NDB acelera empréstimos em moeda local — bancos brasileiros e exportadores redesenham hedge cambial
BRICS is building a bank for the Global South
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), braço financeiro dos BRICS, projeta que mais de 45% de seus financiamentos serão em moedas locais até 2031, sinalizando uma guinada estrutural no financiamento de infraestrutura e comércio no Sul Global. Para o Brasil, isso abre espaço para reduzir dependênc...
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Setores de infraestrutura, agronegócio e mineração podem ter acesso a crédito em reais via NDB, reduzindo risco cambial em contratos de longo prazo com China e África.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição criada pelos BRICS em 2015, pretende que mais de 45% de sua carteira de projetos seja financiada em moedas locais até 2031, segundo Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia e presidente do Conselho de Governadores do banco. A meta, anunciada em maio, marca uma inflexão na estratégia do NDB, que até agora concentrava seus desembolsos em dólares. Para o Brasil, o movimento dialoga diretamente com a agenda de desdolarização parcial do comércio bilateral com a China e pode alterar a forma como empresas brasileiras financiam projetos de infraestrutura, energia e logística com parceiros do bloco.
O anúncio foi feito por Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia e presidente do Conselho de Governadores do NDB, durante evento em maio. Segundo ele, a parcela de projetos financiados em moedas locais — como yuan, real, rublo, rupia e rand — deve ultrapassar 45% do total até 2031. O banco, sediado em Xangai, tem capital autorizado de USD 100 bilhões e já aprovou mais de USD 30 bilhões em projetos desde sua fundação, com foco em infraestrutura, energia limpa e conectividade. A mudança não é apenas contábil: envolve emissão de títulos em moedas nacionais, swap lines entre bancos centrais e estruturação de garantias em ativos locais.
Por que isso chega ao Brasil? O país é membro fundador do NDB e tem participação relevante na carteira do banco, com projetos nas áreas de energia, transporte e saneamento. Se o NDB ampliar empréstimos em reais, exportadores brasileiros de commodities, construtoras com atuação na África e na Ásia e bancos como BNDES e Banco do Brasil passam a ter uma alternativa ao financiamento em dólar. Isso reduz o risco cambial em operações de longo prazo, mas exige que tesourarias e instituições financeiras brasileiras desenvolvam capacidade de hedge em moedas menos líquidas, como o rand sul-africano ou a rupia indiana. O Banco Central do Brasil, por sua vez, precisará acompanhar a evolução dos swap lines entre os bancos centrais dos BRICS, que ainda são limitados.
Os dados mostram que o comércio Brasil-China já opera parcialmente em yuan desde 2023, quando os dois países firmaram acordo para liquidar transações em moedas locais. Na leitura do CBI, o anúncio do NDB é um passo além: não se trata apenas de facilitar o comércio, mas de criar um mercado de crédito de longo prazo fora do dólar. Isso interessa diretamente a setores como agronegócio, mineração e infraestrutura, que dependem de financiamento de médio e longo prazo. A comparação com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), liderado pela China, é inevitável: enquanto o AIIB ainda opera majoritariamente em dólar, o NDB aposta na diversificação cambial como diferencial competitivo. O risco é que a meta de 45% seja ambiciosa demais, dado que a maioria dos projetos do banco ainda é denominada em dólar e que a liquidez de moedas como o rublo e o rand é limitada.
O que acompanhar: primeiro, a próxima reunião do Conselho de Governadores do NDB, prevista para o segundo semestre, onde a meta de 45% pode ser detalhada em cronograma. Segundo, a evolução das swap lines entre o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China, que ainda têm prazo e valor limitados. Terceiro, a resposta do BNDES e de bancos privados brasileiros à possibilidade de emitir títulos em reais no mercado de Xangai, o que poderia abrir uma nova fonte de funding para infraestrutura. Para exportadores, a recomendação é monitorar a volatilidade do yuan e do rand frente ao real, que pode afetar a competitividade de contratos de longo prazo.
Os dados mostram que o NDB já aprovou mais de USD 30 bilhões em projetos, mas a maioria em dólar. Na leitura do CBI, a meta de 45% em moedas locais é ambiciosa e depende de avanços em swap lines e liquidez, mas sinaliza uma tendência irreversível de diversificação cambial no Sul Global.
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- CGTN — Business
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