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巴西拟设AI安全评估网络,能否进入国际测试规则圈成焦点

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Quem testa a IA também disputa poder

巴西正推进设立AI安全评估网络INSOED,文章讨论独立测试AI系统的必要性,以及巴西缺席国际AI安全研究所网络首批成员对参与规则制定的影响。

巴西一项仍在众议院审议的法案拟设立国家AI安全、机会与经济数字技术支持研究所网络(INSOED),由Inmetro负责技术协调,汇集高校、研究机构和实验室开展AI评估。据MIT Technology Review Brasil报道,该网络不具处罚或审批权,定位为技术性、协作性和咨询性机构。

文章指出,企业承诺和书面规则不足以确保AI安全,需要有人在系统面向公众前后测试其行为。英国、美国、日本已组建首批AI安全研究所,采用红队测试等方法,在受控场景中寻找普通测试难以发现的失败路径。文章援引《International AI Safety Report 2026》称,实验室测试难以预测数百万人的实际使用,这一差距被称为“评估缺口”。

巴西曾在2023年11月Bletchley Park会议上与其他28国共同承认国际合作必要性,但一年后未进入国际AI安全研究所网络的首批十个成员。文章认为,参与该网络意味着参与决定测量哪些风险、以何种语言和标准测量;仅按其他语境设计的测试可能让巴西的问题不可见。

文章还提到,2024年首尔宣言将安全、创新与包容列为相互关联的目标,但各国后续方向出现分化:2025年英国将研究所名称中的safety改为security,强化国家安全、网络攻击和犯罪用途;美国的重组则结合测试、自愿标准、安全和科技竞争。文章称,评估工具趋同,但政治目的存在分歧。

关于INSOED,文章介绍其可制定方法、开展评估、支持公共政策、培养专业人才并推动国内外科学合作。文章认为,巴西不必训练全球最大模型也能产出相关证据,例如展示葡萄牙语环境下的故障、不同群体间的结果差异或对公共服务的不适配。

文章同时列出该网络运行所需条件:专家、模型访问权限、适合巴西语境的数据和算力;持续资金;以及公开方法、局限和利益冲突。文章提到,加拿大最初五年向其研究所拨款5000万加元,但强调这一数字不能自动作为巴西预算。

文章分析,若具备实际能力,INSOED可带来三项优势:关于巴西语言、用户和服务的自主证据;参与技术标准制定;以及在国际谈判中凭借研究人员、实验室和项目提供联合评估与本地知识。文章最后称,成功与否应以巴西能测试什么、能基于这些测试影响哪些决定来衡量。

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信息概要

类型
政策法规
方向
巴西
分类
科技平台
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话题
科技合规政策
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Quem testa a IA também disputa poder

Download E-mail Enviar Uma inteligência artificial pode ajudar a escolher quem será chamado para uma entrevista de emprego, indicar se uma pessoa receberá crédito ou orientar o atendimento em um serviço público. Se ela errar, porém, quem perceberá primeiro? O candidato excluído sem explicação? A família que recebeu uma orientação médica convincente, mas incorreta? O cliente vítima de uma fraude criada com voz e imagem falsas? Há também medos menos cotidianos, mas potencialmente graves. Um sistema pode facilitar um ataque a hospitais ou serviços essenciais? Pode ensinar alguém a contornar mecanismos de segurança ou a produzir uma substância perigosa? As perguntas não significam que todo modelo fará isso. Elas mostram por que promessas das empresas e regras escritas não bastam: alguém precisa testar como esses sistemas se comportam antes e depois de chegarem ao público. O problema fica ainda mais próximo no Brasil. Um modelo que funciona bem em inglês pode entender mal uma pergunta em português, reproduzir preconceitos presentes nos dados ou falhar diante de expressões e situações locais. Quando o poder público não consegue testar essas limitações, depende das perguntas, dos dados e dos resultados escolhidos pelos próprios desenvolvedores. Quando os governos decidiram testar Foi para reduzir essa dependência que governos criaram instituições especializadas em avaliar os sistemas de IA mais avançados. Reino Unido, Estados Unidos e Japão formaram o grupo descrito em 2024 como a primeira onda dos institutos de segurança de IA: órgãos técnicos governamentais, voltados à segurança de sistemas avançados e sem poder regulatório próprio.[1] Um de seus métodos é o red-teaming, ou teste adversarial. Imagine um chatbot programado para não ensinar golpes digitais. Uma equipe assume o papel de um fraudador e tenta contornar a proteção: muda as palavras, divide o pedido em etapas aparentemente inocentes, escreve em outro idioma ou conecta o modelo a ferramentas externas. O objetivo não é confirmar que o sistema funciona em condições ideais, mas procurar caminhos de falha que um teste comum talvez não revele. O red-teaming não produz um selo geral de segurança: examina cenários escolhidos pelos avaliadores. Outros testes comparam desempenho, resistência a ataques ou possíveis efeitos discriminatórios. Ainda assim, o laboratório pode não prever o uso por milhões de pessoas. O International AI Safety Report 2026 chama essa diferença de “lacuna de avaliação”.[2] Uma conversa internacional sem o Brasil A cooperação ganhou forma na reunião de Bletchley Park, em novembro de 2023. O Brasil estava entre os 28 países que reconheceram a necessidade de colaboração internacional diante dos riscos e das oportunidades dos modelos mais avançados.[3] Um ano depois, porém, não apareceu entre os dez integrantes iniciais da Rede Internacional de Institutos de Segurança de IA.[4] Essa diferença importa. Bletchley foi um compromisso diplomático. A rede internacional criou uma rotina técnica: seus integrantes comparam métodos, realizam exercícios conjuntos e discutem como interpretar testes. Quem participa ajuda a decidir quais riscos serão medidos, em quais idiomas e com quais critérios. Um teste desenhado apenas para outros contextos pode deixar problemas brasileiros invisíveis. Essa agenda não ficou restrita à prevenção de catástrofes. Em maio de 2024, a Declaração de Seul tratou segurança, inovação e inclusão como objetivos ligados. Depois, os mandatos nacionais tomaram direções diferentes. Em 2025, o Reino Unido trocou safety por security no nome de seu instituto e reforçou o foco em segurança nacional, ataques cibernéticos e usos criminosos. Nos Estados Unidos, a reorganização passou a combinar testes, padrões voluntários, segurança e competição tecnológica.[10] Há convergência nas ferramentas de avaliação, mas divergência nas finalidades políticas atribuídas a elas. Quem participa do desenvolvimento desses métodos ajuda a definir quais comportamentos serão observados e que evidências serão consideradas relevantes. Isso não significa que os institutos possam, sozinhos, criar normas obrigatórias para o mundo. Significa que seus trabalhos podem influenciar padrões técnicos, compras públicas, compromissos empresariais e decisões regulatórias. Os acordos com empresas mostram outra vantagem institucional. Em 2024, o instituto americano obteve da OpenAI e da Anthropic acesso a novos modelos antes e depois do lançamento. Em 2026, seu sucessor anunciou avaliações anteriores à implantação com Google DeepMind, Microsoft e xAI.[5] O acesso não é irrestrito, mas permite investigar além da versão pública do produto. Essa cooperação exige independência. O avaliador público precisa explicar as limitações do acesso e divulgar conclusões desfavoráveis, para que o teste não funcione como validação institucional da empresa. O problema brasileiro é diferente Reino Unido e Estados Unidos estão próximos das empresas e da infraestrutura que produzem os modelos mais avançados. O Brasil depende de tecnologias e serviços digitais fornecidos por poucos agentes globais, embora possua conhecimento científico distribuído por universidades, laboratórios e órgãos públicos.[6] Por isso, copiar um instituto estrangeiro não basta. O país precisa conectar especialistas, criar testes em português e examinar como os sistemas funcionam em serviços e condições locais. Nosso país não precisa treinar o maior modelo do mundo para produzir evidências relevantes. Pode mostrar falhas em português, resultados diferentes entre grupos ou inadequação a um serviço público. Esse conhecimento dá conteúdo técnico à negociação internacional. O que a INSOED pode fazer É nesse cenário que surge a Rede Nacional de Institutos de Segurança, Oportunidades e Apoio Técnico à Economia Digital, a INSOED. Ela está prevista no substitutivo apresentado em agosto de 2026 ao Projeto de Lei 5.960 de 2025, ainda em tramitação na Câmara dos Deputados.[6] A proposta não cria uma agência com poder para multar, autorizar ou proibir sistemas. Ela permite reunir universidades, centros de pesquisa, laboratórios e organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos. A rede teria natureza técnica, colaborativa e consultiva. Poderia desenvolver métodos, realizar avaliações, apoiar políticas públicas, formar profissionais e promover cooperação científica nacional e internacional. O Inmetro, órgão responsável por medições, ensaios e padrões de qualidade, exerceria a coordenação técnica.[6] A escolha do Inmetro tem uma lógica. Avaliar IA exige definir o que será medido, comparar resultados e informar a margem de incerteza. Nos Estados Unidos, a estrutura federal de avaliação está vinculada ao instituto nacional de padrões e tecnologia. Na França, o laboratório nacional de metrologia e ensaios integra o instituto de segurança de IA.[5][7] A analogia com a qualidade industrial, porém, tem limites. Um modelo pode mudar após uma atualização, responder de forma diferente conforme o contexto e ganhar novas capacidades quando é conectado à internet ou a outras ferramentas. Testar IA não equivale a verificar um eletrodoméstico. A experiência do Inmetro precisa ser combinada com conhecimentos de aprendizado de máquina, cibersegurança, ciências sociais e setores como saúde, finanças e administração pública. O formato distribuído não é uma invenção brasileira. A Índia adotou um modelo que conecta governo, universidades, empresas e startups. A França reuniu quatro instituições existentes, inclusive seu laboratório nacional de metrologia, sem criar uma nova pessoa jurídica.[7] A vantagem desse desenho para o Brasil é aproveitar competências que já estão espalhadas pelo país. O risco é criar uma rede no papel sem equipe, recursos ou responsabilidades claras. A INSOED também pode preencher uma lacuna de representação internacional. Ao institucionalizar a colaboração entre múltiplos atores, o Brasil ganha um interlocutor técnico identificável para cooperar com institutos estrangeiros e apresentar avaliações produzidas no país. A aprovação da lei não concede automaticamente uma vaga em cada fórum. Cada organização possui regras próprias. Mas cria uma estrutura permanente para que o país reivindique e ocupe esse espaço com contribuições verificáveis, em vez de participar apenas como receptor de métodos definidos no exterior. Um assento exige capacidade Para funcionar, a rede precisará de especialistas, acesso aos modelos, dados adequados ao contexto brasileiro e capacidade computacional. O projeto de um novo supercomputador conduzido pelo Laboratório Nacional de Computação Científica pode ampliar a infraestrutura disponível no país, mas o anúncio não estabelece que a INSOED terá acesso ao equipamento.[8] O acesso aos próprios sistemas é igualmente decisivo. Pesquisadores qualificados e boas máquinas não permitem examinar profundamente um modelo fechado sem documentação, tempo e cooperação do desenvolvedor. Modelos abertos e serviços já disponíveis também podem ser testados, mas respondem a perguntas diferentes e não substituem avaliações anteriores ao lançamento. Também será necessário financiamento contínuo. O Canadá destinou inicialmente 50 milhões de dólares canadenses ao seu instituto por cinco anos.[9] O número não serve como orçamento automático para o Brasil. Ele mostra que avaliações repetidas, bases de teste protegidas e equipes atualizadas não se sustentam apenas com projetos temporários. Por fim, a rede precisará publicar métodos, limites e conflitos de interesse. O próprio substitutivo prevê transparência, independência técnica, prevenção de conflitos e divulgação das fontes de financiamento.[6] Esses princípios terão de aparecer na seleção dos participantes, nos acordos com empresas e na liberdade para divulgar resultados desfavoráveis. Se adquirir capacidade real, a INSOED produzirá três vantagens. A primeira é evidência própria sobre idiomas, usuários e serviços brasileiros. A segunda é participação na elaboração de padrões técnicos, que começam como referências voluntárias, mas podem orientar contratos, compras públicas e regulamentos. A terceira é poder de negociação: uma rede com pesquisadores, laboratórios e projetos claros pode oferecer avaliações conjuntas e conhecimento local ao buscar acesso a modelos e cooperação estrangeira. Essa é uma forma concreta de autonomia. Ela não significa controlar toda a cadeia tecnológica ou desenvolver sozinho os modelos mais avançados. Significa conseguir testar afirmações, interpretar resultados e decidir sem depender integralmente dos diagnósticos produzidos por empresas ou outros governos. Ter “assento” nas discussões internacionais sobre segurança da IA significa mais do que receber um convite. Significa chegar com evidências próprias, contestar testes inadequados ao país e propor alternativas que outros participantes possam reproduzir. O sucesso da INSOED deverá ser medido por aquilo que o Brasil conseguir testar e pelas decisões que conseguir influenciar a partir desses testes. Fontes 1. ARAUJO, Renan; FORT, Kristina; GUEST, Oliver. Understanding the First Wave of AI Safety Institutes. Institute for AI Policy and Strategy, outubro de 2024. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2410.09219. Acesso em 20 set.2026. 2. International AI Safety Report 2026. Extended Summary for Policymakers, 3 de fevereiro de 2026. Avaliação científica produzida por mais de 100 especialistas independentes; a síntese remete ao relatório integral para as referências. Disponível em: https://internationalaisafetyreport.org/publication/2026-report-extended-summary-policymakers. Acesso em 18 set. 2026. 3. Governo do Reino Unido. Comunicado e lista dos participantes da Declaração de Bletchley, 1º de novembro de 2023. Fonte governamental primária para participantes e compromissos anunciados. Disponível em: https://www.gov.uk/government/news/countries-agree-to-safe-and-responsible-development-of-frontier-ai-in-landmark-bletchley-declar

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