← 返回巴西资讯
巴西资讯巴西宏观市场2026年7月3日

巴西脱离饥饿地图一周年,650万人仍严重缺粮——中资农业与零售企业需关注政策传导

分享

Brasil completa 1 ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem

巴西脱离联合国饥饿地图一周年,营养不良率降至2.5%以下,但仍有650万人严重缺粮;政府通过“巴西无饥饿计划”强化家庭农业与学校膳食,中资食品进口、零售及农业投资企业需关注政策对供应链和消费市场的间接影响。

为什么值得关注

巴西粮食安全政策直接影响家庭农业补贴、学校膳食采购及社区厨房扩张,中资食品进口、零售及农业投资企业需评估区域供需变化与消费市场结构。

2025年7月,巴西正式脱离联合国饥饿地图(Mapa da Fome)满一周年。数据显示,巴西营养不良或缺乏充足食物的人口比例已降至2.5%以下,为历史最低水平。然而,仍有约650万巴西人处于严重粮食不安全状态。社会发展部(MDS)特别秘书Valéria Burity表示,政府正通过“巴西无饥饿计划”(Plano Brasil sem Fome)协调经济与社会保护政策,目标是将所有巴西人纳入充足健康饮食的保障体系。对于在巴西从事食品进口、零售及农业投资的中资企业而言,这一政策动向意味着家庭农业支持、学校膳食调整及社区厨房扩张可能改变区域供需格局,进而影响采购成本与消费市场结构。

据巴西国家通讯社(Agência Brasil)报道,截至2025年7月,巴西已连续一年处于联合国饥饿地图门槛以下,营养不良或缺乏充足食物的人口比例降至2.5%以下。尽管取得这一成就,仍有约650万巴西人面临严重粮食不安全,即无法保证每日基本饮食。与此同时,77%的巴西人口享有粮食安全,能够定期、持久且充足地获取健康优质食品。圣保罗大学(Universidade de São Paulo)公共卫生学院国家抗击饥饿科技研究所研究员Lucas de Almeida Moura指出,当前的关键是建立使粮食不安全指数持续下降的永久化机制。他参与创建的多维粮食不安全指数(MUFII)基于12个可持续发展指标,显示2022年全国情况恶化,北部和东北部大部分州的多维粮食不安全水平超过50%,其中马拉尼昂州、阿克雷州和亚马逊州最为严重。

对于在巴西的中资企业,这一政策背景直接关联食品进口、零售分销及农业投资领域。底稿未涉及中资企业直接影响,但通过以下机制间接传导:第一,“巴西无饥饿计划”重点支持家庭农业和调整学校膳食计划(PNAE),可能改变大宗农产品(如玉米、大豆、牛奶)的采购流向,中资食品加工企业需关注区域供应稳定性;第二,社区厨房扩张将增加对基础食品(大米、豆类、食用油)的集中采购需求,可能推高特定品类批发价格;第三,最低工资自2022年起累计涨幅超6%,叠加失业率降至13年最低,低收入群体购买力提升,中资零售企业可关注面向C类及以下消费市场的品类策略调整。

CBI解读:底稿数据表明,巴西粮食安全改善主要得益于三大政策支柱——减少不平等(就业与收入政策)、加强社会保护(Bolsa Família家庭补助金、Cadastro Único统一登记系统、PNAE学校膳食计划)以及强化食品生产与供应政策。CBI认为,这一政策组合具有高度政治延续性,2026年大选前不会出现根本转向。对于中资企业,短期影响有限,但中期需关注:家庭农业扶持可能减少对进口大豆、玉米的依赖;学校膳食调整可能改变牛奶、谷物等品类采购标准;社区厨房网络扩张将创造新的B2B供应机会。多维粮食不安全指数(MUFII)显示北部和东北部州情况最差,这些区域也是中资基础设施和农业项目集中区,企业应评估当地劳动力粮食安全状况对项目运营稳定性的潜在影响。

待观察:一是“巴西无饥饿计划”2025-2026年度预算执行情况,特别是家庭农业补贴和学校膳食采购金额是否超预期增长;二是MUFII指数2023-2024年数据发布时(预计2026年初),北部和东北部州多维粮食不安全水平是否出现拐点;三是巴西国会是否通过任何修改Bolsa Família资格标准的法案,这将直接影响低收入群体消费能力。

CBI 观察编辑判断

事实:巴西营养不良率降至2.5%以下,但650万人仍严重缺粮,政府通过“巴西无饥饿计划”强化家庭农业与学校膳食。CBI认为,该政策组合具有高度政治延续性,中资企业应关注北部和东北部州粮食不安全水平对项目运营的间接影响,以及社区厨房扩张带来的B2B供应机会。

这条资讯对你有帮助吗?

信息概要

类型
公共事件
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
编辑整理
地点
食品进口商、零售分销商、农业投资者
核验
待核验
对象
在巴中资食品进口与加工企业在巴中资零售与分销企业在巴中资农业投资与基础设施企业
话题
政策公共事件

来源信息

来源
Agência Brasil — Economia
原文标题
Brasil completa 1 ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem
原始语言
葡萄牙语
原文链接
查看原文 →
编辑
Clara Lin
查看原文(葡萄牙语

Brasil completa 1 ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem

Em julho de 2025, há um ano, o Brasil deixou o Mapa da Fome o que resultou em menos de 2,5% da população com risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente. Apesar da conquista, ainda há no país cerca de 6,5 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave. Esse é o menor patamar da série histórica, mas, segundo especialistas entrevistados pela Agência Brasil, ainda é preciso combater a fome. Fora aqueles que estão em situação mais grave, a segurança alimentar, ou seja, o acesso regular, permanente e suficiente a alimentos saudáveis e de qualidade, é garantido a 77% da população brasileira. Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, é preciso encontrar mecanismos que tornem permanentes as estratégias que reduziram o índice de insegurança alimentar no Brasil. “Termos alcançado esse marco, pela segunda vez, de saída do Mapa da Fome, é resultado de uma intersetorialidade muito forte entre as políticas públicas. Isso precisa de fato ser mantido e, mais do que mantido, aprimorado.” De acordo com o especialista, o combate à insegurança alimentar não está centrado somente na oferta de alimentos, mas na criação e na manutenção de toda uma estrutura complexa que vai garantir o acesso adequado à alimentação. Isso envolve a garantia de uma renda mínima, educação, acesso à água, esgotamento sanitário, segurança pública, emprego.  Lucas Moura é autor do estudo que criou um ponto de medição multidimensional para a insegurança alimentar no Brasil, denominado Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, cujo primeiro número foi lançado em janeiro deste ano, abrangendo o período de 2018 a 2022.  Os resultados do MUFII (do nome em inglês) foram publicados na revista Sustainability. A pesquisa propõe avaliação da fome a partir de 12 indicadores de Desenvolvimento Sustentável, comparando ano a ano. Os resultados mostraram piora no cenário nacional em 2022, revelando que os menores valores médios foram encontrados em Santa Catarina, enquanto os maiores foram registrados no Maranhão, Acre e Amazonas. Os dados apontam que a maior parte dos estados do Norte e Nordeste do Brasil está em um nível acima dos 50% de insegurança alimentar multidimensional. A ideia dos pesquisadores é atualizar o índice para os anos posteriores a 2022.  Políticas públicas De acordo com a secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Valéria Burity, a meta é garantir que os brasileiros consigam se alimentar com qualidade e que isso seja um direito de todos. “Essa é uma meta de longo prazo de impacto: a gente garantir direito à alimentação adequada saudável como um direito para toda a população brasileira.” Uma das ações que mais impactaram nesta redução foi o Plano Brasil sem Fome, que articula medidas de política econômica e de proteção social. O plano fomentou a agricultura familiar, fez reajuste na alimentação escolar, apoiou as cozinhas comunitárias e determinou meios para garantir proteção social, trabalho, renda e acesso à alimentação adequada. Segundo a secretária, a prioridade atual é a inclusão das pessoas que ainda estão em risco de insegurança alimentar em políticas públicas, apoiando estados e municípios para que também consigam fazer o mesmo movimento. Três pilares A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora do Instituto Fome Zero (IFZ), destacou que três grandes movimentos levaram a fome a patamares tão baixos novamente.  Em primeiro lugar, foram mecanismos de diminuição dessa desigualdade. “Se o acúmulo de riqueza e desigualdade estão na raiz da fome, combater a desigualdade está na raiz do caminho para sair dela.” As políticas de emprego e renda foram fundamentais para isso. “A gente tem hoje o menor índice de desemprego em 13 anos; temos uma elevação do salário mínimo que alcançou reajustes superiores a 6% a partir de 2022. Então, nessa primeira dimensão de combater a desigualdade, a gente tem sido muito bem-sucedido.” Uma segunda frente foi o fortalecimento das políticas públicas de proteção social. Não se trata apenas da diminuição da desigualdade por meio do emprego mas, sim, a criação de mais emprego, de mais renda, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).  No âmbito do Bolsa Família, os resultados são positivos e mostram que as famílias atendidas conseguem evoluir para uma condição de emprego, conseguem melhorar a escolarização das suas crianças “e muitas das famílias deixam o Bolsa Família, justamente porque melhora a sua condição familiar”. Citou também ganhos com o Cadastro Único, que foi modernizado recentemente em 2025 e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. A terceira frente muito importante, que também explica a saída do Mapa da Fome, são as ações relativas à produção de alimentos, com o fortalecimento das políticas de abastecimento, sobretudo com incentivo à produção de alimentos da agricultura familiar, que está mais próxima da comida que vai à mesa do povo. Para a diretora do Instituto Fome Zero, o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que estava praticamente extinto, sem financiamento, tem sido fundamental para a agricultura familiar. “Pode-se discutir abastecimento na perspectiva do alimento como função social e da terra não como um bem que favorece o mercado internacional de commodities.” Insegurança alimentar O economista e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Daniel Duque também destaca o protagonismo do Bolsa Família na redução da fome no país. Segundo ele, o aumento da assistência à renda permitiu que milhões de famílias voltassem a ter poder de compra. Além disso, ele ressalta que os preços dos alimentos tiveram desaceleração em relação à inflação geral a partir de 2023 e também nos anos subsequentes de 2024 e 2025, com o país apresentando boas safras, o que ajudou a controlar os preços dos alimentos. Do mesmo modo, o mercado de trabalho melhorou bastante nesse período, contribuindo de forma significativa para a situação brasileira avançar. Para que o Brasil se mantenha fora do Mapa da Fome e reduza os índices de insegurança alimentar, o país precisa manter uma situação do mercado de trabalho favorável. “Até agora, não parece haver nenhum indicativo de reversão do emprego”, afirmou Duque.

觉得有价值?

分享给需要了解巴西市场的朋友

帮助更多中国企业看懂巴西,做成生意

China Brazil Insight · 中巴合作价值链中的信息节点

这条资讯影响你的业务吗?

CBI 提供从信息到行动的完整支持