巴西资讯巴西宏观市场2026年4月29日
巴西3月赤字创历史新高,中资企业需关注财政紧缩风险
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Com precatórios, governo tem maior déficit para meses de março
巴西中央政府3月基本赤字达737.83亿雷亚尔,创1997年以来同期最差,主因提前支付司法判决债务(precatórios),可能影响2026年财政目标及中资企业营商环境。
为什么值得关注
巴西3月赤字创历史同期最差,主因precatórios集中支付,直接影响在巴中资企业的政府回款周期、税收环境及基建投资节奏。
巴西国库局本周三(29日)公布的数据显示,2026年3月,中央政府因提前支付 precatórios(司法判决债务)导致基本赤字达737.83亿雷亚尔,为1997年有记录以来3月最差表现,去年同期为盈余15.27亿雷亚尔。总支出2698.81亿雷亚尔(实际增长49.2%),净收入1961亿雷亚尔(实际增长7.5%)。对于在巴西经营的中资企业而言,这一赤字规模意味着政府财政空间收窄,可能影响基础设施投资节奏、税收政策调整方向及公共项目付款效率。
巴西国库局公布的数据显示,3月中央政府基本赤字达737.83亿雷亚尔,创历史同期新高。总支出2698.81亿雷亚尔,实际同比增长49.2%,净收入1961亿雷亚尔,实际增长7.5%。支出激增的主要原因是 precatórios(司法判决债务)支付日程调整——2026年集中在3月支付,而2025年大部分在7月。其中,司法判决和 precatórios 支出达349.03亿雷亚尔,社保福利支出286.15亿雷亚尔(含239.82亿 precatórios),人员经费支出112.58亿雷亚尔(含87.86亿 precatórios)。收入方面,IOF(金融交易税)贡献28亿雷亚尔、进口税23亿雷亚尔、所得税23亿雷亚尔、CSLL(社会贡献税)14亿雷亚尔、Cofins(社会保障融资贡献)15亿雷亚尔,但不足以弥补支出缺口。第一季度累计赤字170.85亿雷亚尔,去年同期为盈余549.93亿雷亚尔。3月联邦投资148亿雷亚尔(实际增长323.9%),2026年累计投资244亿雷亚尔(实际增长146.4%)。2026年财政目标为GDP的0.25%盈余(约343亿雷亚尔),但允许扣除最多635亿雷亚尔支出(含 precatórios),官方预测实际赤字598亿雷亚尔,意味着连续赤字年份。
对于在巴西的中资企业,这一赤字数据直接影响多个业务环节。首先,基础设施和能源领域的中资企业需关注联邦投资节奏——尽管3月投资同比大幅增长,但整体财政赤字压力可能迫使政府在后续月份压缩资本性支出,影响在建项目的付款进度和新项目招标。其次,税收方面,收入增长主要来自IOF、进口税、所得税等,若政府为弥补赤字进一步加税,中资制造业和贸易企业可能面临更高的合规成本。此外,precatórios 的集中支付反映了司法判决执行对财政的冲击,中资企业在巴西涉及税务、劳工等诉讼时,需关注判决后政府支付能力及时间表。底稿未涉及中资企业直接影响,但通过财政紧缩、税收调整和投资节奏三个机制间接传导。
CBI 解读:底稿数据显示,3月赤字主要源于 precatórios 支付节奏调整,属于一次性冲击,但第一季度累计赤字170.85亿雷亚尔,而去年同期为盈余549.93亿雷亚尔,表明财政基本面已显著恶化。CBI 认为,2026年财政目标(盈余343亿雷亚尔)实现难度极大,官方预测赤字598亿雷亚尔更符合现实。若赤字持续,巴西政府可能采取以下措施:一是提高部分税种税率(如IOF、Cofins),二是削减非强制性支出(如投资),三是加速私有化或特许经营权拍卖以获取一次性收入。横向对比,2025年巴西财政表现相对稳健,但2026年因 precatórios 集中支付导致赤字飙升,类似事件在2020年也曾发生(疫情相关支出激增),当时政府通过紧急支出上限豁免应对。
待观察:一是2026年4月至6月的月度财政数据,观察 precatórios 支付高峰过后赤字是否回落;二是巴西国会是否在2026年下半年讨论新的财政调整措施(如税改第二阶段或支出上限改革);三是联邦投资增速能否维持——3月投资实际增长323.9%,但若赤字压力加大,后续月份可能大幅放缓。
CBI 观察编辑判断
底稿显示3月赤字主要由precatórios支付时间调整导致,并非结构性恶化,但第一季度累计赤字170.85亿雷亚尔已超全年官方预测赤字的28.6%。CBI认为,若下半年收入增长无法加速,政府可能被迫削减投资或延迟非司法支出,中资企业需提前与合同方沟通付款保障条款。
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- Agência Brasil — Economia
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- Clara Lin
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Com precatórios, governo tem maior déficit para meses de março
O pagamento antecipado de precatórios, dívidas da União com sentenças judiciais definitivas, pressionou as contas públicas e levou o governo central a registrar um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).
O resultado é o pior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
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O déficit representa uma forte deterioração frente a março do ano passado, quando houve superávit de R$ 1,527 bilhão. De acordo com o Tesouro, a principal explicação está na mudança do calendário de pagamento dos precatórios, que em 2026 se concentraram em março. Em 2025, a maior parte dessas despesas foi paga em julho.
O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública.
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Despesas
As despesas totais dispararam no período, impulsionadas principalmente pelos gastos com decisões judiciais e seus efeitos indiretos sobre outras rubricas do orçamento.
Principais números de março:
Déficit primário: R$ 73,783 bilhões;
Despesas totais: R$ 269,881 bilhões (49,2% acima da inflação em relação a março do ano passado);
Receita líquida: R$ 196,1 bilhões (7,5% acima da inflação).
Maiores aumentos de gastos:
Sentenças judiciais e precatórios (custeio e investimento): R$ 34,903 bilhões
Benefícios previdenciários: R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões em precatórios;
Pessoal e encargos sociais: R$ 11,258 bilhões, dos quais R$ 8,786 em precatórios.
Segundo o Tesouro, os precatórios também influenciaram o aumento de gastos com Previdência e folha de pagamento, já que parte dessas despesas está vinculada a decisões judiciais.
Apesar da piora no resultado fiscal, a arrecadação apresentou crescimento, impulsionada pelo desempenho da economia e por medidas tributárias recentes.
Entre os destaques:
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): R$ 2,8 bilhões em relação a março do ano passado;
Imposto de Importação: R$ 2,3 bilhões;
Imposto de Renda: R$ 2,3 bilhões;
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): R$ 1,4 bilhão;
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins): R$ 1,5 bilhão.
Ainda assim, o avanço das receitas foi insuficiente para compensar o salto das despesas.
Resultado do ano
No acumulado do primeiro trimestre, as contas públicas registraram déficit de R$ 17,085 bilhões, revertendo o superávit de R$ 54,993 bilhões observado no mesmo período de 2025.
Acumulado de janeiro a março:
Déficit primário: R$ 17,085 bilhões;
Receita líquida: R$ 626,4 bilhões (4,2% real);
Despesas totais: R$ 643,5 bilhões (23,3% real).
Assim como em março, o resultado acumulado foi impactado pela antecipação no pagamento de precatórios.
No primeiro trimestre, o déficit está baixo por causa do superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro. Tradicionalmente, o primeiro mês do ano é caracterizado por resultados positivos.
Investimentos
Os investimentos federais registraram crescimento expressivo em março, indicando aumento da execução orçamentária.
Investimentos em março: R$ 14,8 bilhões (323,9% acima da inflação);
Acumulado em 2026: R$ 24,4 bilhões (146,4% acima da inflação).
O avanço reflete a aceleração de projetos públicos e execução de despesas discricionárias (não obrigatórias) no início do ano.
Meta fiscal
A meta fiscal para 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite resultado entre zero e R$ 68,6 bilhões positivos.
No entanto, regras aprovadas permitem excluir até R$ 63,5 bilhões em despesas do cálculo, incluindo precatórios. Mesmo com esses abatimentos, a previsão oficial do governo é de déficit efetivo de R$ 59,8 bilhões no ano.
Se confirmada, será mais um ano de contas no vermelho.
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