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巴西证监会撤销强制ESG披露,2027年起改为不遵守就解释

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Recuo da CVM pode fragmentar informação de sustentabilidade, diz presidente da Amec em evento do Ibracon

巴西证监会5月29日发布第244号决议,撤销原定2026财年起强制采用ISSB标准的可持续发展报告要求,改为自愿披露加不遵守就解释模式。Amec批评此举将导致市场信息碎片化,削弱投资者获取可比ESG数据的能力。

为什么值得关注

CVM第244号决议撤销2026财年强制ISSB披露,改为2027年起不遵守就解释,巴西可能丧失全球首个采用ISSB准则国家的领先地位。

巴西证券交易委员会(CVM)5月29日发布第244号决议,撤销原定自2026财年起强制上市公司按国际可持续发展准则理事会(ISSB)标准披露可持续发展报告的规定,改为自愿披露。自2027年起,未提交报告的公司须发布公告说明原因。此举可能逆转巴西作为全球首个采用ISSB准则国家的领先地位,Amec主席Fábio Coelho在Ibracon举办的ESG Day活动上批评该决定,认为在当前经济困难、成本上升、利率高企的背景下,企业很可能选择不披露。

巴西证券交易委员会(CVM)于5月29日发布第244号决议,正式撤销原定自2026财年起强制上市公司按照国际可持续发展准则理事会(ISSB)标准披露可持续发展报告的要求。新规改为采用不遵守就解释模式:自2027年起,未提交可持续发展报告的上市公司须向市场发布公告说明原因。披露由此变为自愿性质,但选择披露的公司仍需接受独立审计师的鉴证,且须连续报告至少三个财年。

这一决定在巴西资本市场引发明显分歧。本周二(6日),巴西独立审计师协会(Ibracon)举办ESG Day活动,在关于可持续发展报告鉴证与信任的专题讨论中,巴西资本市场投资者协会(Amec)主席Fábio Coelho直接批评了CVM的评估。他表示:我们的监管机构做了一个在我看来是错误的评估。Coelho认为,CVM采用的模式相当于向企业提出一个问题:在巴西经济困难的时刻,成本上升、利率更高,你的竞争对手没有披露,你面临来自各方的阻力——你想自愿披露你的报告吗?答案我们已经知道了:很可能不会。

Coelho回顾说,巴西是全球首个采用ISSB的IFRS S1和S2准则的国家,这本来可以终结市场所称的碎片化循环,即企业被迫对不同受众和框架使用不同语言。他还反驳了投资者不使用可持续发展信息的批评,指出如果最初几年没有大规模使用这些信息,远不能被解读为缺乏兴趣,信息一旦公开就会被市场吸收并反映在资产价格中。

Anbima(巴西金融和资本市场实体协会)董事Carlos Takahashi在同一活动上指出,财务信息与可持续发展信息之间存在缺口,主要体现在市场对后者的使用上。他以投资管理机构为例,指出行业内部存在显著不对称:与大型银行关联的机构和专注于影响力投资的精品机构在采用ESG标准评估投资方面更为先进,而许多市场中间机构仍需学习如何将财务数据与ESG问题对资产重大影响相关联。Takahashi表示,尽管市场上有大量可持续发展信息,但其使用尚未达到理想阶段,无法真正分析这些可持续发展因素对业务的财务影响。他认为监管在此过程中发挥核心作用。

Ibracon资本市场工作组成员Kieran McManus则解释了审计师对包含估算的报告(如脱碳目标、物理和转型风险及排放预测)的工作范围。他强调:鉴证不会把估算变成确定,它不是对披露的气候情景将会发生的保证。鉴证提供的是信息按照适当标准、一致流程、可辩护假设和充分证据编制的保证。McManus建议读者在审计报告中查看鉴证级别、对象、覆盖期间、标准和范围排除。在合理鉴证中,审计师得出肯定性结论;在有限鉴证中,程序较少,结论以否定形式表达,信任程度较低。即使有鉴证,一些风险仍然存在,包括气候变化、技术、监管和经济变化导致假设失效的固有不确定性、不同模型产生不同数字、数据质量和可用性、范围限制、欺诈、偏见和遗漏以及读者的解读。他以银行为例说明数据困难:银行需披露的大部分排放来自客户,需要收集所有被融资公司的信息。

原文未涉及中资企业直接影响。

CBI解读:原文显示,CVM此次撤销强制披露要求,核心变化在于将披露义务从强制转为自愿,并以不遵守就解释作为过渡安排。从时间线看,原定2026财年强制生效,现改为2027年起仅要求未披露者说明原因,政策约束力明显下降。CBI认为,这一转向与巴西当前高利率、高成本的经济环境直接相关,监管机构在企业合规负担与市场信息需求之间选择了前者。但值得注意的是,选择披露的公司仍须接受独立鉴证并连续报告至少三个财年,这意味着披露门槛并未降低,而是将选择权交给了企业自身。对于已在巴西上市或计划上市的中国企业而言,若选择披露,鉴证要求和连续报告义务仍需纳入合规成本考量;若选择不披露,则需准备2027年起发布解释公告。

待观察:第一,CVM是否会在2027年前发布不遵守就解释模式的具体操作指引,明确解释公告的格式与披露平台;第二,Amec与Anbima是否会在CVM的公众咨询程序中正式提交反对意见,推动政策回摆;第三,巴西上市公司在2026财年实际自愿披露的比例,可作为衡量该政策效果的首个可验证指标。

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信息概要

类型
监管变化
方向
巴西
分类
金融监管
层级
编辑整理
影响谁
在巴中资企业投资者法务团队
话题
金融合规政策
查看原文(葡萄牙语)

Recuo da CVM pode fragmentar informação de sustentabilidade, diz presidente da Amec em evento do Ibracon

A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de tornar voluntário o relatório de sustentabilidade das companhias abertas pode levar o mercado de volta à fragmentação de informações, afirmou o presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Fábio Coelho. Ele participou nesta terça-feira (6) de painel sobre asseguração e confiança nos relatórios de sustentabilidade, no ESG Day do Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon). "O nosso regulador fez uma avaliação que, na minha interpretação, é equivocada", disse Coelho. Para ele, o modelo adotado pela autarquia funciona como uma pergunta às empresas: "No momento difícil da economia brasileira, com aumento de custos, juros mais elevados, o seu concorrente não está divulgando, você tem resistências de todos os lados: você quer divulgar voluntariamente o seu relatório? A resposta a gente já sabe: possivelmente não." Em 29 de maio, a CVM publicou a Resolução 244, que revogou a obrigatoriedade do relatório baseado nos padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB), prevista para valer a partir do exercício de 2026. A autarquia adotou no lugar o modelo "pratique ou explique", em que, a partir de 2027, a companhia aberta que não arquivar o relatório terá de justificar a decisão em comunicado ao mercado. A adoção passa a ser voluntária, e quem optar por divulgar continua sujeito à asseguração por auditor independente e precisa manter o reporte por pelo menos três exercícios seguidos. Coelho lembrou que o Brasil foi o primeiro país do mundo a adotar as normas IFRS S1 e S2 do ISSB, o que poderia encerrar o que o mercado chamava de "ciclo de fragmentação", com empresas obrigadas a falar diferentes linguagens para diferentes públicos e frameworks. Ele também rebateu a crítica de que investidores não usam as informações de sustentabilidade. "Se nos primeiros anos não existe uma dinâmica massiva de uso dessas informações, isso nem de longe pode ser interpretado como falta de interesse", afirmou. Segundo ele, uma vez públicas, as informações passam a ser absorvidas pelo mercado e refletidas no preço dos ativos, tornando visíveis riscos que hoje não são observados. Lacuna no uso O diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) Carlos Takahashi, que também participou do evento na terça-feira (06), apontou que existe uma lacuna entre as informações financeiras e as de sustentabilidade, principalmente no uso que o mercado faz delas. Exemplificou com o caso das gestoras de investimento. Segundo ele, há uma assimetria significativa entre elas. De um lado, estão as gestoras ligadas a grandes bancos e as de nicho, focadas em investimentos de impacto, que estão mais avançadas na adoção de critérios ESG para avaliação de investimento. De outro, há muitas gestoras “no meio do mercado” que ainda têm uma curva de aprendizado pela frente para correlacionar dados financeiros e os impactos materiais das questões ESG nos ativos. "Muito embora tenha muita informação de sustentabilidade no mercado, a utilização dela ainda não está no estágio ideal para de fato trazer uma análise do efeito financeiro que esses feitos de sustentabilidade trariam para o negócio", afirmou. Para Takahashi, a regulação tem papel central nesse processo. "Não tenho dúvida que algumas questões regulatórias passam a ter importância fundamental para fazer essa indução." O que a asseguração garante Kieran McManus, membro do grupo de trabalho de Mercado de Capitais do Ibracon, explicou o alcance do trabalho do auditor em relatórios marcados por estimativas, como metas de descarbonização, riscos físicos e de transição e projeções de emissões. "A asseguração não transforma essa estimativa numa certeza. Não é uma garantia de que o cenário climático divulgado vai acontecer", disse. O que ela oferece, segundo ele, é segurança de que as informações foram preparadas com critérios adequados, processos consistentes, premissas justificáveis e evidência suficiente. McManus recomendou que o leitor verifique no relatório do auditor o nível de asseguração, o objeto, o período coberto, os critérios e as exclusões de escopo. Na asseguração razoável, o auditor chega a uma conclusão positiva; na limitada, os procedimentos são menos extensos, a conclusão é expressa de forma negativa e o grau de confiança é menor. Mesmo com asseguração, alguns riscos permanecem, afirmou. Entre os riscos citados estão a incerteza inerente a mudanças climáticas, tecnológicas, regulatórias e econômicas, que podem invalidar premissas; o uso de modelos diferentes, que geram números diferentes; a qualidade e a disponibilidade dos dados; limitações de escopo; fraude, viés e omissão; e a interpretação de quem lê. Como exemplo de dificuldade com dados, ele citou os bancos, cuja maior parte das emissões a divulgar vem dos clientes, o que exige levantar informações de todas as empresas financiadas. Segundo McManus, a CVM não impõe que o auditor das demonstrações financeiras seja também o responsável pela asseguração do relatório de sustentabilidade, mas isso tem ocorrido na prática no Brasil e no exterior. Ele lembrou que os dois documentos têm informações interligadas e devem ser lidos como um pacote, e que uma das obrigações do auditor das demonstrações financeiras é verificar a consistência das informações publicadas em conjunto. Além de sua atuação no Ibracon, ele atualmente é sócio de Mercado de Capitais e Auditoria da PwC Brasil. Nova norma ISSA 5000 em 2027 O auditor também detalhou a ISSA 5000 (International Standard on Sustainability Assurance), cuja versão brasileira é a NBC TAS 5000. Segundo ele, a norma se aplica a períodos iniciados a partir de 15 de dezembro de 2026, o que na prática significa exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2027. Hoje, a asseguração de sustentabilidade se apoia em uma norma geral, a NBC TO 3000, feita para qualquer tipo de objeto, complementada pela NBC TO 3410, específica para emissões de gases de efeito estufa. A nova norma é a primeira desenhada especificamente para relatórios de sustentabilidade, cobre qualquer tema, de clima a biodiversidade, capital humano e cadeia de valor, e pode ser aplicada de forma autônoma, da aceitação do trabalho à avaliação de distorções. Entre as novidades citadas por McManus estão o tratamento de riscos próprios da sustentabilidade, como o greenwashing e o viés da administração, além de uma definição de materialidade que considera impactos sobre pessoas e meio ambiente, além dos efeitos financeiros. Outra novidade é a orientação mais clara sobre evidências que dependem de terceiros e de sistemas ainda pouco maduros. A ISSA 5000 traz ainda a necessidade de asseguração explícita de informações narrativas e prospectivas, como metas e planos de transição e prevê relatórios sobre controles internos para os responsáveis pela governança. "Várias empresas talvez vão ficar surpresas com o nível de foco dessa norma", disse. A moderadora do painel, Renati Suzuki, membro do grupo de trabalho de Sustentabilidade e ESG do Ibracon, e sócia da KPMG no Brasil, afirmou que a norma preenche uma lacuna da profissão. "Auditor é muito bom com número. Agora, quando nos foram apresentadas as narrativas, foi um processo de entender como é o procedimento para fazer a asseguração delas", disse. Em resposta a uma pergunta da plateia, McManus afirmou que a falha em identificar um risco principal no processo de materialidade seria "uma deficiência bastante grave" para a asseguração, já que metas e medições deixariam de estar vinculadas a ele. Segundo ele, o volume de análises de risco por setor e região e os relatórios já publicados na Europa dão às empresas referências suficientes. Comitês e governança Para Coelho, a decisão das empresas de divulgar mais informações sobre riscos e oportunidades ESG passa por três perguntas: se o concorrente está divulgando, se o regulador está exigindo e se o cliente está pedindo. A última, segundo ele, é o principal catalisador, sobretudo por causa do investidor estrangeiro, que costuma pedir reuniões de engajamento (stewardship, na sigla em inglês). "As companhias, de uma maneira geral, não estão preparadas para responder essa pergunta", disse. "E o investidor quer ver isso na boca do CEO." Ele afirmou que mais de 80% das companhias brasileiras nasceram familiares e que muitos conselhos são conservadores e pouco versados em temas como sustentabilidade. A resposta tem sido a criação de Comitês de Sustentabilidade, que Coelho descreveu como um "agente duplo", ao promover o debate técnico dentro de casa e, ao mesmo tempo, acompanhar as demandas do mercado. Renati Suzuki lembrou que as normas do ISSB (IFRS S1 S2) exigem a divulgação das habilidades e competências de conselhos e comitês sobre o tema. Takahashi afirmou que, no fim, o debate é sobre confiança. "Quantas crises a gente já teve, quantos escândalos. E todos bifurcaram em um único caminho, na perda da confiança", disse. Para ele, a empresa precisa ter convicção de que a divulgação de qualidade faz parte da estratégia e da perenidade do negócio, e o mercado terá em breve séries históricas capazes de mostrar a consistência dessas estratégias. Ele citou pesquisa anual da Anbima em que transparência (88% das respostas) e ética (87%) aparecem como os riscos considerados mais relevantes pelo mercado, seguidos de segurança da informação e independência dos conselhos. Na rodada final, sobre o que mais aumentaria a confiança nos relatórios, Takahashi escolheu "transparência com consistência", e Coelho, a interação com os usuários das informações, os diversos stakeholders. McManus apontou a governança. "A regulamentação estabelece as regras, os dados fornecem evidência, a asseguração aumenta a credibilidade, mas é a governança que faz tudo funcionar de forma consistente", disse. "Se o CEO não sabe falar sobre o tema ESG, é um claro sinal de que a governança não está funcionando."

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