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title: "Vendas de carros na China despencam 28% em setembro — montadoras brasileiras e fornecedores de autopeças sentem o baque"
slug: vendas-de-carros-na-china-despencam-28-em-setembro-montadoras-brasileiras-e
type: news
direction: 中国
category: 宏观市场
published: 2026-10-13
source_url: https://www.caixin.com/2026-10-13/102492943.html
source: "财新网 — 经济"
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event_type: Dados de mercado
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# Vendas de carros na China despencam 28% em setembro — montadoras brasileiras e fornecedores de autopeças sentem o baque

> As vendas no varejo de veículos de passeio na China caíram 28% em setembro, o pior resultado do ano, com veículos a combustão recuando 43%. Para o Brasil, o efeito chega via exportações de autopeças, aço e etanol, além de pressionar a estratégia de montadoras chinesas que planejam produzir no país.

## 为什么值得关注

Queda de 28% nas vendas de carros na China pressiona exportações brasileiras de autopeças e pode antecipar decisões de montadoras chinesas sobre produção no Brasil.

O tradicional 'Setembro Dourado' do mercado automotivo chinês não se repetiu em 2026. As vendas no varejo de veículos de passeio no mercado doméstico somaram 1,618 milhão de unidades em setembro, queda de 28% na comparação anual — o maior recuo do ano, segundo o Subcomitê de Veículos de Passageiros da Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis. Veículos a combustão tombaram 43%, para 534 mil unidades, enquanto os elétricos e híbridos plugáveis recuaram 16,7%, para 1,084 milhão. O dado acende alerta para a cadeia automotiva brasileira: a China é o principal destino das exportações de autopeças do Brasil e origem de montadoras como BYD e GWM, que têm planos de produção no país.

O dado divulgado em 12 de outubro por Cui Dongshu, secretário-geral do Subcomitê de Veículos de Passageiros da Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis, confirma o que os próprios lojistas já sentiam: 54,2% dos concessionários entrevistados em pesquisa de 30 de setembro classificaram o efeito da temporada 'Setembro Dourado e Outubro Prateado' como claramente mais fraco que em anos anteriores, e 33,7% disseram que o efeito simplesmente desapareceu. Apenas 3,6% viram desempenho melhor. A queda de 28% nas vendas de veículos de passeio é a mais acentuada do ano e atinge tanto veículos a combustão quanto elétricos — um sinal de que a desaceleração não é apenas transição tecnológica, mas enfraquecimento generalizado da demanda.

Por que isso chega ao Brasil? A cadeia automotiva bilateral é densa. O Brasil exporta autopeças, pneus, aço laminado e componentes de fundição para montadoras chinesas, e importa veículos elétricos e híbridos que respondem por fatia crescente do mercado nacional. Uma retração de 28% no maior mercado automotivo do mundo reduz a demanda por componentes brasileiros e pode forçar montadoras chinesas a rever cronogramas de expansão internacional — incluindo os projetos da BYD em Camaçari (BA) e da GWM em Iracemápolis (SP). Além disso, a queda nas vendas de elétricos na China (16,7%) pressiona o preço do lítio e de células de bateria, afetando indiretamente projetos brasileiros de mineração e a competitividade de veículos eletrificados importados da China. O impacto direto é indireto, via comércio de autopeças e decisões de investimento das montadoras chinesas no Brasil.

Os dados mostram que a queda de 43% nos veículos a combustão é muito mais severa que a de elétricos, sugerindo que o consumidor chinês está postergando a compra de carros tradicionais, não apenas migrando para eletrificados. Na leitura do CBI, isso indica que o mercado chinês entrou em fase de saturação e substituição, não de expansão — o que significa que montadoras chinesas precisarão acelerar a internacionalização para compensar a perda de volume doméstico. Para o Brasil, isso é uma faca de dois gumes: de um lado, aumenta a pressão por preços agressivos de veículos chineses importados, competindo com a produção local; de outro, acelera a decisão de montadoras chinesas de produzir no Brasil para contornar tarifas e custos logísticos. O movimento já era visível em 2025 e deve se intensificar nos próximos trimestres.

O que acompanhar: primeiro, os dados de outubro do Subcomitê de Veículos de Passageiros, que devem sair em meados de novembro e indicarão se a queda de setembro foi pontual ou tendência; segundo, anúncios de investimento ou revisão de cronograma da BYD, GWM e outras montadoras chinesas com projetos no Brasil; terceiro, a variação dos preços de lítio e células de bateria no mercado internacional, que afeta diretamente a competitividade dos elétricos importados e os planos de eletrificação da indústria brasileira. Para importadores e exportadores de autopeças, o momento exige revisão de contratos e hedge cambial, dado o risco de queda adicional na demanda chinesa.

## CBI 观察

Os dados mostram que a queda de 43% nos veículos a combustão é o dobro da retração dos elétricos, indicando enfraquecimento generalizado da demanda, não apenas transição tecnológica. Na leitura do CBI, isso sinaliza que montadoras chinesas vão acelerar a internacionalização, o que pode significar mais pressão competitiva no mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, mais investimento em produção local.

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来源: 财新网 — 经济
发布: 2026-10-13
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