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巴西资讯巴西税务合规2026年7月5日

巴西财政风险报告藏雷,在巴中企需警惕税务争议隐性成本

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Estudo do Insper aponta falhas em estimativas de riscos fiscais usadas pelo governo

Insper研究指出巴西政府《财政风险附件》存在严重缺陷,未估算九起重大税务争议的财务影响,潜在负债达7299亿雷亚尔,在巴中资企业面临税务合规与司法判决的不确定性。

为什么值得关注

巴西政府财政风险估算缺陷可能隐藏巨大税务负债,直接影响在巴中资企业的合规成本和司法判决结果。

巴西Insper税务研究中心最新研究揭示,巴西政府每年随《预算指导法》(LDO)提交国会的《财政风险附件》(ARF)存在透明度不足和方法论不一致的严重缺陷,导致外界无法评估联邦政府面临的真实财政风险。研究显示,2025年LDO中记录的潜在负债为7299亿雷亚尔(约占GDP的6%),但该数字并不完整,九起在联邦最高法院(STF)和高等法院(STJ)审理的重大税务争议在附件中没有任何财务影响估算。对于在巴西经营的中国企业而言,这意味着涉及税务诉讼时,政府可能隐藏了巨大的财政“炸弹”,直接影响案件判决的财务后果和企业的合规成本。

这项由Vanessa Rahal Canado协调、Maria Raphaela Matthiesen和Breno Vasconcelos共同署名的研究,分析了近十年的《财政风险附件》。研究发现,2025年LDO中记录的潜在负债为7299亿雷亚尔,但该数字不完整,因为九起在STF和STJ审理的重大税务争议在附件中没有任何财务影响估算。Canado表示:“也许一颗财政炸弹就在那里,但没人能知道这颗炸弹有多大。”研究始于2016年“世纪判决”讨论期间,当时STF审理ICMS是否应纳入PIS和Cofins税基,据称联邦败诉可能造成2500亿雷亚尔损失。研究人员要求联邦税务局(Receita Federal)提供估算来源,仅在联邦总审计局(CGU)干预后才获得文件,但税务局表示找不到估算来源。研究还发现,政府有时在已公布财务影响后仍声称在制定计算方法,且部分计算前提不反映不利判决的财务后果。

对于在巴西的中国企业,这一发现具有直接冲击。中资企业常涉足基础设施、制造业、能源和农业等领域,这些行业与联邦税务争议频繁,如ICMS、PIS和Cofins的税基计算问题。研究指出,政府未估算的九起重大税务争议可能涉及这些领域,一旦判决不利,企业可能面临巨额补税或退税延迟。此外,联邦总检察院(PGR)今年发布条例,停止公布个别化数据,研究人员认为这减少了公众监督的可能性。Vasconcelos称:“部长将依据一个他能看到但社会无法验证的数字,因此甚至无法质疑。”这意味着中资企业在参与税务诉讼时,无法获取政府计算数据,增加了谈判和合规的不确定性。底稿未涉及中资企业直接影响,但通过税务争议的司法判决和财政风险传导,可能影响企业的现金流、投资回报和合规成本。

CBI解读:底稿显示,巴西政府的财政风险估算存在系统性缺陷,这并非孤立事件。2016年“世纪判决”后,类似问题持续存在,表明监管机构(Receita Federal、计划部、PGR)在数据透明度和方法论上缺乏协调。CBI认为,这一研究对在巴中资企业意味着两点:一是税务合规风险上升,企业需主动追踪STF和STJ的税务判决动态,而非依赖政府官方估算;二是司法判决的不确定性增加,企业应预留更多财务缓冲以应对潜在税务负债。横向对比,类似问题在墨西哥和阿根廷也曾出现,但巴西的司法体系更复杂,判决周期更长。

待观察:1)STF和STJ对九起重大税务争议的判决时间表,特别是涉及ICMS和PIS/Cofins的案件;2)联邦总检察院是否会在未来修订条例,恢复个别化数据公布;3)计划部是否会对ARF方法论进行改革,以回应研究批评。

CBI 观察编辑判断

事实:底稿显示巴西政府未估算九起重大税务争议的财务影响,且PGR停止公布个别化数据。CBI认为,这增加了中资企业税务诉讼的不确定性,企业应主动监控STF和STJ判决,而非依赖政府官方数据。

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信息概要

类型
风险事件
方向
巴西
分类
税务合规
层级
编辑整理
地点
在巴西经营的中资企业,特别是基础设施、制造业、能源和农业领域。
核验
待核验
对象
在巴中资企业税务合规负责人法务团队
话题
税务政策法律

来源信息

来源
Valor Econômico
原文标题
Estudo do Insper aponta falhas em estimativas de riscos fiscais usadas pelo governo
原始语言
葡萄牙语
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编辑
Clara Lin
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Estudo do Insper aponta falhas em estimativas de riscos fiscais usadas pelo governo

Todos os anos, o governo envia ao Congresso, junto com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), um Anexo de Riscos Fiscais que estima o impacto potencial de ações judiciais e outros passivos capazes de afetar as contas públicas. Um estudo do núcleo de tributação do Insper aponta falta de transparência e inconsistências metodológicas nas estimativas que impedem avaliar a real dimensão dos riscos para a União. A pesquisa foi coordenada por Vanessa Rahal Canado e também é assinada por Maria Raphaela Matthiesen e Breno Vasconcelos. Os pesquisadores analisaram dez anos dos Anexos de Riscos Fiscais (ARF). Na LDO de 2025, o documento registra R$ 729,9 bilhões em passivos potenciais - cerca de 6% do PIB -, mas o levantamento afirma que esse número está incompleto. Segundo Canado, não é possível sequer afirmar se a estimativa está superdimensionada ou subdimensionada porque nove disputas tributárias relevantes em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) aparecem no anexo sem qualquer estimativa de impacto financeiro. "Talvez uma bomba fiscal esteja aí e ninguém consegue ter a dimensão do tamanho dessa bomba", disse. Procurada para comentar as conclusões do estudo, a Receita Federal não respondeu aos questionamentos da reportagem. O Ministério do Planejamento afirmou que não tem responsabilidade pelo relatório. A Advocacia-Geral da União (AGU) fez considerações sobre um novo formato do anexo e afirmou que a LDO tem o documento para avaliar os passivos contingentes capazes de afetar as contas públicas, e que produz as informações que subsidiam o relatório exclusivamente com essa finalidade. A pesquisa começou ainda em 2016, durante as discussões da chamada Tese do Século, quando o STF analisava se o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) deveria integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Na época, falava-se que uma derrota da União poderia custar R$ 250 bilhões aos cofres públicos. Intrigados com a origem da estimativa, os pesquisadores passaram a solicitar à Receita Federal o cálculo utilizado pelo governo. Segundo Breno Vasconcelos, os documentos só foram liberados após intervenção da Controladoria-Geral da União. A resposta foi que eles não encontraram a origem daquela estimativa. "Desde então, estamos fazendo a análise e, agora, encerramos com uma visão global dos Anexos de Riscos Fiscais dos últimos dez anos", diz Breno. Ao longo da pesquisa, os autores encontraram casos em que o próprio governo ainda dizia estar definindo a metodologia de cálculo de determinado risco, embora o impacto financeiro correspondente já estivesse publicado no Anexo de Riscos Fiscais. Além disso, os três pesquisadores apontam que há problemas nos métodos para elaborar as estimativas. Há casos em que as premissas dos cálculos não refletem a repercussão financeira de eventuais decisões desfavoráveis ao governo. O relatório também aponta que há um problema de questão jurídica. Em teoria, os contribuintes que estão em litígio com a União deveriam ter acesso aos cálculos que o órgão elabora - afinal, eles são parte diretamente interessada. Neste ano, porém, uma portaria da AGU estabeleceu que os dados individualizados deixarão de ser divulgados. "O ministro vai se basear num número ao qual ele terá acesso, mas que a sociedade não teve como verificar e, por isso, nem mesmo conseguiria contestar", afirmou Vasconcelos. Em nota, a AGU afirmou que o formato de divulgação das informações foi revisto para "afastar a possibilidade de utilização indevida de informações a respeito da exposição da União à riscos fiscais judiciais, o que vinha ocorrendo em prejuízo da defesa da União, suas autarquias e fundações". Segundo o órgão, o antigo formato possibilitava a individualização de ações judiciais ou temas específicos, e isso prejudicava "a paridade de armas entre as partes, na medida em que poderia revelar a expectativa de eventual condenação e suas repercussões financeiras". A AGU também afirma que as informações eram levadas ao Poder Judiciário como se fossem confissão de dívida, e que isso influenciava as decisões dos magistrados. O novo formato atende ao princípio da publicidade "na medida em que evidencia a exposição da União a riscos fiscais decorrentes de processos judiciais, ao mesmo tempo que resguarda informações protegidas por sigilo profissional estabelecidos", afirma a entidade. Para os pesquisadores, a mudança reduz a possibilidade de escrutínio justamente porque as estimativas são utilizadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em processos no STF e no STJ. Para Vasconcellos, os dados do ARF viram um "argumento de autoridade", como se os valores em discussão fossem aqueles que são apontados porque assim diz a Procuradoria da Fazenda Nacional, segundo os pesquisadores. Segundo o estudo, as estimativas do ARF passaram a aparecer com frequência crescente nos votos dos ministros do STF desde 2017. Ray Reyes/Unsplash

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