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巴西登记202个AI本科课程,过半尚无MEC课程评分

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Graduação em IA: uma formação estratégica

巴西科技创新部发布的课程地图显示,全国登记202个人工智能与数据科学本科课程,仅80个有MEC课程评分,已评分课程均获4分或5分。

巴西科技创新部(MCTI)发布的《巴西人工智能高等教育课程地图》显示,全国共登记202个人工智能与数据科学本科课程(含学士与技术学位),其中仅80个在教育部e-MEC平台上有课程评分(Conceito de Curso),且所有已获评分的课程均得到4分和5分——这是MEC评分体系中的最高两档。该报告于报道发布前五个月公布。

报告指出,超过一半的课程因开设时间较新,尚未完成MEC的评估周期,因此暂无质量指标。MEC的课程评分不应与课程的办学授权或合规性混为一谈:高校开设本科课程须满足MEC在教学方案、师资、基础设施等方面的监管要求。弗鲁米嫩塞联邦大学(UFF)计算机科学系教授Aline Paes表示,大学在课程创设过程中会遵循MEC的全部建议和规则,学生毕业时其文凭将由MEC认证。

戈亚斯联邦大学(UFG)信息学院教授Vinícius Sebba认为,在联邦大学,尤其是声誉良好的院校,人们对课程评分问题担忧较少。他牵头的UFG人工智能学士课程于2019年创建,2020年首批学生入学,虽已有学生毕业,但该课程尚未接受评估。

课程分布并不均衡。报告显示,东南部和南部地区集中了最多的人工智能或数据科学本科课程,圣保罗州以44所机构居首,巴拉那州21所,米纳斯吉拉斯州和南里奥格兰德州各14所。阿克里、阿马帕、朗多尼亚和罗赖马四个州没有任何专门面向人工智能或数据科学的本科课程。报告称,这些州高等教育机构密度较低、距离主要学术中心较远,即便远程教育的扩张也未能消除这一差距:85.5%的学士课程为面授,72%的技术课程为远程教育。

文章还提到,斯坦福HAI发布的2026年AI指数报告显示,2025年人工智能已进入五大洲88%的受访组织;生成式AI工具仅用三年就达到相当于53%人口的采用水平,速度快于个人电脑和互联网的早期普及。报告称,中国以约600所大学开设人工智能相关本科课程成为主要培养中心,美国有151所类似院校,沙特阿拉伯则推行国家政策扩大此类课程,去年86%的大学已开设AI课程。

文章认为,巴西是外国技术的消费国,在工具和数据存储上严重依赖大型科技公司。教授Paula Maçaira表示,全球正在争夺技术能力,如果只培养使用他国工具的用户,依赖会加深;如果培养能开发模型、创办企业、开展研究并适配巴西需求的专业人才,则能增强数字主权与创新能力。

该课程地图是《巴西人工智能计划》(PBIA)的一部分,PBIA的目标是“将巴西打造为人工智能创新与使用效率的全球参考,尤其是在公共部门”。其行动之一“本科人工智能”计划创设课程、扩大相关学科,并在三年内新增至少5000个名额。

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Graduação em IA: uma formação estratégica

Download E-mail Enviar A expansão dos cursos de nível superior em Inteligência Artificial ou Ciência de Dados, como vimos na primeira parte da nossa reportagem especial sobre graduação em IA , não garante que o país esteja abastecido de boas formações. As graduações, sejam elas para bacharelado ou tecnólogo, são bem recentes e mais da metade ainda não tinha Conceito de Curso disponível no e-MEC no momento do levantamento. É o que aponta o “Mapeamento dos Cursos Superiores em Inteligência Artificial no Brasil”, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e divulgado há apenas cinco meses. Das 202 graduações em IA e Ciência de Dados registradas pelo estudo (entre bacharelados e tecnólogos), 80 apresentavam o Conceito de Curso no e-MEC, a plataforma do Ministério da Educação que acompanha a regulação do ensino superior no país. A boa notícia é que todas as graduações que já apresentavam avaliação receberam notas 4 e 5, as duas mais altas na escala do MEC. Para quem está buscando um diploma em uma área tão nova, caracterizada por atualizações constantes e com avaliações ainda por serem feitas, a decisão de ingressar na graduação em IA pode ser uma aposta que deve levar em consideração não apenas o “canudo”, mas a grade curricular e a reputação da instituição de ensino que está ofertando o curso. É o que pondera Vinícius Sebba, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (UFG) e que esteve à frente da criação do Bacharelado em Inteligência Artificial da instituição em 2019, com os primeiros alunos ingressando em 2020. Apesar de já ter formado estudantes, o curso ainda não foi avaliado. “Nas universidades federais, eu acho que as pessoas têm menos preocupação com relação a isso, principalmente quando é uma faculdade que tem boa reputação”, afirma Vinícius. O próprio “Mapeamento dos Cursos Superiores em Inteligência Artificial no Brasil” informa que parte dos cursos identificados, especialmente os que foram autorizados mais recentemente, ainda não completaram o ciclo avaliativo do Ministério da Educação e, por isso, ainda não possuem indicadores de qualidade. O Conceito de Curso (CC), no entanto, não deve ser confundido com a autorização ou regularidade de funcionamento de uma graduação. Para iniciar a oferta de um curso superior, uma instituição precisa cumprir as exigências regulatórias do Ministério da Educação, que, em geral, envolvem projeto pedagógico, corpo docente adequado, infraestrutura e condições acadêmicas compatíveis com a formação proposta, como explica a professora Aline Paes, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF). “O cuidado que a universidade tem nesse processo de criação vai seguir todas as recomendações e regras do Ministério da Educação. Então, é quase como se fizéssemos uma simulação do que o MEC faria, mas, antes de o aluno estar formado, o diploma dele vai ser certificado pelo MEC. O ministério precisa dizer que está tudo bem”, afirma a professora. Com o intuito de saber mais sobre o processo de avaliação dos cursos de ensino superior do país, nós tentamos contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC e responsável por executar a avaliação no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Para isso, realiza avaliações externas, inclusive visitas in loco, analisando aspectos como projeto pedagógico, corpo docente e infraestrutura. No entanto, até o fechamento dessa reportagem, não obtivemos retorno do Inep. Onde a graduação em IA cresce A oferta de cursos superiores em Inteligência Artificial não está distribuída de maneira uniforme no território brasileiro. O “Mapeamento dos Cursos Superiores em Inteligência Artificial no Brasil” aponta que as regiões Sudeste e Sul concentram a maior oferta de graduação em IA ou Ciência de Dados, sendo que São Paulo lidera esse ranking com 44 instituições, entre públicas e privadas. Em seguida, estão os estados do Paraná, com 21 e Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com 14 cada. Por outro lado, os estados do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima não apresentam instituições com graduações especificamente dedicadas à Inteligência Artificial ou à Ciência de Dados. Eles têm menor densidade de instituições de ensino superior e maior distância dos principais centros acadêmicos do país, reforçando as desigualdades na distribuição territorial da oferta de universidades brasileiras. Nem mesmo a expansão da Educação a Distância (EaD) foi capaz de eliminar essa diferença. De acordo com o mapeamento, 85,5% dos bacharelados são presenciais e 72% dos tecnólogos são à distância. A concentração desigual pode ter efeitos que vão além do acesso ao diploma, já que universidades também abrigam grupos de pesquisa, laboratórios e projetos capazes de movimentar profissionalmente as regiões onde estão localizadas. Inteligência Artificial e internacional O AI Index Report do ano de 2026, pesquisa produzida pelo Stanford HAI, um instituto interdisciplinar da Universidade de Stanford e dedicado à pesquisa sobre a ciência de dados e a IA, mostrou que a Inteligência Artificial chegou a 88% das organizações consultadas nos cinco continentes, no ano de 2025. Já as ferramentas de IA generativa alcançaram um nível de adoção equivalente a 53% da população em apenas três anos, ritmo superior ao observado na disseminação inicial do computador pessoal e da Internet. Diante do caráter estratégico dessa tecnologia, diferentes países têm ampliado a formação na área. O mapeamento brasileiro organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação faz um breve apanhado do cenário mundial e aponta a China como principal polo de formação ao registrar cerca de 600 universidades oferecendo graduações relacionadas à IA no ano de 2025. Nos Estados Unidos, eram 151 instituições com cursos similares. Já a Arábia Saudita adotou uma política nacional voltada à expansão dessas graduações e, no ano passado, 86% das universidades já ofereciam cursos de IA. Formação e soberania tecnológica O Brasil é um país consumidor de tecnologia estrangeira e temos uma forte dependência das big techs para ferramentas e armazenamento de dados. No mês de abril, na matéria “Entre a nuvem e a soberania digital”, publicada na MIT Technology Review Brasil, falamos dos riscos disso para a produção científica e a proteção das informações acadêmicas do país. Só que, para produzir soluções com selo nacional, é preciso ter profissionais que pensem dessa forma. “Estamos vivendo uma disputa global por capacidade tecnológica. Se formarmos apenas usuários das ferramentas produzidas por outros países, aumentaremos nossa dependência tecnológica, mas se formarmos profissionais capazes de desenvolver modelos, criar empresas, produzir pesquisa e adaptar soluções às necessidades brasileiras, fortalecemos nossa soberania digital e nossa capacidade de inovar”, destaca a professora Paula Maçaira. O “Mapeamento dos Cursos Superiores em Inteligência Artificial no Brasil” foi motivado pela rápida expansão da Inteligência Artificial e pela necessidade de compreender como está a formação para essa área no nosso país. Ele é parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que tem o objetivo de “transformar o país em referência mundial em inovação e eficiência no uso da Inteligência Artificial, especialmente no setor público”, conforme está na página do governo federal onde o plano é apresentado. E, entre as ações do PBIA, está justamente a “IA na Graduação”, que prevê criação de cursos, ampliação de disciplinas relacionadas à área e pelo menos 5 mil novas vagas em três anos. E quem opta por estudar a IA sabe que o conhecimento adquirido não se encerra após os anos de graduação, porque, especialmente nessa área, tudo muda de maneira acelerada. O estudante Igor Aguiar faz parte da quinta turma do bacharelado em IA da Universidade Federal de Goiás e participa de projetos no Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), o polo de inovação criado pela própria UFG. Entrou no curso em 2024, ainda entendendo o que queria para a própria formação, mas não se arrepende. “É uma área muito viva e estamos o tempo todo expandindo a fronteira do conhecimento. Os professores comentam com a gente que, para estar na área da tecnologia, tem que gostar de aprender. Não é algo engessado e você consegue aplicar em várias áreas diferentes. Como a gente precisa de dados e eles estão em tudo, não ficamos restritos a uma coisa só”, reflete Igor. Enquanto novas turmas avançam nos cursos já existentes, a formação em Inteligência Artificial também está no planejamento do PBIA, com previsão de criação de pelo menos 5 mil vagas em graduações da área. O próprio mapeamento, no entanto, mostra que ampliar a oferta é apenas uma parte do processo: ainda há cursos sem indicadores consolidados de qualidade, forte concentração regional e lacunas de oferta em diferentes estados. O desafio agora é acompanhar se essa expansão conseguirá ser transformada em capacidade efetiva de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico no país.

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