巴西资讯巴西宏观市场2026年6月8日
巴西央行预算自主权法案引争议,中资需关注高利率与监管风险
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PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas
巴西参议院审议PEC 65/2023,拟赋予央行财务和预算自主权,经济学家警告将削弱民主监督、便利金融部门俘获,并维持全球第二高实际利率,在巴中资企业需评估融资成本与合规环境变化。
为什么值得关注
PEC 65/2023若通过,将改变巴西央行治理结构,可能维持全球第二高实际利率,直接影响在巴中资企业的融资成本与汇率风险。
巴西参议院宪法与司法委员会(CCJ)正在审议的宪法修正案PEC 65/2023,拟赋予央行财务和预算自主权,允许其保留铸币税收入(2017-2025年年均233亿雷亚尔,约为央行年均预算48亿雷亚尔的5倍)。本周,包括前财政部长Bresser-Pereira在内的多位知名经济学家发布宣言,反对该提案,认为它将使央行脱离国会、联邦审计法院和行政权的民主控制,同时保持对金融市场影响的开放性,削弱监督、社会控制和问责,可能推高公共债务并维持高利率。该提案得到央行行长Gabriel Galípolo及私营银行协会ABBC、Febraban的支持。对于在巴西经营的中资企业而言,这一治理结构变化可能间接影响融资成本、汇率稳定性和监管透明度。
巴西参议院正在审议的宪法修正案PEC 65/2023,旨在赋予央行财务和预算自主权,允许其直接保留铸币税收入。本周,一批知名经济学家发布宣言,警告该提案将便利金融部门对货币当局的“俘获”,并有助于维持巴西全球第二高的实际利率(仅次于处于战争中的俄罗斯)。宣言指出,PEC创造了“选择性独立”:使央行脱离国家的民主控制(国会、联邦审计法院、行政权),但使其在结构上对金融市场的影响保持开放,失去了建制权力的制衡,私营部门的进入渠道仍然开放。签署者包括FGV经济学教授、前财政部长Luiz Carlos Bresser-Pereira,以及Unicamp经济学教授、前财政部经济政策秘书Luiz Gonzaga Belluzzo。
该提案目前已在参议院宪法与司法委员会(CCJ)的投票议程上。经济学家强调,央行通过铸币税获得的资金源于其应管理的宏观经济条件,这将造成公共利益与机构预算之间的冲突。宣言称:“铸币税相当于央行运营费用的约五倍。PEC为铸币税的世袭式占用开辟了法律空间,赋予央行巨大的财政宽松度,这与金融市场和央行行长要求的削减社会支出形成对比。”2021年法律已赋予央行行政和操作自主权,但机构仍依赖联邦预算。PEC 65将允许央行保留铸币税收入(2017-2025年间年均233亿雷亚尔,而央行年均预算为48亿雷亚尔)。
对于在巴西的中资企业,底稿未直接涉及中资企业具体影响,但通过以下机制可能产生间接传导:第一,若央行预算自主且更易受金融部门影响,货币政策可能偏向维持高利率以控制通胀,从而推高在巴中资企业的雷亚尔融资成本(如BNDES贷款或商业信贷利率)。第二,高利率是公共债务增长的主要驱动力,可能加剧巴西财政风险,进而影响雷亚尔汇率稳定,对中资企业的跨境贸易结算和利润汇回构成不确定性。第三,提案削弱了联邦审计法院对央行预算的管辖权,可能降低监管透明度,中资企业在与巴西金融机构合作时需加强合规尽职调查。
CBI解读:底稿显示,该提案的核心争议在于“独立性”的平衡——央行脱离民主监督的同时,却对金融市场保持开放。CBI认为,这实质上是将货币政策的政治问责从公共领域转移至私营金融部门,可能加剧巴西长期以来的高利率困境。巴西实际利率全球第二,已对实体经济投资形成抑制。若PEC 65通过,中资企业在巴西的制造业和基础设施项目可能面临更持久的信贷紧缩环境。此外,宣言中提及的“银行主修正案”(由参议员Ciro Nogueira提出,涉嫌由金融机构起草以扩大欺诈能力),提示中资企业需警惕金融系统合规风险上升。
待观察:第一,PEC 65在参议院CCJ的投票结果及后续全会审议时间表(底稿未提供具体日期,需跟踪巴西国会议程)。第二,巴西央行行长Gabriel Galípolo在公开场合对提案的进一步表态,以及是否会有更多经济学家或商业协会加入反对阵营。第三,巴西联邦审计法院(TCU)是否就央行预算管辖权变化提出法律挑战。
CBI 观察编辑判断
底稿显示,该提案本质是让央行在脱离民主监督的同时保持对金融市场的开放性。CBI认为,这可能导致货币政策更偏向金融部门利益,巴西高利率环境可能长期化,中资企业需提前评估融资结构。此外,提案削弱联邦审计法院管辖权,监管透明度下降,中资机构与巴西银行合作时应加强合规审查。
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信息概要
来源信息
- 来源
- Agência Brasil — Economia
- 原文标题
- PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas
- 原始语言
- 葡萄牙语
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- 编辑
- Clara Lin
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PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas
A autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC), prevista em proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, facilita a cooptação pelo setor financeiro da autoridade monetária responsável por regular e fiscalizar a área, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.
Essa é a avaliação de renomados economistas brasileiros que publicaram nesta semana manifesto contra a PEC 65 de 2023, que está na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
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“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.
Entre os autores, estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor de economia da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. A lista completa dos signatários pode ser conferida no final desta reportagem.
O manifesto sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central; aumenta a dívida pública; e poderia criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.
Manutenção dos Juros altos
O manifesto destaca que o dinheiro que seria retiro pelo Banco Central por meio senhoriagem - receita oriunda da criação de moeda- - é fruto das condições macroeconômicas que o BC deve administrar. Isso criaria um possível conflito entre interesse público e o orçamento da instituição.
“O BC passaria a se beneficiar institucionalmente de condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público, e não de seu próprio orçamento. E como a senhoriagem depende dos juros, o BCB passaria a ter conflito de incentivos em relação à manutenção de juros elevados”, dizem os economistas.
O Brasil tem hoje as segundas maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Rússia, país que está em guerra. Os juros altos são o principal motor do crescimento da dívida pública do país.
Receita da criação de moeda ficaria com BC
Em 2021, foi aprovada e sancionada Lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.
A PEC 65 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem. Essa receita foi de R$ 23,3 bilhões, ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões, ao ano, no mesmo período.
“A senhoriagem equivale a cerca de cinco vezes o que o Banco gasta para funcionar. A PEC abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem e confere imensa frouxidão fiscal ao BC, que contrasta com o corte dos gastos sociais que é exigido pelo mercado financeiro e pelo presidente do BC [Gabriel Galípolo]”, diz o documento.
Galípolo e bancos defendem PEC
A PEC 65 é defendida pela direção do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo, que argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir com a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro.
A PEC também é defendida pelos bancos privados que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm se manifestado favoravelmente à proposta.
Caso Master
Os signatários do manifesto contrário à PEC 65 citam o caso da emenda do Banco Master, apresentado a essa proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter sido redigida pela instituição de Daniel Vorcaro para ampliar a capacidade de fraude no sistema financeiro.
“Um BC orçamentariamente autônomo e desvinculado da supervisão parlamentar torna-se, estruturalmente, um regulador mais vulnerável à pressão do setor que regula. Os parágrafos 8º e 9º do novo art. 164 do substitutivo ampliam os mecanismos de socorro financeiro de emergência”, afirmam os economistas.
Para os especialistas, a PEC deixa o BC mais “vulnerável à interferência política, de lobistas e do setor financeiro sobre a nomeação de diretores e a composição de seu quadro funcional”.
Fiscalização fragilizada
Os signatários do manifesto apontam ainda que a proposta desmonta os mecanismos de fiscalização e responsabilização orçamentária, hoje previstos na Lei Orçamentária Anual.
“A PEC desmonta esses mecanismos sistematicamente — retira o BC da LOA, enfraquece a jurisdição do TCU”, diz o manifesto.
O texto lembra que o BC aprova, supervisiona e pode socorrer as mesmas instituições que, indiretamente, alimentam seu orçamento. “Essa é a definição clássica de um regulador capturado: um agente concebido para servir ao público, mas cujos incentivos o aproximam sistematicamente dos interesses dos regulados”, completa o documento.
Para os economistas, a PEC fragiliza os mecanismos de controle social do Banco Central ao retirar o orçamento da instituição da LOA, reduzindo “a capacidade de supervisão efetiva do Congresso, do TCU e da sociedade sobre decisões com amplo impacto macroeconômico”.
Dívida Pública
Os economistas lembram que a medida aumenta a dívida pública do governo ao retirar receitas do Tesouro Nacional, que passariam a ser controlas pelo Banco Central.
“Com a PEC, a senhoriagem [receita oriunda da emissão de moedas] deixaria de abater a dívida, porque seria entendida como ‘receita própria’ do BC sem obrigatoriedade de transferência para o Estado brasileiro."
Caso único
Os economistas que subscrevem o manifesto refutam a justificativa apresentada pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), de que a PEC se alinha as melhores práticas internacionais.
“Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC pretende criar”, diz o documento, que descreve os casos dos BCs dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido, Zona do Euro e Japão.
Signatários
Luiz Carlos Bresser-Pereira - FGV, ex-Ministro da Fazenda
Luiz Gonzaga Belluzzo - Unicamp, ex-Secretário de política econômica do Ministério da Fazenda
Flavia Dantas – SUNY – Cortland
Pedro Paulo Zahluth Bastos - Unicamp
Élida Graziane - FGV e Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
Paulo Nogueira Batista Jr. – Economista
Leda Paulani – USP
Ladislau Dowbor – PUC-SP
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – UNB
Haroldo Silva- Presidente do Corecon – SP
Isabel Busato – UFRJ
André Modenesi – UFRJ
Lena Lavinas – UFRJ
Luiz Fernando de Paula – UFRJ
Vanessa Petrelli Corrêa - UFU
Carlos Aguiar de Medeiros – UFRJ
Rosa Maria Marques - PUC-SP
Simone Deos - Unicamp
Antônio Prado – Vice-Presidente do Corecon – SP
Adriana Amado - UNB
Pedro Rossi – Unicamp
Gilberto Bercovicci – USP
Larissa Naves de Deus Dornelas - UFPR
Marco Antônio Rocha - Unicamp
Juliane Furno – UFF
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