巴西资讯巴西科技平台2026年4月21日
伊泰普水电站试验水上光伏,研究显示发电潜力巨大
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Energia solar em Itaipu tem potencial para dobrar capacidade da usina
位于巴西与巴拉圭边境的伊泰普水电站正在其水库水面进行太阳能发电实验,已安装1584块光伏板。研究表明,若覆盖水库10%面积,其发电潜力相当于再造一座伊泰普水电站,同时该水电站的创新园区也在推进绿色氢能等前沿能源项目。
为什么值得关注
探索水电与光伏互补,为大型水电站提升综合可再生能源产出提供了创新路径。
自去年年底以来,位于巴西与巴拉圭边境的世界级水电站——伊泰普水电站(Itaipu)在其广阔的水库水面上启动了一项前瞻性的太阳能发电实验。巴西和巴拉圭两国的技术人员正在研究利用水电站淹没区的水面安装太阳能电池板。目前,已在巴拉圭一侧、距岸边15米、水深约7米的水域,安装了1584块光伏板,形成了一个覆盖面积不到1万平方米的“太阳能岛”。这座峰值发电能力为1兆瓦的试验电站目前仅供内部使用,其核心目标是作为一个研究实验室,为未来的大规模商业应用探路。
这项实验的选址极具战略意义。伊泰普水库水域面积约1300平方公里,周长近170公里,平均宽度达7公里。这片原本用于水力发电的巨大水域,如今被赋予了探索太阳能发电潜力的新使命。已建成的试验电站峰值发电能力为1兆瓦,相当于650户家庭的用电量,但其意义远不止于此。伊泰普两国公司(Itaipu Binacional)可再生能源主管罗热里奥·梅内盖蒂指出,该项目旨在分析太阳能板与水库环境相互作用的各个方面,包括对鱼类和藻类行为、水温、风力影响以及浮体锚固系统稳定性的研究,这些数据对未来大规模部署至关重要。梅内盖蒂进一步阐述了一个理论化的巨大潜力:“如果覆盖水库10%的面积,其发电能力将相当于另一座伊泰普水电站。”当然,他也强调这目前仅是一个理论构想,实现它需要更新1973年签署的《伊泰普条约》,并取决于大量后续研究。初步估计显示,要达到3000兆瓦的太阳能发电能力(约相当于目前水电站14000兆瓦装机容量的20%),至少需要四年的安装时间。这个投资额为85.45万美元(约合430万巴西雷亚尔)的项目,由巴西的Sunlution公司和巴拉圭的Luxacril公司组成的联合体承建。伊泰普的能源多元化探索并未止步于太阳能。在位于巴西福斯杜伊瓜苏的伊泰普技术创新园区(Itaipu Parquetec),绿色氢能和电池等其他前沿能源项目也在同步推进。这个成立于2003年的创新生态系统,已与大学、公共及私营企业合作,培养了超过550名博士和硕士。园区内设立的先进氢能技术中心,正致力于通过水电解技术生产“绿色氢能”。伊泰普技术创新园区氢能技术中心经理丹尼尔·坎塔尼解释道,该中心作为一个技术平台,服务于科学研究或国内工业项目,为正在开发的氢能卡车、氢能巴士等项目提供测试和验证环境。绿色氢能可作为可持续原料用于钢铁、化工等多个行业,也可作为清洁燃料。这些举措共同勾勒出伊泰普这座传统水电巨头向综合可再生能源中心转型的宏伟蓝图。
CBI 观察编辑判断
伊泰普水电站的实验将“光伏+水电”的混合模式从概念推向实地研究阶段,其庞大的水库面积意味着巨大的理论扩展空间。该项目与绿色氢能研发并行,显示出传统能源巨头向多能互补综合能源供应商转型的前瞻性布局。
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- Agência Brasil — Economia
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- 原始语言
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- Clara Lin
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Energia solar em Itaipu tem potencial para dobrar capacidade da usina
O reservatório de água da usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, na Região Sul do país, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados (km²) de perímetro, com quase 170 km de extensão, desde a barragem até o lado oposto, e uma largura média de 7 km entre as margens direita e esquerda.
Toda a capacidade hidrelétrica contida na área inundada do Rio Paraná, que move turbinas que geram até 14 mil megawatts (MW) de energia elétrica, também pode ser aproveitada para gerar eletricidade a partir de painéis solares instalados justamente sobre o espelho d'água. Esse é o experimento que vem sendo estudado por técnicos brasileiros e paraguaios desde o fim do ano passado.
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Ao todo, foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados (m²) sobre o lago, a apenas 15 metros de um trecho da margem no lado paraguaio, com profundidade de aproximadamente 7 metros.
A planta solar de Itaipu tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia é equivalente ao consumo de 650 casas e só é utilizada para consumo interno, sem comercialização e sem ligação direta com a rede de geração hidrelétrica.
Na prática, o objetivo atual da "ilha solar" de Itaipu é funcionar como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Os engenheiros envolvidos no projeto analisam todos os aspectos, como a interação das placas com o ambiente, incluindo eventuais impactos no comportamento de peixes e algas, na própria temperatura da água, influência dos ventos sobre o desempenho do painéis, a estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem com o solo.
A ideia, no futuro, é expandir a geração de energia elétrica por esta via, algo que precisará ser atualizado no próprio Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai e que viabilizou a colossal obra de engenharia compartilhada.
"Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração. Claro que isso não está no planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa", apontou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti.
Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de tempo de instalação para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts (algo como 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente).
O investimento é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual). As obras de instalação foram tocadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor da licitação.
Uma usina, muita fontes
A diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita aos estudos em energia solar, mas envolve projetos ousados com hidrogênio verde e baterias.
Essas iniciativas estão em desenvolvimento no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia, criado em 2003 pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). Conta com parceria de universidades e empresas públicas e privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diferentes áreas.
Ali, funciona o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, que desenvolve o hidrogênio verde. O hidrogênio é denominado "verde", ou sustentável, porque ele pode ser obtido sem emissão de gás carbônico (CO₂), causador do efeito estufa e, por consequência, do aquecimento global.
A técnica usada no Itaipu Parquetec é o processo da eletrólise da água, que promove a separação dos elementos químicos a partir de moléculas como a da água (H₂O), por meio do uso de equipamentos em processos químicos automatizados feitos em laboratórios.
Foz do Iguaçu (PR), 14/04/2026 - Itaipu Parquetec, centro tecnológico de inovação da Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O hidrogênio verde é versátil e pode servir como insumo sustentável para a cadeia de produção industrial, incluindo siderúrgica, química, petroquímica, agrícola, alimentícia entre outras, e como combustível para o mercado de energia e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção do hidrogênio verde serve como uma plataforma para desenvolvimento de projetos-piloto.
"Nós somos uma plataforma tecnológica, então trabalhamos para atender, por exemplo, projetos de pesquisa [científica] ou projetos para indústria nacional. Existem algumas empresas nacionais que estão fazendo seus desenvolvimentos de carreta [movida] a hidrogênio, de ônibus a hidrogênio, por exemplo. Aqui é o lugar para testar e validar esses projetos", explica Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec.
Uma dessas iniciativas foi apresentada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, a partir de uma pesquisa no Itaipu Parquetec, foi entregue para atuar na coleta seletiva das comunidades ribeirinhas no entorno da capital paraense.
Outro destaque no Itaipu Parquetec é um centro de gestão energética, que alavanca pesquisas na área de desenvolvimento de células e protótipos para fabricação e reaproveitamento de baterias, para o armazenamento de energia, especialmente em sistemas estacionários, voltados para empresas ou outras estações fixas, que demandam, por exemplo, uma reserva energética.
Biogás e SAF
A Itaipu também vem apostando na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos gerados pelos restaurantes espalhados por diferentes alas da usina e de materiais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA-Vigiagro), em fiscalização de fronteira.
Tudo isso, em vez de ser descartado em aterro, transforma-se em biogás e biometano.
A convite da Itaipu Binacional, a Agência Brasil acompanhou, no último dia 13 de abril, a reinauguração da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis que fica no complexo da usina. O local é gerido pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), uma empresa fundada por Itaipu voltada a soluções na área de combustível limpo.
Por um processo de biodigestão realizado em grandes tanques, alimentos oriundos de contrabando e outros resíduos orgânicos gerados na região são transformados em combustível limpo, capaz de abastecer carros que circulam dentro de Itaipu, abastecidos por meio de cilindros de gás instalados nos veículos.
Foz do Iguaçu (PR), 13/04/2026 - Unidade de Produção de Hidrocarbonetos Renováveis e de Demonstração de Biocombustíveis da Usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Em quase nove anos de operação, segundo a usina, foram processadas mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, volume que resultou na geração de biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros, o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.
A planta também desenvolve, de forma experimental, o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês).
"Eu acredito que nos próximos 10 anos, nós vamos ver muito sobre os combustíveis avançados. Vamos ouvir muito sobre o hidrogênio, sobre o SAF, inclusive por conta da lei de combustíveis futuro, que vem aí com mandato. Biometano e SAF são os assuntos do momento", destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás.
*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Itaipu Binacional.
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