← 返回巴西资讯
巴西资讯巴西宏观市场2026年8月5日

美吊销巴西驻美大使签证,巴美外交对抗日趋紧张

分享

Crise Brasil-EUA: quando resta gerir movimentos e aparências

特朗普政府吊销巴西驻美大使签证,巴美关系陷入罕见危机。巴西或拖延甚至搁置美方新任大使提名审批,双边外交互动不确定性上升,在巴中资企业需关注两国关系波动对经贸环境的潜在影响。

为什么值得关注

巴美外交危机升级,巴西可能拖延美方大使提名审批,双边关系不确定性影响在巴中资企业的经贸与投资环境。

美国政府决定吊销巴西驻华盛顿大使玛丽亚·路易莎·维奥蒂(Maria Luiza Viotti)的签证,此举加剧了巴西利亚方面认为美国现政府只接受顺从的看法。巴西外交界认为,同一天发生的一系列事件——包括俄罗斯国家安全顾问尼古拉·帕特鲁舍夫(Nikolay Patrushev)在巴西利亚拜访塞尔索·阿莫林(Celso Amorim)、美国与巴拉圭宣布达成核协议、美国降低与阿根廷的关系级别——表明局势正变得更加危险和冒险。巴西政府认为自身缺乏升级危机的筹码,但面对这一新事件,在选举前向特朗普提名的驻巴西大使候选人授予国书(agrément)变得更加困难。

特朗普政府决定吊销巴西驻华盛顿大使玛丽亚·路易莎·维奥蒂(Maria Luiza Viotti)的签证,这强化了巴西利亚方面的认知,即美国现政府实际上只接受顺从。巴西外交界认为,同一天发生了一系列事件:普京的亲密盟友、俄罗斯安全委员会秘书尼古拉·帕特鲁舍夫(Nikolay Patrushev)在巴西利亚拜访了塞尔索·阿莫林(Celso Amorim);美国与巴拉圭宣布达成核协议;美国降低了与阿根廷的关系级别;以及现在吊销巴西驻美大使的签证。重要消息人士评估,局势正变得更加危险和冒险。他们认为,巴西没有太多筹码来升级危机。但面对这一新事件,政府更难在选举前向特朗普提名的驻巴西大使候选人授予国书(agrément)。即使卢拉赢得选举,授予的可能性也不确定。在外交实践中,国书很少被正式拒绝:国家只是不予回应。另一方面,特朗普政府也很难撤回其来自Maga运动的候选人和盟友的提名。在目前情况下,卢拉或特朗普似乎都难以很快退让,需要让时间流逝。现在主要是管理动作和表象。无论如何,这场危机在巴美关系中没有近期先例。吊销签证并非针对维奥蒂大使个人,她未被宣布为不受欢迎的人。但严格来说,她失去了在美国的外交身份,无法在华盛顿履职。合乎逻辑的步骤是将其召回巴西利亚,但她不会回去。巴西将因此在华盛顿、布宜诺斯艾利斯和以色列都没有大使。巴西国内一些部门质疑卢拉政府冻结美国提名大使的国书并拒绝两名美国外交官签证的决定是否正确。但事实是,特朗普政府在此事上也践踏了外交规范,试图单方面强加其意愿。在一年多没有驻巴西大使后,特朗普政府于6月宣布提名38岁的佛罗里达州众议员丹尼尔·佩雷斯(Daniel Perez)为新任驻巴西代表。大约一周后,白宫才向巴西利亚发送国书请求,信中附有该众议员的简历。这激怒了外交部,因为特朗普政府完全无视《维也纳公约》第4条确立的惯例:在正式宣布任命使团团长前,派遣国必须征询接受国意见。国书请求——接受国给予的事先且保密的批准——是过程中不可回避的步骤。此咨询应在公布姓名前秘密进行,以便接受国有时间审查被提名人的背景。毕竟,宣布一个已被正式提名的人为不受欢迎人物,政治代价更高。按外交惯例,接受国没有义务说明拒绝授予国书的理由。在此情况下,提名国可另提人选。2021年就发生过类似情况:博索纳罗政府提名里约前市长马塞洛·克里维拉(Marcelo Crivella)为驻南非大使。在提名送参议院审议前,外交部向南非政府发送了国书请求。但南非政府数月未予回应。在外交实践中,这等同于拒绝,原因似乎是克里维拉在非洲国家(尤其是安哥拉)的争议性活动。八个月后,巴西政府决定另提人选。而白宫在未确认其提名人丹尼尔·佩雷斯获得巴西同意的情况下,不仅提前宣布提名,还迅速启动了美国国会的批准程序。作为回应,巴西政府消息人士近期表示,外交部将遵循《维也纳公约》,花必要时间审查丹尼尔·佩雷斯的背景,包括其是否对巴西民主或巴西公众人物发表过言论。根据基于媒体声明的初步评估,"没有发现任何不良记录",但需要审查超出媒体报道的内容。同时,特朗普政府急于将其派往巴西利亚,强化了对其提名目的的某种看法。

底稿未涉及中资企业在此次外交危机中的直接商业影响,但通过巴美双边关系紧张这一机制,间接传导至在巴中资企业的经营环境。巴西外交部(Itamaraty)与美国国务院之间的对抗,可能导致两国在贸易、投资和技术合作领域的沟通效率下降。对于在巴中资企业而言,最直接的冲击可能体现在:其一,若巴西政府将外交资源集中于应对美国压力,涉及中巴双边议程(如基础设施投资、农业贸易、矿产合作)的审批节奏可能放缓;其二,巴美关系恶化可能促使巴西加速多元化外交布局,包括深化与中国、俄罗斯等国的合作,这为中资企业参与巴西市场提供了潜在的政策窗口;其三,美国对巴西外交施压可能引发巴西国内政治辩论,影响外资政策的稳定性,中资企业需关注巴西国会和行政机构对外资态度的变化。目前,巴西央行(BCB)、经济部等监管机构尚未就此事件发布针对外资的特别指引,但中资企业应密切关注巴西外交部后续对美方提名大使的审批决定,以及巴西政府是否在其他领域(如关税、非关税壁垒)采取对等反制措施。

CBI 观察编辑判断

底稿显示,特朗普政府无视《维也纳公约》第4条惯例,在未获巴西同意前即宣布提名丹尼尔·佩雷斯,并启动国会批准程序,这是触发巴西外交部不满的直接原因。CBI认为,巴西政府大概率不会正式拒绝佩雷斯的国书,而是采取拖延策略,让提名在时间中悬置,以表达不满同时保留回旋余地。CBI观察,此次危机短期内难以化解,巴美关系紧张可能促使巴西加速与中俄等国的外交与经济合作,中资企业或受益于巴西多元化战略带来的市场准入机会。

这条资讯对你有帮助吗?

信息概要

类型
风险事件
方向
巴西
分类
宏观市场
层级
编辑整理
地点
在巴中资企业、巴西外交部、美国驻巴西使馆、双边贸易投资者
核验
待核验
对象
在巴中资企业投资者贸易商
话题
政治政策

来源信息

来源
Valor Econômico
原文标题
Crise Brasil-EUA: quando resta gerir movimentos e aparências
原始语言
葡萄牙语
原文链接
查看原文 →
编辑
Clara Lin
查看原文(葡萄牙语

Crise Brasil-EUA: quando resta gerir movimentos e aparências

A decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, reforça a percepção em Brasília de que a atual administração americana só se conforma, de fato, com submissão. Para a diplomacia brasileira, houve uma série de acontecimentos no mesmo dia: a visita de um aliado próximo de Vladimir Putin e assessor de segurança nacional russo, Nikolay Patrushev, a Celso Amorim, em Brasília; o anúncio de um acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Paraguai; o rebaixamento das relações com a Argentina; e, agora, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. O cenário está se tornando mais perigoso e arriscado, avaliam importantes fontes. O Brasil, afirmam, não dispõe de muito cacife para escalar a crise. Mas, diante desse novo episódio, ficou ainda mais difícil para o governo conceder o agrément ao indicado de Trump para a embaixada em Brasília antes da eleição. Em caso de vitória de Lula na eleição, a possibilidade também não parece certa. Vale lembrar que, na prática diplomática, o agrément raramente é recusado formalmente: o país simplesmente deixa de responder. De seu lado, também é difícil imaginar o governo Trump retirando a indicação de seu candidato e aliado no movimento Maga. No cenário atual, parece difícil que qualquer um dos dois — Lula ou Trump — recue proximamente. Será preciso deixar o tempo passar. Agora, trata-se sobretudo de administrar movimentos e aparências. Em todo o caso, a crise não tem precedentes recentes nas relações Brasil-Estados Unidos. A revogação do visto não é uma medida dirigida pessoalmente à embaixadora Viotti. Ela não foi declarada persona non grata. Mas, rigorosamente, perde seu status diplomático nos Estados Unidos, o que torna impossível o exercício de suas funções em Washington. O passo lógico seria chamá-la de volta a Brasília, mas daí ela não volta. O Brasil passa a ficar sem embaixadores em Washington, Buenos Aires e Israel. Alguns setores no Brasil questionam se o governo Lula acertou ao congelar o agrément do embaixador indicado pelos Estados Unidos e ao negar visto a dois diplomatas americanos. O fato, porém, é que o governo Trump atropelou normas diplomáticas e procura impor unilateralmente sua vontade também nesse caso. Depois de um ano e meio sem embaixador em Brasília, o governo Trump anunciou, enfim, em junho, a indicação do novo representante americano no Brasil, Daniel Perez, deputado da Flórida de 38 anos. Somente cerca de uma semana depois é que a Casa Branca enviou a Brasília o pedido de agrément, em uma carta na qual incluiu o currículo do deputado. Isso provocou irritação na Esplanada dos Ministérios pelo total desprezo do governo Trump à prática consolidada pelo artigo 4º da Convenção de Viena. Antes de anunciar oficialmente a nomeação de um chefe de missão, o Estado acreditante deve consultar o Estado receptor para saber se o nome é aceito. O pedido de agrément — a aprovação prévia e confidencial concedida pelo país que receberá o embaixador — é uma etapa incontornável do processo. Essa consulta é feita de forma sigilosa, antes da divulgação do nome, para dar tempo ao país receptor de examinar os antecedentes do indicado. Afinal, é politicamente mais custoso declarar persona non grata alguém cujo nome já foi oficialmente anunciado. Pela praxe diplomática, o país receptor não é obrigado a informar os motivos pelos quais eventualmente deixa de conceder o agrément. Nessa hipótese, o país que indicou o embaixador apresenta outro nome. Foi o que aconteceu em 2021, quando o governo de Jair Bolsonaro indicou o ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella para ser embaixador na África do Sul. Antes de a indicação seguir para a sabatina no Senado, o Itamaraty encaminhou ao governo sul-africano um pedido de agrément. O governo da África do Sul, porém, simplesmente não respondeu durante vários meses. Na prática diplomática, isso equivalia a uma recusa, aparentemente em razão da atuação polêmica de Crivella — bispo licenciado da Igreja Universal — em países africanos, especialmente em Angola. Após oito meses, o governo brasileiro decidiu apresentar outro nome. Já a Casa Branca, sem se certificar de que seu indicado, Daniel Perez, receberia o sinal verde brasileiro, não só anunciou o nome antes de consultas, como iniciou rapidamente o processo de aprovação de sua indicação pelo Congresso americano. Em reação, fontes do governo brasileiro sinalizaram, recentemente, que o Itamaraty seguiria a Convenção de Viena e tomaria o tempo necessário para examinar o nome de Daniel Perez. O objetivo seria averiguar seu histórico, inclusive se fez declarações sobre a democracia brasileira ou sobre personalidades públicas do país. Pelas primeiras avaliações com base em declarações na imprensa, "não há nada que o desabone", segundo uma fonte. Mas que era preciso examinar mais do que saiu na imprensa. Ao mesmo tempo, a pressa do governo Trump em enviá-lo a Brasília reforçou a percepção de que sua nomeação estaria ligada ao interesse de interferir na eleição presidencial brasileira. Embora a tendência fosse conceder o agrément apenas após a eleição, integrantes importantes do governo Lula insistiam na importância de os Estados Unidos terem um embaixador em Brasília e de manter abertos os canais de diálogo com Washington, inclusive para atenuar o peso das sobretarifas impostas a produtos brasileiros. No entanto, tanto a negativa de visto a dois diplomatas americanos quanto seguir a Convenção de Viena no caso do indicado a embaixador apontavam para uma resposta do governo Trump. Afinal, ''o mundo é governado pela força, poder e domínio", já advertia , em janeiro deste ano, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. Stephen Miller, vice-chefe de gabinete; EUA AP Photo/Rebecca Blackwell

觉得有价值?

分享给需要了解巴西市场的朋友

帮助更多中国企业看懂巴西,做成生意

China Brazil Insight · 中巴合作价值链中的信息节点

这条资讯影响你的业务吗?

CBI 提供从信息到行动的完整支持