41% dos líderes de segurança relatam incidentes com deepfakes em áudios nos últimos 12 meses
Um levantamento da Gartner, divulgado em setembro, revelou que 41% dos líderes de segurança consultados afirmaram ter registrado, nos 12 meses anteriores, pelo menos um incidente envolvendo deepfake em uma chamada de áudio. Em chamadas de vídeo, o percentual foi de 36%.
O avanço da IA não significa necessariamente que os criminosos estejam criando ameaças completamente novas, porém. Em muitos casos, a tecnologia potencializa golpes já conhecidos, como phishing, roubo de credenciais e tentativas de fraude e alguns setores concentram mais oportunidades para os criminosos do que outros.
No cenário global, varejo e e-commerce lideraram o ranking de setores mais afetados, segundo o Axur Threat Landscape 2025, seguidos pelos setores financeiro, de tecnologia, saúde e governo. No Brasil, o Observatório do Instituto Brasileiro de Resposta a Incidentes Cibernéticos (IBRINC) aponta uma configuração diferente, com o setor financeiro e bancos na liderança, correspondendo a 20% dos ataques, com Governo e setor público representando 13%, Serviços com 12%, Indústria com 11%, Varejo e e-commerce com 6%, e Saúde com 4%.
No varejo e no e-commerce, que aparecem entre os setores mais visados nos dois levantamentos, um dos pontos de atenção é a atuação dos infostealers, malwares capazes de roubar credenciais e outras informações que podem ser usadas posteriormente em invasões e fraudes. Já nos demais setores, o interesse dos criminosos está relacionado principalmente ao tipo e ao volume de dados armazenados e ao impacto que uma interrupção pode causar.
Para a Clavis Segurança da Informação, o ranking mostra onde estão algumas das maiores concentrações de risco, mas não significa que organizações de outros segmentos estejam menos expostas.
“Os criminosos não escolhem apenas setores, eles procuram oportunidades. Com automação e Inteligência Artificial, conseguem identificar organizações vulneráveis em escala. Por isso, mais importante é entender onde estão as exposições da própria empresa, quais representam maior risco e agir antes que sejam exploradas”, afirma Victor Santos, CEO da Clavis.
Segundo o especialista, as empresas devem começar pelo mapeamento de seus ativos expostos na internet e pela identificação das vulnerabilidades que representam maior risco para o negócio. Também é importante reforçar a autenticação em acessos críticos, limitar privilégios e preparar as equipes para reconhecer tentativas de phishing, fraude e engenharia social que utilizem conteúdos gerados por IA. No uso corporativo de ferramentas de Inteligência Artificial, estabelecer regras claras sobre o compartilhamento de dados também é fundamental.
A preocupação também chega ao uso corporativo da própria IA. Segundo levantamento da Netskope, 100% das organizações brasileiras analisadas já utilizam aplicações de IA generativa. A adoção amplia as possibilidades de produtividade, assim como exige atenção aos dados inseridos nas ferramentas e aos processos que passam a depender delas.
Para Cleiton Paris, fundador da Paris Group, venture studio especializada na criação e desenvolvimento de negócios com Inteligência Artificial, a popularização da tecnologia exige uma nova postura por parte das companhias e dos usuários.
“A Inteligência Artificial amplia de forma significativa a capacidade de empresas e pessoas criarem, resolverem problemas e encontrarem novas formas de fazer as coisas. A tecnologia já faz parte da rotina e tende a ganhar cada vez mais espaço, tornando o acesso à inovação mais democrático. Para aproveitar esse potencial de forma sustentável, é importante combinar experimentação e inovação com responsabilidade, entendendo quais dados compartilhar, como utilizar as ferramentas e como validar as informações geradas por elas”, afirma Cleiton.
Já para os usuários, os especialistas recomendam atenção a golpes que usam conteúdos criados ou manipulados por Inteligência Artificial para enganar as pessoas. Entre os principais cuidados estão desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, senhas ou códigos, mesmo quando parecem vir de alguém conhecido; confirmar solicitações importantes por outro canal, principalmente quando envolvem transferências ou informações sensíveis; e questionar áudios, vídeos e imagens muito convincentes, especialmente quando tentam provocar uma reação emocional ou induzir alguma ação.