Stark Infra prepara infraestrutura para a próxima geração dos pagamentos
A inteligência artificial já deixou de ser uma discussão sobre possibilidades futuras no setor financeiro e começa a entrar em uma etapa mais prática, na qual empresas precisam definir como permitir que os agentes atuem em nome de pessoas e organizações sem comprometer segurança, governança e controle. Essa foi uma das principais percepções de Felipe Facchini, CEO da Stark Infra, durante entrevista à TI Inside no terceiro dia da FEBRABAN Tech 2026.
Na avaliação do executivo, a evolução dos agentes de IA está deslocando o debate para a infraestrutura necessária para que esses sistemas possam executar ações financeiras. Fazer uma compra, escolher um fornecedor ou realizar uma transação são exemplos de atividades que podem deixar de depender integralmente de uma interação humana, mas a autonomia traz consigo uma série de requisitos técnicos e de governança.
“Os grandes casos que começamos a discutir agora são justamente aqueles que colocam em questão até onde a IA vai e até onde vai o papel do humano”, afirma Felipe.
A questão não está apenas em determinar se um agente poderá realizar uma determinada tarefa, mas em estabelecer quanto de autonomia ele terá e em quais momentos a decisão precisará retornar ao usuário. Um sistema pode, por exemplo, fazer toda a preparação de uma compra e solicitar apenas a aprovação final, ou assumir a execução completa da operação.
Para que essa segunda possibilidade avance, é necessário construir uma infraestrutura capaz de sustentar a autonomia dos agentes.
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IA sai do experimento e entra na operação
Segundo Felipe, a utilização prática da IA já acontece em diferentes frentes, principalmente na otimização de processos internos e no atendimento, áreas nas quais a tecnologia pode reduzir custos e melhorar a eficiência operacional.
A próxima etapa envolve agentes capazes de tomar decisões e agir diretamente em nome dos usuários. É justamente nessa transição que segurança, infraestrutura e governança passam a ocupar uma posição central.
Para o executivo, não basta disponibilizar um agente e esperar que ele funcione de maneira adequada. As empresas precisam conhecer o que existe por trás da solução, mapear os componentes envolvidos, testar seus comportamentos e estabelecer mecanismos de controle.
“Se você não tiver governança, infraestrutura, segurança, não testar e não conseguir entender e mapear 100% do que está por trás daquele agente, de tudo que está rodando com IA, com certeza você vai falhar.”
A preocupação é especialmente relevante no setor financeiro, em que os agentes podem atuar sobre operações sensíveis. Quanto maior a autonomia, maior também é a necessidade de saber o que o sistema pode fazer, quais dados pode acessar e quais decisões está autorizado a executar.
O Pix como infraestrutura para a próxima evolução
A discussão sobre agentes também se conecta diretamente à evolução dos meios de pagamento brasileiros. Para Felipe, o Pix representa uma das principais infraestruturas sobre as quais novas aplicações financeiras poderão ser construídas.
A Stark Infra tem o processamento de Pix como parte central de sua operação e, segundo o executivo, mantém uma agenda próxima ao Banco Central para acompanhar a evolução do sistema. A chegada do Pix Automático, além das discussões sobre Pix Crédito e Pix Internacional, amplia as possibilidades de utilização dos trilhos de pagamentos instantâneos.
Mais do que uma modalidade de pagamento, o Pix passou a funcionar como uma infraestrutura sobre a qual novas experiências financeiras podem ser desenvolvidas.
Essa característica ganha importância com o avanço da IA. Sistemas capazes de interpretar informações, tomar decisões e executar ações precisam estar conectados a estruturas que permitam que essas decisões sejam transformadas em transações.
Segundo Felipe, a própria infraestrutura construída para o Pix é um dos elementos que tornam possível conectar essas novas aplicações ao sistema financeiro em tempo real.
“É justamente o que vai permitir o fato de ele ser um sistema real-time todo integrado, é o que possibilita que você consiga de fato colocar todas essas inovações oriundas de IA para rodar.”
A evolução, entretanto, não significa flexibilizar os requisitos de segurança. O movimento conduzido pelo Banco Central elevou a régua para as empresas que operam essa infraestrutura, e Felipe considera essa evolução necessária para acompanhar a sofisticação dos serviços financeiros.
Infraestrutura deixa de ser bastidor
Para a Stark Infra, essa transformação também representa uma mudança na própria função da infraestrutura financeira. Se anteriormente ela era percebida principalmente como uma camada operacional, o avanço dos novos serviços exige que seja capaz de conectar diferentes produtos, meios de pagamento e aplicações de inteligência artificial.
Felipe afirma que o futuro do setor passa pela criação de novos produtos e serviços conectados entre si, utilizando a IA de forma cada vez mais integrada. A empresa vem trabalhando nessa direção com novos produtos, incluindo uma solução de Ledger, além de recursos de IA incorporados às suas soluções e ferramentas desenvolvidas especificamente para seus clientes.
A estratégia combina dois objetivos que tradicionalmente aparecem separados nas discussões sobre IA: ganhar eficiência e ampliar a capacidade comercial.
A tecnologia pode reduzir processos operacionais, mas também ajudar empresas a vender mais, segundo o executivo. Isso desloca a discussão sobre IA de uma agenda exclusivamente voltada à produtividade para uma perspectiva mais ampla, relacionada à geração de novas oportunidades de negócio.
O futuro depende de uma infraestrutura integrada
A evolução dos pagamentos tende, portanto, a acontecer pela combinação entre diferentes tecnologias e trilhos, e não pela substituição de uma infraestrutura por outra. Pix, novos meios de pagamento, IA e serviços financeiros precisam funcionar de maneira integrada para que as empresas consigam oferecer experiências mais simples aos clientes.
Nesse cenário, o papel da infraestrutura passa a ser justamente permitir que essa complexidade permaneça nos bastidores. Para quem compra ou vende, o processo precisa ser cada vez mais simples, enquanto as camadas tecnológicas responsáveis por viabilizar a transação se tornam mais sofisticadas.
A visão apresentada por Felipe coloca a infraestrutura no centro de uma transformação que vai além da própria IA. À medida que agentes passam a tomar decisões e executar transações, segurança, governança, conectividade e capacidade de processamento deixam de ser apenas requisitos técnicos e passam a determinar até onde a autonomia financeira poderá avançar.
Para a Stark Infra, a próxima etapa dos pagamentos será marcada justamente por essa combinação, com novas aplicações de IA operando sobre uma infraestrutura financeira capaz de conectar diferentes serviços e permitir que as transações aconteçam de forma mais eficiente.