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title: "Vendas de carros a combustão caem 43% na China — montadoras brasileiras repensam estratégia de exportação"
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direction: China
category: Tecnologia
published: 2026-10-16
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content_level: Curadoria editorial
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# Vendas de carros a combustão caem 43% na China — montadoras brasileiras repensam estratégia de exportação

> As vendas de veículos a combustão na China despencaram 43% em setembro, mas ainda representam 40% do mercado interno e metade das vendas globais. Para o Brasil, isso significa que a cadeia de autopeças e os planos de exportação para o mercado chinês precisam de revisão urgente.

## Por que importa

Setor de autopeças e montadoras brasileiras que exportam para a China ou competem com produtos chineses na América Latina precisam revisar mix de produção e precificação.

As vendas no varejo de veículos de passeio a combustão na China somaram apenas 530 mil unidades em setembro, uma queda de 43% ano a ano, enquanto os veículos de nova energia (NEVs) atingiram 67% de penetração no varejo. O dado, divulgado pela Associação de Passageiros da China, acendeu o debate sobre o fim dos motores a combustão. Mas o mercado a combustão ainda movimenta cerca de 6,6 milhões de unidades nos primeiros nove meses do ano — quase 40% do total. Para o Brasil, que exporta motores, autopeças e veículos para a China e compete com ela em terceiros mercados, a leitura apressada de 'morte do combustão' pode levar a decisões erradas de investimento e alocação de produção.

O mercado automotivo chinês esfriou mais cedo neste ano. Em setembro, as vendas no varejo de veículos de passeio em todo o país foram de 1,618 milhão de unidades, uma queda de 28% ano a ano — a maior do ano. O tradicional 'Setembro Dourado', alta temporada de vendas, não se confirmou. No mesmo mês, os veículos de nova energia venderam 1,084 milhão de unidades, com taxa de penetração no varejo de 67%, terceiro mês consecutivo de recorde histórico. Já os veículos a combustão venderam apenas 530 mil unidades, queda de 43% ano a ano, com os modelos puramente a gasolina caindo 49%.

Apesar do tom apocalíptico, os números mostram outra realidade. Segundo os critérios da Associação de Passageiros, os veículos a combustão ainda representam cerca de 33% do mercado total de veículos de passeio. Pelos critérios da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (que inclui veículos comerciais), os NEVs representam 61,6% e os a combustão ainda detêm 38,4%. Nos primeiros nove meses, as vendas domésticas de veículos de combustão tradicional somaram 6,599 milhões de unidades, queda de 33,6% ano a ano. É um mercado que vende centenas de milhares de unidades por mês e milhões por ano — longe de desaparecer.

Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. O país exporta motores, autopeças e componentes para a cadeia automotiva chinesa, além de veículos acabados em nichos específicos. Montadoras brasileiras que planejam exportar para a China precisam recalibrar o mix de produtos: o espaço para veículos a combustão encolhe, mas não desaparece. Ao mesmo tempo, a queda das vendas a combustão na China libera capacidade ociosa nas linhas de produção chinesas, o que pode pressionar os preços de autopeças e componentes no mercado global — afetando fornecedores brasileiros que competem com produtos chineses em terceiros mercados, especialmente na América Latina.

Os dados mostram que, em setembro, dois veículos a combustão voltaram à lista dos dez mais vendidos: Corolla Cross e RAV4 Rongfang, da FAW Toyota, nas sexta e oitava posições. Em agosto, nenhum modelo a combustão havia figurado entre os dez primeiros. Isso indica que os veículos a combustão mantêm um ritmo sazonal de recuperação — impulsionados por promoções de concessionárias no início do ano, compras antes do Festival da Primavera e a alta temporada do 'Setembro Dourado e Outubro Prateado'. Embora a queda anual em setembro tenha sido de 43%, na comparação mês a mês a retração foi de apenas 0,3%.

No mercado global, dados da Mobility Global mostram que, no primeiro semestre, a participação de carros puramente a gasolina caiu para 49% — a primeira vez em mais de cem anos que perdem a metade do mercado global de veículos novos. A notícia é simbólica, mas não desesperadora. A eletrificação avança, ninguém nega, mas a tendência é do futuro. O mercado automotivo global está longe do fim do jogo, e tratar a queda como morte é inadequado.

Na leitura do CBI, o dado chinês não deve ser lido como sentença de morte para o motor a combustão, mas como sinal de que a transição é mais lenta e desigual do que o discurso apressado sugere. Para o empresário brasileiro, isso significa que decisões de investimento em autopeças, motores e veículos a combustão para exportação ainda têm janela — mas exige monitoramento fino do mix de produção chinês e da política industrial de Pequim.

O que acompanhar: primeiro, os dados de outubro da Associação de Passageiros, que mostrarão se a recuperação sazonal dos veículos a combustão se sustenta. Segundo, a política de incentivos à substituição de veículos antigos por NEVs, que pode acelerar a queda dos combustão no quarto trimestre. Terceiro, os movimentos de montadoras chinesas como BYD e Geely no mercado brasileiro, que podem redirecionar estoques antes destinados ao mercado interno chinês para a América Latina.

## Leitura do CBI

Os dados mostram que os veículos a combustão ainda detêm 38,4% do mercado chinês e 49% do global. Na leitura do CBI, isso indica que a transição energética é real, mas mais lenta do que o discurso apressado sugere, abrindo janela para fornecedores brasileiros reposicionarem portfólio.

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Fonte: Cyzone
Publicado em: 2026-10-16
© China Brazil Insight — https://chinabrazilinsight.com/news/vendas-de-carros-a-combustao-caem-43-na-china-montadoras-brasileiras-repensam