巴西资讯巴西宏观市场2026年3月23日
巴西核能峰会强调发展核能对实现能源自主具有战略意义
分享
Energia nuclear é estratégica para soberania, defende indústria
2024年4月23日,巴西核活动发展协会在里约热内卢举办核能发展峰会,与会专家认为,在全球能源供应链不稳定背景下,发展核能对巴西实现能源自主和国家主权至关重要,并指出巴西应掌握完整核燃料循环技术以提升工业与科技水平。
为什么值得关注
核能发展关乎巴西能源独立与技术自主,影响其工业竞争力和出口结构。
2024年4月23日,巴西核活动发展协会在里约热内卢州工业联合会创新与趋势中心举办了核能发展峰会。与会专家一致认为,在全球经济需要稳定能源且地缘政治动荡影响油气供应链的背景下,发展核能对巴西实现能源自主和国家主权具有战略意义。专家强调了核能的可扩展、清洁、高效、占地小及供应稳定等优点,并呼吁巴西掌握从采矿到反应堆开发的完整核燃料循环技术。
在峰会上,南里奥格兰德联邦大学国际关系教授Júlio César Rodriguez指出,核能是巴西实现能源自主和技术自主的关键。他强调,掌握从矿物开采、转化、浓缩到反应堆开发的完整核燃料循环技术,将使巴西跻身世界重要的工业与技术发展行列。Abdan主席Celso Cunha列举了核能的“重要属性”:清洁、高效、技术含量高,且在极小空间内发电。他认为,当前的环境和地缘政治形势凸显了核能的优势,并指出能源独立对国家增长至关重要。Cunha承认巴西拥有丰富的风能、太阳能和水电等可再生能源,但强调了核能供应稳定、不受气候因素影响的独特优势。他还提到,出口高附加值的核燃料而非原矿,能为国家带来巨大经济利益。ENBpar公司风险与合规顾问Mayara Mota补充道,该公司正致力于让巴西掌握铀的完整循环,目前转化步骤仍在国外进行,巴西缺乏的是相关基础设施。
巴西目前拥有安格拉1号和2号两座在运核电站,总装机容量为2吉瓦,足以为贝洛奥里藏特(约230万居民)这样的城市供电。铀循环在巴西由国家垄断,仅用于和平目的。国有巴西核工业公司运营着该国唯一的铀矿(位于巴伊亚州卡埃蒂特),浓缩则在里约热内卢州雷森德的工厂进行。然而,安格拉3号核电站的建设已中断,其停工每年造成约10亿雷亚尔的成本。巴西国家经济社会发展银行的一项调查指出,彻底放弃该项目的成本可能在220亿至260亿雷亚尔之间,而完成该项目预计还需约240亿雷亚尔。尽管核能被产业界视为清洁能源,但其产生的放射性废物处理问题仍受环保人士关注,国家核能委员会正在努力确定最终储存库。
此次峰会明确了核能在巴西能源战略中的核心地位。专家们的共识是,推动核能发展不仅是应对全球能源供应链不稳定的手段,更是提升国家工业与科技水平、增加出口附加值的关键路径。关于安格拉3号项目的未来,政府正面临抉择:是继续投资约240亿雷亚尔完成建设,为电网新增1.4吉瓦容量,还是承担220亿至260亿雷亚尔的潜在放弃成本。这一决策将直接影响巴西核能产业的规模与技术积累进程。同时,如何安全处理核废料,平衡能源发展与环境保护,将是巴西核能政策必须面对的持续挑战。
CBI 观察编辑判断
巴西产业界将核能定位为兼具战略安全性与经济价值的清洁能源选项。安格拉3号项目的巨额沉没成本与完成成本相近,使得“继续建设”在财务上可能成为一个不得不考虑的选择。
这条资讯对你有帮助吗?
信息概要
来源信息
- 来源
- Agência Brasil — Economia
- 原文标题
- Energia nuclear é estratégica para soberania, defende indústria
- 原始语言
- 葡萄牙语
- 原文链接
- 查看原文 →
- 编辑
- Clara Lin
查看原文(葡萄牙语)
Energia nuclear é estratégica para soberania, defende indústria
O desenvolvimento da energia nuclear é estratégico para o Brasil alcançar autonomia energética e soberania nacional, em um momento em que as economias globais precisam de fontes estáveis de energia e o cenário geopolítico causa turbulência nas cadeias de petróleo e gás natural.
A opinião é defendida por especialistas que participaram, nesta segunda-feira (23), do Nuclear Summit, encontro sobre o desenvolvimento da energia nuclear, na Casa Firjan, centro de inovação e tendências da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O encontro foi realizado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).
Notícias relacionadas:
G7 se dispõe a agir para proteger fornecimento de energia .
Eletrobras vende participação na Eletronuclear para o Grupo J&F.
Angra 3: obra parada gera custo anual de quase R$ 1 bilhão.
O professor de relações internacionais Júlio César Rodriguez, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), considera que o Brasil deve investir na energia nuclear pelo caráter escalável dessa fonte energética, ou seja, capacidade de aumento da produção.
“A energia nuclear é uma fonte de energia chave para o Brasil dominar, ter autonomia energética e, mais do que isso, ser autônomo tecnologicamente”, completa o professor da universidade gaúcha em entrevista à Agência Brasil.
“Dominando o processo todo, a extração dos minérios, o enriquecimento, o desenvolvimento de reatores, estamos jogando em nível de desenvolvimento industrial, tecnológico e científico mais alto, dos atores mais importantes do mundo”, sustenta.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Momento certo
O presidente da Abdan, Celso Cunha, elenca que a energia nuclear tem “atributos importantes”. “É limpa, gera energia em um espaço muito pequeno, é altamente eficiente e tecnológica”, descreve.
Para Cunha, a conjuntura ambiental e geopolítica, com conflitos internacionais, reafirma as vantagens da energia nuclear.
“É extremamente importante um país ser independente energeticamente. Um país dependente energeticamente não consegue crescer”, diz ele à Agência Brasil.
O presidente da Abdan reconhece que o Brasil tem muitas fontes renováveis, como eólica, solar e hidrelétrica, mas ressalta a vantagem de a energia nuclear ter fornecimento constante, que não depende de fatores climáticos, como ventos, sol e regime de chuvas.
“É a grande solução”, defende ele, incluindo como vantagem para o país a capacidade de exportar combustível. "Podemos ganhar muito dinheiro vendendo combustível. Nada de vender minério in natura, isso não traz valor agregado. Estamos no momento certo, chegou a hora do nuclear”, finaliza.
Apesar de ser considerada pela indústria como energia limpa, a fonte nuclear atrai preocupação de ambientalistas a respeito dos resíduos gerados no processo, que precisam ser armazenados de forma segura.
No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, um órgão estatal, trabalha na definição de um reservatório definitivo para pastilhas utilizadas de urânio.
Ciclo de urânio
A assessora de integridade e gestão de risco da Empresa de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), Mayara Mota, explicou que a empresa, ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), busca caminhos para que o Brasil domine o ciclo completo do urânio, mineral matéria-prima da energia nuclear.
“Hoje em dia, a conversão é feita fora do Brasil. Então, a ideia da usina de conversão é que a gente possa trazer a infraestrutura. A técnica para fazer isso a gente tem, falta a estrutura”, detalhou.
A conversão é a transformação do yellowcake (concentrado de urânio) em hexafluoreto de urânio, etapa fundamental no ciclo do combustível nuclear, que transforma um pó sólido em um composto que facilita o enriquecimento e o transporte.
O ciclo do urânio é de monopólio do Estado e só realizado para fins pacíficos. A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) opera a única mina do mineral no país, em Caetité, no sudoeste da Bahia, e o enriquecimento é feito na fábrica de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro.
Usinas em Angra
Atualmente, o Brasil tem duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e Angra 2, na cidade de Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. As duas, juntas, têm capacidade de geração de 2 gigawatts (GW), potência capaz de abastecer uma cidade como Belo Horizonte, com 2,3 milhões de habitantes.
A usina Angra 3 está com a construção interrompida, e o governo discute se investirá na conclusão do projeto, que poderia adicionar 1,4 GW ao sistema elétrico brasileiro. A obra parada custa cerca de R$ 1 bilhão por ano ao país.
>> Leia mais: Com construção parada, Angra 3 investe em conservação de equipamentos
Um levantamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que o custo do abandono definitivo das obras de Angra 3 pode variar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Esse valor pode ultrapassar o necessário para a conclusão do empreendimento, estimado em R$ 24 bilhões.
A decisão de seguir ou não com Angra 3 cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão que reúne diversos ministérios.
Transição energética
A consultora técnica Regina Fernandes, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), destacou que a energia nuclear ganha protagonismo no compromisso do país com a transição energética, diminuindo a dependência do país de combustíveis mais poluidores, como o petróleo.
“Essas fontes firmes e limpas têm espaço no cenário de longo prazo para ocupar lugar na matriz energética. São fontes que vão receber mais incentivos por conta de urgência climática”, afirmou a técnica da empresa vinculada ao MME.
No último dia 10, o governo brasileiro anunciou a adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, iniciativa que busca mobilizar governos, indústrias e instituições financeiras para ampliar, até 2050, a capacidade instalada dessa fonte energética no mundo.
A iniciativa foi assinada durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear, em Paris.
觉得有价值?
分享给需要了解巴西市场的朋友
帮助更多中国企业看懂巴西,做成生意
China Brazil Insight · 中巴合作价值链中的信息节点