巴西资讯巴西宏观市场2026年4月15日
巴西2025年预算结构失衡:议员修正案与债务利息挤压公共投资
分享
Emendas parlamentares e juros da dívida apertam investimentos públicos
巴西社会经济研究所(Inesc)最新报告指出,2025年联邦预算中,总额达450亿雷亚尔的议员修正案占可自由支配支出的20%,同时3717亿雷亚尔用于支付债务利息,而联邦公共投资仅为其20%,导致用于减少不平等的公共政策资源受到严重挤压。
为什么值得关注
揭示了巴西财政资源分配的结构性矛盾,影响公共投资与社会发展政策的可持续性。
巴西社会经济研究所(Inesc)于本周二(14日)发布了《预算与权利:公共政策执行评估(2025)》报告。报告揭示,巴西2025年联邦预算面临结构性挑战:议员修正案的扩张、高额的债务利息支付以及税收豁免政策,共同严重挤压了公共投资与社会政策资源。报告负责人、政治学家Teresa Ruas指出,这种预算扭曲若得不到纠正,将阻碍巴西扩大减少不平等的公共政策。
根据Inesc的报告,巴西2025年联邦总支出约为5.39万亿雷亚尔,但其预算结构呈现出显著失衡。其中,议员修正案,尤其是个人和委员会修正案的扩张,成为最相关的现象之一。2025年,议员修正案总额达到450亿雷亚尔,占可自由支配支出的20%。报告认为,这显著改变了公共预算的规划和执行动态,将预算优先事项的重要决策权从行政部门转移到了立法部门,并倾向于支持更具针对性、政治回报更高的措施,甚至影响了本应更具规划性的委员会修正案。与此同时,债务利息支付构成了另一项沉重负担。在基本利率维持在15%年率(2006年以来最高值)的背景下,2025年有3717亿雷亚尔被指定用于支付债务利息。相比之下,联邦公共投资仅为708亿雷亚尔,仅相当于利息支出的20%。这些投资资源本是用于保障新医院、大学、公路和卫生网络等基础设施工程的关键资金。此外,税收豁免政策也持续消耗着大量财政资源。报告分析指出,高利率、严格的财政规则和大量的税收豁免相结合,构成了阻碍公共投资增长的复合因素。Inesc顾问Teresa Ruas强调:“如果高利率政策继续推高公共债务成本,那么在基本账户中释放财政空间是没有用的。账目永远无法平衡。与此同时,预算中用于资助权利的空间变得越来越有限。”这种预算分配的直接后果是社会政策领域受到严重冲击。打击针对妇女的暴力、儿童权利保障、健康、教育和环境等领域的资源成为削减的最大受害者。报告指出,尽管2025年联邦资源在社会、环境和促进人权领域有所增加,但仍受到严格财政规则的限制。尽管报告也承认了如提高所得税起征点和股息征税等具有分配影响的财政政策的进展,但认为这些措施在对抗不平等方面的能力有限。Ruas将当前局面归因于一种“紧缩叙事”,她表示这种叙事在过去几十年变得霸权,旨在削减基本支出以资助公共债务,并且超越了左派和右派的界限。大部分预算资源仍被用于公务员和退休人员工资、健康和教育的最低宪法保障等强制性支出,这些对于保障国家机器运转、统一卫生系统(SUS)的运作以及大学教育至关重要。而用于执行公共政策的所谓可自由支配支出,仅为420亿雷亚尔,并直接受到新财政框架限制的影响。报告最终得出结论,巴西若想扩大旨在减少不平等的公共政策,就必须从根本上纠正预算中存在的这些扭曲。
CBI 观察编辑判断
报告清晰指出了巴西预算中政治性支出(议员修正案)与刚性支出(债务利息)对发展性投资的挤出效应。这不仅是财政技术问题,更反映了深层政治经济结构对资源分配的决定性影响。
这条资讯对你有帮助吗?
信息概要
来源信息
- 来源
- Agência Brasil — Economia
- 原文标题
- Emendas parlamentares e juros da dívida apertam investimentos públicos
- 原始语言
- 葡萄牙语
- 原文链接
- 查看原文 →
- 编辑
- Clara Lin
查看原文(葡萄牙语)
Emendas parlamentares e juros da dívida apertam investimentos públicos
O Orçamento Federal em 2025 foi marcado pela expansão das emendas parlamentares, especialmente as individuais e de comissões e pelo peso do pagamento dos juros da dívida e das políticas de renúncia fiscal, três elementos que impediram o aumento dos investimentos. As despesas totais da União ficaram na casa dos R$ 5,39 trilhões, aumento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB).
Os dados constam do relatório Orçamento e Direitos: Balanço da Execução de Políticas Públicas (2025), divulgado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), nesta terça-feira (14), constata que o setor de políticas sociais, como o combate à violência contra as mulheres, a promoção e garantia dos direitos das crianças, saúde, educação e meio ambiente, foi o que mais sofreu com a redução dos recursos, em prol da manutenção de políticas desiguais que ainda favorecem muito os superricos.
Notícias relacionadas:
Relator do Orçamento 2025 projeta superávit primário de R$ 15 bilhões.
Governo discute solução para R$ 15 bi fora do teto do Orçamento 2025.
Dino manda PF investigar emendas parlamentares que somam R$ 694 mi.
Embora tenha destacado o avanço em políticas fiscais com impacto distributivo, como o aumento do piso do Imposto de Renda e a taxação de dividendos, o Inesc apontou o limite da capacidade destas medidas em combater a desigualdade. “Enquanto o governo tira com uma mão, na prática, devolve com outra, financiando setores industriais que poluem muito, concentram muita riqueza e não apresentam avanços tecnológicos e sociais”, diz o texto.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
O documento aponta avanço dos recursos federias nas áreas sociais, ambientais e de promoção de direitos humanos, em 2025. Mas permaneceram limitados por regras fiscais restritivas. Elas pressionaram os recursos para executar programas e ampliar políticas públicas, como as relacionadas a programas sociais.
"A narrativa da austeridade se tornou hegemônica nas últimas décadas, voltada para cortes dos gastos primários, especialmente os que financiam as dívidas públicas e estão acima de esquerda e direita", diz Teresa Ruas, cientista política especializa em políticas fiscais e assessora no Inesc, e uma das responsáveis pelo relatório.
O estudo reúne análises de nove áreas acompanhadas pelo Inesc: panorama econômico, educação, cidades, transição energética, meio ambiente e clima, quilombolas, igualdade racial, mulheres e crianças e adolescentes e pode ser conferido no site do instituto.
Para o Inesc, a combinação de juros elevados, regras fiscais restritivas e renúncias tributárias expressivas é a prova de que o país precisa corrigir essas distorções no orçamento se quiser ampliar políticas públicas que reduzam as desigualdades.
Emendas parlamentares
Segundo o Inesc, a expansão das emendas parlamentares representa um dos fenômenos mais relevantes da dinâmica orçamentária federal, “o que causa um problema para o planejamento público ao favorecer medidas de caráter mais pontual e com maior retorno político. Isso tem se espalhado inclusive para tipos de emenda que deveriam ter um caráter mais programático, como as emendas de comissão”.
O relatório indica que esses recursos passaram a ocupar uma parcela expressiva do gasto discricionário e deslocam do Executivo para o Legislativo parte importante das decisões sobre prioridades orçamentárias.
“As emendas parlamentares somaram R$ 45 bilhões em 2025, o que equivale a 20% das despesas discricionárias e altera significativamente a dinâmica de planejamento e execução do orçamento público”.
Juros
Os gastos com juros da dívida interna seguem priorizado pelo governo. Eles tendem a se manter em patamar elevado enquanto os juros básicos permanecerem altos, a 15% ao ano, maior valor desde 2006.
“Não adianta liberar espaço fiscal nas contas primárias, se a política de juros altos continua encarecendo a dívida pública. A conta jamais fechará. Enquanto isso, o espaço no Orçamento para o financiamento de direitos se torna cada vez mais restrito", analisa Ruas.
Em 2025, R$ 371,7 bilhões foram destinados ao pagamento de juros da dívida, enquanto os investimentos públicos federais representaram apenas 20% deste valor, com R$ 70,8 bilhões.
Os recursos para investimentos são os que garantem obras de infraestrutura como novos hospitais, universidades, rodovias e redes de saneamento. Outros R$ 42 bilhões são destinados a execução de políticas públicas e compõe o que se chama de gastos discricionários, que sofrem diretamente com os limites do Novo Arcabouço Fiscal.
O maior volume de recursos segue os destinados às despesas obrigatórias, como o salário dos servidores e dos aposentados e dos pisos constitucionais da saúde e educação, essenciais para garantir que a máquina pública funcione, que o Sistema Único de Saúde (SUS) atenda e que nossas universidades formem força de trabalho e produzam ciência de ponta.
"A disputa em torno da política monetária e dos juros se estabelece em torno da narrativa do controle da inflação. Existe um conteúdo político para além e esse cenário pode nos dizer muito desse conteúdo. Nos juros da dívida existe muito dessa narrativa, ligada ao mercado financeiro e a esse processo de financeirização. Ao mesmo tempo o setor produtivo disputa esses juros", diz Ruas.
Renúncias fiscais
As renúncias fiscais surgiram como uma estratégia para fomentar setores com alto potencial de geração de emprego ou crescimento estratégico para os interesses do país. Alinhadas como gastos tributários se manifestam como benefícios e isenções tributárias e representaram R$ 544 bilhões, em 2025, o equivalente a 4,8% do PIB e a cerca de 24% de toda a arrecadação da União.
Teresa Ruas aponta que, embora o governo tenha sinalizado na direção dessa revisão, ela favorece grupos ligados ao capital e representa uma disputa difícil, especialmente para um ano eleitoral.
"Os benefícios fiscais têm de ter critérios para além do econômico, como agenda climática e direitos humanos, por exemplo. Há a necessidade de uma revisão estrutural dessas políticas de austeridade, que transcendem governos. As prioridades tem de ser coletivas", conclui a pesquisadora.
觉得有价值?
分享给需要了解巴西市场的朋友
帮助更多中国企业看懂巴西,做成生意
China Brazil Insight · 中巴合作价值链中的信息节点