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美国借伊泰普电力在巴拉圭签AI与铀矿大单

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EUA faz mega acordos com energia de Itaipu para AI e urânio – mas no Paraguai

美国副国务卿兰道访问伊泰普水电站,宣布美巴企业在巴拉圭利用伊泰普电力建设AI基础设施并投资铀矿勘探。

美国副国务卿克里斯托弗·兰道昨日访问伊泰普水电站,宣布在巴拉圭达成一项大型人工智能基础设施项目协议及铀矿勘探协议。美国Crusoe与巴拉圭Araico建立战略伙伴关系,利用伊泰普电力建设AI项目,首期预计2027年中投运,向美国和拉美提供云服务;美国Uranium Energy Corp宣布投资1200万美元开发其在巴拉圭的铀矿特许权。

美国国务院称,这可能是巴拉圭历史上最大的私人投资之一。Araico计划建设名为Iguazi AI City的数据中心园区,长期总容量目标为1.3 GW。兰道此行由贸易代表团陪同,目的是为美国企业在技术、关键矿产、河流基础设施和物流领域打开机会。

巴拉圭总统圣地亚哥·培尼亚陪同参观。该国政府正以能源充裕为优势吸引AI产业投资。Scala Data Centers首席执行官Marcos Peigo表示,如果巴西不尽快批准州级税收激励措施,巴拉圭有可能先于巴西达到1 GW的数据中心规模。

文章指出,巴拉圭能凭借伊泰普电力在数据中心竞赛中抢先,而伊泰普项目完全由巴西国家财政担保的贷款融资。根据Acende Brasil研究所数据,在两国各占50%发电份额的机制下,2025年巴拉圭实际使用36%的电力,获得59%的资金转移,而巴西承担89%的成本。自伊泰普运营以来,巴西净支付898亿美元,巴拉圭净收入59亿美元。

Acende Brasil主席Claudio Sales表示,1973年《伊泰普条约》的设计本是巧妙的外交工程,但近二十年被对巴西不利的谈判不断侵蚀。他举例说,2009年卢拉与费尔南多·卢戈总统之间的协议提高了对巴拉圭未使用电力份额的支付,而伊泰普社会环境支出从2016年前的约每年1亿美元升至2022年的5.05亿美元,2025年更飙升至12亿美元。Sales称,这些支出被用于COP-30工程、拉美一体化联邦大学以及“对政府机构的支持”等未必符合其科目的用途,且因伊泰普源于两国条约,不受巴西联邦审计法院和国会控制。

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EUA faz mega acordos com energia de Itaipu para AI e urânio – mas no Paraguai

O vice-Secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, esteve ontem em Itaipu e anunciou acordos para um enorme projeto de infraestrutura de inteligência artificial e para a exploração de urânio. Tudo no Paraguai. Landau fez um tour pela hidrelétrica – que inclusive está jogando água pelo vertedouro no momento, devido às chuvas do El Niño, em cenas que deslumbram os turistas – acompanhado do presidente paraguaio Santiago Peña, cujo governo tem buscado atrair investimentos da indústria de AI usando como trunfo a abundância de energia do país. Segundo o Departamento de Estado, duas empresas de infraestrutura para AI, a americana Crusoe e a paraguaia Araico, fecharam uma parceria estratégica para um projeto usando a eletricidade de Itaipu. “Esse é potencialmente um dos maiores investimentos privados na história do Paraguai”, disse o órgão do Governo americano num comunicado. A previsão das empresas é que uma primeira etapa do projeto possa iniciar operação já em meados de 2027, oferecendo serviços de cloud para consumidores nos EUA e na América Latina. Outra companhia americana, a Uranium Energy Corp, anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver suas concessões de exploração de urânio em solo paraguaio. O Departamento de Estado disse que a visita ao país, acompanhada de uma delegação comercial, teve como objetivo abrir oportunidades para empresas dos EUA em tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística. A paraguaia Araico, envolvida no anúncio sobre o projeto de infra de AI, tem planos para um campus de data centers, o Iguazi AI City, com uma meta de atingir até 1,3 GW em capacidade total no longo prazo. Para o CEO da Scala Data Centers, Marcos Peigo, o país vizinho tem potencial para atingir a marca de 1 GW em data centers antes do Brasil se o País não aprovar logo incentivos tributários estaduais à indústria, após a recente aprovação do Redata no Congresso. “O Paraguai fez a lição de casa de rodar o mundo com o presidente, está cumprindo suas promessas, e tem energia barata disponível, porque tem metade da geração de Itaipu e metade da geração de uma usina em sociedade com a Argentina (Yaciretá), e não tem consumo no país.” Não deixa de ser interessante que os paraguaios possam sair na frente neste início da corrida pelos data centers usando justamente a energia de Itaipu, um empreendimento totalmente financiado por empréstimos garantidos pelo Tesouro Nacional do Brasil. No projeto binacional, cada um dos lados tem direito a 50% da geração do empreendimento no Rio Paraná. Mas, na prática, o Paraguai usou 36% da energia e recebeu 59% dos repasses financeiros da usina em 2025, devido à remuneração pela cessão de parte de sua fatia na produção, enquanto 89% dos custos ficam com os brasileiros, de acordo com dados do Instituto Acende Brasil. Se analisados os pagamentos e recebimentos líquidos de cada lado desde o início das operações de Itaipu, o Brasil pagou US$ 89,8 bilhões, enquanto o Paraguai obteve receitas de US$ 5,9 bilhões, ainda segundo o Acende Brasil. Pelas condições do Tratado de Itaipu, assinado em 1973, era natural que os brasileiros acabassem pagando mais, porque o acordo foi desenhado de forma a permitir que o país vizinho, com economia bem menor, tivesse como arcar com seus compromissos – mas essa desproporção aumentou além do esperado. “O desenho do tratado em si é de uma brilhante engenharia diplomática, mas ele foi sendo alvejado por negociações péssimas ao Brasil e favorecendo o Paraguai, principalmente nos últimos vinte anos. Isso fez os números finais terem essa distorção. Tudo isso é pago pelo consumidor de energia aqui, na conta de luz,” disse o presidente do Acende Brasil, Claudio Sales. Ele citou como exemplo desde um acordo entre os presidentes Lula e Fernando Lugo, ainda em 2009, que aumentou os pagamentos pela fatia não usada da energia dos paraguaios, até a recente disparada dos custos socioambientais da usina, repassados à sua tarifa, que acabam também bancados em maior proporção pelo Brasil devido a seu maior consumo. Essas despesas socioambientais de Itaipu costumavam ficar na casa de US$ 100 milhões por ano até 2016. Começaram então uma escalada gradual para até US$ 505 milhões em 2022, disparando depois para US$ 1,2 bilhão em 2025. Nos últimos anos, eles foram utilizados para diversos fins, nem sempre alinhados à sua rubrica, como obras para a COP-30 no Pará e para a Universidade Federal de Integração Latino-Americana, além de "apoios a órgãos governamentais.” "Essas despesas viraram um verdadeiro orçamento paralelo – que, por Itaipu ser fruto de um tratado binacional, não se sujeita aos controles do Tribunal de Contas da União e do Congresso,” disse Sales.

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