IA já está em 92% das empresas na América Latina, mas 80% relatam dificuldades na implementação
92% das empresas de médio e grande porte da América Latina já utilizam IA e 98% esperam que a tecnologia aumente a produtividade nos próximos dois a três anos. Contudo, a pesquisa da PROI Latam Squad aponta um paradoxo: apesar do otimismo, 80% das instituições relatam dificuldades na implementação.
Os dados são de um levantamento inédito da PROI Latam Squad, núcleo da rede internacional de agências de comunicação PROI Worldwide dedicado à América Latina, que ouviu executivos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.
Entre as empresas que já adotaram IA, as aplicações mais comuns são análise de dados (82%) e automação de processos (79%), enquanto os benefícios mais percebidos são os ganhos de eficiência e o apoio à tomada de decisões. O caminho, no entanto, não é simples. Dentre as dificuldades relatadas para implementação, as técnicas lideram (73%). Resistência dos funcionários e questões éticas também aparecem entre os obstáculos, com maior incidência no Chile e no Peru.
Para além da produtividade, 84% das empresas esperam que a IA impulsione o desenvolvimento de novos produtos e 78% preveem impactos positivos nos resultados financeiros. Ainda assim, 40% demonstram preocupação com ética, privacidade de dados e efeitos da tecnologia sobre o emprego.
O relatório, também, acendem preocupações com o ritmo acelerado da evolução da tecnologia, sobretudo para os cenários de eleições, concorrência e economia. A preocupação com o poder de compra chega a 88% entre as empresas argentinas e a 87% entre as brasileiras, bem acima da média regional. Logo atrás aparece a concorrência com empresas instaladas no próprio país, citada por 73% dos entrevistados.
O humor em relação ao futuro próximo também é contido: 51% das lideranças demonstram baixo otimismo quanto a uma melhora imediata da economia, e 40% manifestam alto nível de preocupação com o cenário político de 2026 e 2027.
Ainda, em meio a um período de eleições presidenciais em vários países da região, 37% dos participantes afirmam que os processos eleitorais afetam diretamente suas empresas. O impacto é mais sentido no Peru (44%) e na Colômbia (42%). As áreas mais atingidas são investimentos e financiamentos (64%) e estratégia de negócios (56%). Na Argentina, esses índices sobem para 86% e 74%, respectivamente. No Brasil, a estratégia de negócios lidera, apontada por 68% dos entrevistados.