Lula oficializa chapa com Alckmin e começa busca pelo 4º mandato, em convenção nacional do PT em SP
O PT nacional vai oficializar neste domingo (2) a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência, durante a convenção nacional do partido, em São Paulo. Aos 80 anos, Lula busca seu quarto mandato na Presidência e o sexto governo do PT no comando do país. Em seu discurso, o petista defenderá a soberania, políticas de inclusão social e a democracia, além de suas realizações na área econômica.
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O presidente enfrenta o desgaste de sua gestão, com a aprovação no mesmo patamar da desaprovação, e um cenário eleitoral acirrado, polarizado com o bolsonarismo, representado nas urnas pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Sem o apoio formal da centro-direita e sem ampliar a “frente ampla” que marcou a candidatura em 2022, Lula construiu uma aliança com sete partidos do campo progressista (PT, PV, PCdoB, PSB, Psol, Rede e PDT). Mesmo sem ter atraído outras forças políticas, o presidente terá cerca de 20% a mais de tempo de televisão e de fundo eleitoral do que Flávio, seu principal adversário, e contará com o respaldo lideranças de partidos como União Brasil, PP, MDB, Republicanos e PSD nos Estados.
Até o início do ano, a reeleição de Lula era vista com ceticismo até mesmo por aliados. O governo registrava uma desaprovação e uma avaliação negativa maiores do que a aprovação e a avaliação positiva, e o presidente tinha uma alta rejeição. Há quase três meses, o cenário tem se mostrado mais favorável ao petista, após uma série de problemas registrados na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, como a briga entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a divulgação de um áudio que mostra a proximidade entre o presidenciável e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master. Na conversa que se tornou pública, Flávio pede dinheiro para Vorcaro, para supostamente financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Aliados do presidente avaliam que Lula tem se beneficiado dos erros de seu adversário e têm a expectativa de que, com a campanha, o presidente consiga mostrar seu legado e transformar em intenção de voto – e votos – uma série de medidas anunciadas às vésperas das eleições, como o novo Desenrola, para renegociar dívidas da população.
Na convenção, o presidente não deve apresentar grandes promessas de campanha, que possam ser vistas como “bombas fiscais” para o futuro. Além do presidente, devem discursar Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) – o que tende a alimentar as especulações de que o ex-ministro e ex-prefeito poderá ser o sucessor de Lula depois que o presidente se aposentar da vida pública.
A escolha de São Paulo como palco da convenção nacional deve fortalecer a imagem de Lula no maior colégio eleitoral do país e impulsionar Haddad, que está em desvantagem nas pesquisas para o governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Um dos principais jingles da campanha deve ser uma música inspirada no “Rap do Silva”, que busca associar a trajetória do presidente à de um trabalhador comum.
A convenção petista também reunirá presidentes de siglas da base aliada, além de ao menos dez candidatos a governos estaduais, além de postulantes ao Senado, como as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que concorrem em São Paulo. e ao Senado. Apesar da importância da convenção partidária para confirmar a candidatura de Lula, o PT tem dado destaque a um evento que será realizado no dia 16, primeiro dia oficial da campanha, em São Bernardo do Campo, no Estádio de Vila Euclides. O local tem um simbolismo importante para Lula, por ter sido o palco de grandes assembleias de metalúrgicos no fim da década de 1970, que ajudaram a projetar Lula nacionalmente.
Interlocutores de Lula avaliam que a repetição da chapa com Alckmin, originalmente costurada em 2022 para estreitar laços com o empresariado e representar uma frente ampla, repete uma fórmula sem esforço genuíno de expansão de diálogo com o setor produtivo nos últimos anos, o que, segundo aliados, pode limitar o potencial de crescimento de Lula no pleito.
O presidente enfrenta um cenário acirrado na disputa contra Flávio. Lula tem 40% das intenções de voto contra 32% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. Em um eventual segundo turno, Lula teria 48% e Flávio 43%. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre os desafios da campanha de Lula estão tentar reduzir a rejeição do petista - que chega a 46% (ante 48% de Flávio), melhorar a avaliação positiva do governo (com 32% de ótimo/ bom, 38% de ruim/ péssimo e 29% de regular), além da aprovação do governo, de 49%, quase empatada com a desaprovação, de 48%, segundo a pesquisa Datafolha.
A candidatura do presidente ainda busca formas de atrair os chamados eleitores independentes, que não são lulistas nem bolsonaristas, e de tentar convencê-los a dar a Lula seu quarto mandato, mesmo sem compromissos de campanha que sejam vistos como uma “bomba fiscal” ou eleitoreiros.
Lula cercou-se de antigos aliados e nomes históricos do PT, como Gilberto Carvalho, Paulo Okamotto, José Filippi Junior, Aloizio Mercadante e Mônica Valente para compor a cúpula de sua campanha. No comando do programa de governo está o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, que tem evitado falar com a imprensa sobre propostas para evitar desgastes com agentes financeiros. O marketing está a cargo de Raul Rabelo e a coordenação jurídica, com Ângelo Ferraro. No “núcleo duro” da campanha estão também o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), a vereadora Luna Zarattini (PT).
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, SP
Ricardo Stuckert