"Guerra híbrida exige nova visão sobre soberania de dados e infraestruturas", diz Chairman do Grupo Summit
A escalada dos conflitos globais e a dependência de tecnologias estrangeiras impõem desafios para a resiliência das infraestruturas críticas nacionais. O avanço da guerra híbrida transforma operações cibernéticas em armas de impacto direto na vida dos cidadãos, superando motivações financeiras e exigindo reavaliações estruturais. Diante desse cenário instável, governos e empresas buscam urgentemente soluções para garantir a continuidade operacional.
"Eu acredito que o cenário geopolítico de hoje está muito crítico, de sorte que já vemos um cenário de guerra híbrida em diversos conflitos ativos no mundo. Esse modo de ação gera poucos riscos para os atacantes, que podem tornar as infraestruturas críticas dos adversários nacionais em alvos de impacto direto na vida dos cidadãos. Isso mostra que a motivação do ataque está indo muito além dos ganhos financeiros", disse Rafael Narezzi, Chairman do Grupo Summit, durante entrevista no Cyber Security Forum 2026.
https://youtu.be/UJH4GrI2j9s
Diante das vulnerabilidades expostas pela centralização tecnológica em poucas potências, o mercado global observa um movimento de repatriação de dados. A busca por autonomia digital impulsiona a migração para infraestruturas locais e plataformas open source, com destaque para a postura de corporações europeias que reduzem sua confiança em operadoras de nuvem norte-americanas para assegurar operações mais protegidas.
Para mitigar riscos e fortalecer a resiliência nacional, o executivo a concessão de incentivos fiscais e o estímulo constante ao empreendedorismo tecnológico. A estratégia visa impulsionar a criação de startups de cibersegurança e alavancar novos atores no Brasil, estabelecendo uma arquitetura sólida de defesa capaz de suportar as demandas estratégicas de um ambiente de negócios cada vez mais complexo e desafiador.
"Nesse contexto, é essencial que o poder público forneça novos meios para impulsionar esses mercados dentro do cenário brasileiro. Isso inclui movimentar transformações no nosso cenário fiscal bem como ampliar o incentivo à startups que tragam novo fôlego para o mercado, e começar a alavancar novos players nacionais nesse mercado. Embora essa não seja uma demanda exclusiva do Brasil, o país pode se tornar um agente influente", afirmou Narezzi.
Essas ações geram impactos positivos diretos na soberania digital do ecossistema brasileiro, aumentando a proteção de dados sensíveis e fortalecendo a confiança no setor corporativo. Ao diminuir a dependência externa e criar opções nacionais robustas, o mercado local constrói maior maturidade digital e melhora a eficiência das respostas contra incidentes críticos para empresas parceiras.
O futuro da cibersegurança no Brasil exige cooperação entre setor público e iniciativa privada para garantir fundações sólidas de defesa cibernética. "Essa é uma tendência que devemos ver fortalecida no futuro, então precisamos, enquanto sociedade, nos questionar qual será o papel do Brasil nesse aspecto e como devemos incentivar essa transformação, inclusive na construção de uma arquitetura de base para sustentar essas mudanças. Se tivermos garantido o básico dessa fundação, poderemos evoluir nossa qualidade de participante ativo desse mercado", concluiu Narezzi.