物流加速从公路转向沿海运输,2025年集装箱运量同比增24%,碳强度仅为公路的28%。中资企业需重新评估供应链碳足迹与运输成本结构。

为什么值得关注

沿海运输碳强度仅为公路28%,2025年运量增24%,中资企业物流碳成本与合规策略面临重构。

巴西物流模式正经历结构性转变:沿海运输(cabotagem)凭借显著减碳优势,正成为企业脱碳战略的关键杠杆。据巴西沿海航运公司Norcoast测算,其2025年运营避免31.78万吨二氧化碳当量排放,较全公路运输减少72.1%。同期巴西沿海集装箱运量达190万TEU,同比增长24%。对于在巴中资企业而言,这一趋势意味着物流碳成本核算、多式联运方案选择乃至供应链合规策略均需同步调整。

巴西约63%的货物依赖公路运输,而公路运输占全国运输业碳排放的92.9%。2023年巴西运输业总排放达1.9亿吨CO₂e,其中卡车贡献34%。在此背景下,沿海运输正成为降低碳强度的现实路径。Norcoast数据显示,其沿海运输碳强度为128.7 kg CO₂e/吨,仅为公路运输460.7 kg CO₂e/吨的28%。该公司由巴西Norsul与德国Hapag-Lloyd于2024年2月合资成立,运营4艘船,服务约600家客户。2025年其国内沿海货运量达87.6万TEU,同比增长15%,增速较2024年的10%明显加快。Norcoast CEO Fabiano Lorenzi表示,沿海运输并不消除末端公路运输,但可大幅减少长途依赖并改善整体碳强度。

对于在巴中资企业,尤其是制造业、农业、矿业和零售业等物流密集型行业,这一趋势直接影响供应链碳账本。巴西国家运输联合会(CNT)与物流与供应链研究所(ILOS)数据显示,当前巴西物流矩阵中公路占比63.4%,铁路18%,水运仅14.6%。沿海运输的扩张意味着中资企业可从采购、仓储到分销全链条重新评估运输模式切换的可行性与成本效益。底稿未涉及中资企业直接影响案例,但通过碳强度差异(128.7 vs 460.7 kg CO₂e/吨)可判断:若中资企业面临欧盟碳边境调节机制(CBAM)或母公司全球碳目标约束,转向沿海运输将直接降低出口产品碳足迹。

CBI解读认为,底稿数据表明巴西沿海运输已进入加速期,2025年24%的集装箱运量增速远超整体经济增速,且国内沿海货运增速从10%升至15%,显示货主主动切换意愿增强。但需注意,沿海运输依赖港口基础设施与多式联运衔接效率,巴西港口投资与清关效率仍是瓶颈。Norcoast计划通过整合海陆运输和低碳优势吸引更多货主,这为中资物流企业与货主提供了合作窗口。

待观察:一是巴西国家运输联合会(CNT)2026年物流矩阵更新数据,是否显示水运占比突破15%;二是巴西沿海航运协会(ABAC)2026年一季度沿海集装箱运量增速是否维持20%以上;三是巴西政府是否出台针对沿海运输的碳税减免或补贴政策,这将直接影响中资企业切换成本。

CBI 观察编辑判断

底稿数据确认沿海运输减碳效果显著(72.1%),且增速加快(15% vs 10%)。CBI认为,中资企业应关注巴西港口多式联运效率与碳核算标准衔接,这将是未来两年供应链优化的核心变量。

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信息概要

类型
行业趋势
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
编辑整理
地点
在巴中资制造业、农业、矿业、零售业及物流企业
核验
待核验
对象
在巴中资企业物流与供应链负责人出口商与贸易商
话题
行业趋势企业动态

来源信息

来源
Valor Econômico
原文标题
Cabotagem pode ganhar espaço à medida que empresas buscam reduzir emissões da logística
原始语言
葡萄牙语
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编辑
Clara Lin
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Cabotagem pode ganhar espaço à medida que empresas buscam reduzir emissões da logística

A forma como as mercadorias circulam pelo Brasil começa a ganhar um peso cada vez maior nas estratégias de descarbonização das empresas. Em um país onde cerca de 63% da movimentação de cargas ainda depende do transporte rodoviário, de acordo com a — o modal mais intensivo em emissões de gases de efeito estufa —, a escolha entre caminhão, trem ou navio deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a influenciar também as metas climáticas e os inventários corporativos de carbono. Um levantamento da empresa brasileira de navegação costeira Norcoast ilustra esse potencial. A companhia calculou que suas operações de cabotagem evitaram a emissão de 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2025 em comparação com um cenário hipotético em que as mesmas cargas tivessem sido transportadas exclusivamente por rodovias. A análise envolveu 49.611 fretes, que movimentaram aproximadamente 957 mil toneladas de carga ao longo do ano. Segundo o estudo, a operação intermodal da empresa — que combina transporte marítimo com trechos rodoviários para coleta e entrega — emitiu 123,2 mil toneladas de CO₂e, enquanto a simulação de um transporte totalmente rodoviário chegaria a 441 mil toneladas, uma diferença de 72,1%. A intensidade de carbono também foi menor: 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, contra 460,7 quilos no cenário exclusivamente rodoviário. "A cabotagem não elimina o transporte rodoviário, que segue essencial nas pontas, mas reduz a dependência de longos trajetos por estrada e melhora de forma relevante a intensidade de carbono da cadeia logística", afirma Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast. O estudo ganha relevância em um contexto em que a matriz logística brasileira permanece fortemente concentrada nas rodovias. Dados apresentados pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) indicam que 63,4% das cargas transportadas no país utilizam caminhões, enquanto as ferrovias respondem por 18%, o transporte aquaviário por 14,6%, os dutos por 4,1% e o modal aéreo por apenas 0,1%. Na avaliação do executivo, a concentração da matriz logística não decorre apenas da preferência pelo caminhão, mas também da limitada oferta de alternativas para longas distâncias. Essa dependência aparece também nas emissões. Segundo o Inventário CNT 2025, produzido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o setor de transportes brasileiro lançou 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023, sendo 92,9% provenientes do transporte rodoviário. Dentro desse universo, os caminhões respondem por cerca de 34% das emissões, enquanto os automóveis flex representam outros 30%. "Cada vez mais as empresas precisam conhecer a pegada de carbono de suas cadeias de suprimentos. Quando conseguimos apresentar esse impacto por frete, rota e operação, a escolha do modal deixa de considerar apenas custo e prazo e passa a integrar também a estratégia de sustentabilidade", diz Lorenzi. Segundo o executivo, o Brasil reúne características favoráveis à expansão da cabotagem, como uma extensa costa marítima, grande concentração da população e da atividade econômica no litoral e corredores logísticos que conectam regiões produtoras a grandes centros consumidores. A própria criação da Norcoast veio desta aposta. Criada pela brasileira Norsul e pela alemã Hapag-Lloyd, a Norcoast entrou em operação em fevereiro de 2024 mirando no crescimento do transporte de contêineres pela costa brasileira e na migração de cargas que hoje percorrem longas distâncias por rodovia. Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, alta de 24% sobre o ano anterior. Desse total, 45%, ou 876 mil TEUs são de movimentações domésticas de carga. Cada TEU equivale ao volume de um contêiner padrão de cerca de 6 metros de comprimento. Só a cabotagem de mercadorias domésticas cresceu 15% no ano passado. Em 2024, o segmento local já havia registrado aumento de 10%. Cabotagem: Movimentação decontêineres em TEUs Com quatro navios e cerca de 600 clientes, a Norcoast afirma que vê espaço para ampliar participação em um mercado estimado em aproximadamente 4 mil embarcadores (proprietários das cargas). Além da expansão da cabotagem, a estratégia inclui oferecer uma operação integrada entre transporte marítimo e rodoviário e usar a menor intensidade de emissões do modal como argumento para atrair empresas pressionadas a reduzir a pegada de carbono de suas cadeias logísticas. "O primeiro movimento que observamos é o das empresas buscando medir suas emissões para entender onde estão as principais oportunidades de redução", afirma Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast, e responsável pelo estudo. Alonso explica que a grande diferença na pegada de carbono dos modais está no volume de carga transportada. Embora o transporte marítimo também utilize combustíveis fósseis, um único navio da empresa pode transportar até 3,5 mil TEUs, permitindo diluir as emissões entre diversos embarcadores. Como base de comparação, um caminhão carreta padrão geralmente transporta 1 TEU; carretas maiores, com três eixos ou mais, conseguem levar 2 TEUs, no máximo, dependendo sempre do peso total da carga para respeitar os limites de balança rodoviários. "O cerne principal da discussão é que temos um modal com menor intensidade de carbono. Não estou afirmando que não emitimos CO₂ equivalente, mas, pela logística da modalidade, a gente consegue transportar mais carga", explica Alonso . Além da escala, a empresa atribui parte da eficiência a medidas operacionais, como controle da velocidade das embarcações, otimização da operação dos motores e uso de combustível marítimo de baixo teor de enxofre (LSFO). A companhia afirma ainda monitorar alternativas como biocombustíveis e hidrogênio verde, embora reconheça que essas tecnologias ainda exigem investimentos elevados e adaptações estruturais antes de uma adoção em larga escala. Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast Norcoast/Divulgação A logística entra na agenda climática Para especialistas, a importância da discussão vai além da redução direta das emissões do transporte. À medida que cresce a pressão regulatória e de investidores para que empresas contabilizem as emissões indiretas de suas cadeias produtivas — conhecidas como Escopo 3 no GHG Protocol —, a escolha do modal logístico passa a influenciar o desempenho ambiental de setores muito além do transporte. A pressão regulatória sobre o transporte marítimo global também cresce. A Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada da ONU, aprovou em julho de 2023 uma estratégia revisada de redução de emissões de gases de efeito estufa que estabelece metas progressivas para o setor: corte de pelo menos 20% — com ambição de chegar a 30% — até 2030, e de pelo menos 70% — buscando 80% — até 2040, em relação aos níveis de 2008, com objetivo de atingir emissões líquidas zero por volta de 2050. Para apoiar essa trajetória, a estratégia prevê ainda que combustíveis de emissão zero ou próxima de zero representem pelo menos 5% da matriz energética do setor já em 2030, além do desenvolvimento de um padrão global de combustíveis e um mecanismo de precificação de emissões marítimas. Embora o documento não seja juridicamente vinculante em si, as medidas criadas para implementá-lo podem ser cobradas. O Carbon Intensity Indicator (CII), indicador que classifica anualmente o desempenho de eficiência de carbono de cada navio, está em vigor desde 2023. A Norcoast, por exemplo, já monitora o desempenho da frota com a métrica. Segundo Alonso, um dos principais movimentos observados atualmente entre as empresas é justamente a medição das emissões. "O primeiro passo que as empresas estão fazendo é começar a analisar e medir as suas emissões. Por sermos uma empresa jovem, estamos conseguindo iniciar esse processo de inventariar absolutamente tudo", afirma. A metodologia utilizada pela Norcoast segue as diretrizes do GHG Protocol e considera tanto as emissões dos navios quanto dos trechos rodoviários contratados para coleta e entrega das cargas. O estudo comparou essas emissões com uma simulação em que os mesmos volumes, origens e destinos fossem atendidos exclusivamente por caminhões. Apesar dos resultados, a cabotagem ainda ocupa uma parcela relativamente pequena da matriz logística brasileira. O modal representa aproximadamente 11% do transporte de cargas no país, sendo que o segmento de contêineres — no qual a empresa atua — responde por cerca de 1% desse total. Para Lorenzi, ampliar a participação do transporte marítimo não significa substituir os caminhões, que continuarão sendo fundamentais nas etapas de coleta e distribuição. O desafio, afirma, é aumentar a integração entre os diferentes modais para reduzir a dependência das longas viagens rodoviárias e, ao mesmo tempo, tornar a logística brasileira mais eficiente e menos intensiva em carbono. Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast, e responsável pelo estudo Norcoast/ Divulgação

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