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title: "Shenghe Resources vende 51% de ativos de terras raras — fornecedores brasileiros de ímãs precisam revisar contratos"
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type: news
direction: China
category: Macro & Mercados
published: 2026-10-18
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source: "Yicai"
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event_type: Movimento empresarial
verification: unverified
content_level: Curadoria editorial
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# Shenghe Resources vende 51% de ativos de terras raras — fornecedores brasileiros de ímãs precisam revisar contratos

> A Shenghe Resources, uma das maiores processadoras de terras raras da China, transfere o controle de 51% de suas unidades de fundição e separação para a Zhongxi Development por até 1,81 bilhão de yuans (cerca de USD 250 milhões), movimento que pode alterar a cadeia de fornecimento de ímãs e óxidos

## Por que importa

Fornecedores brasileiros de ímãs e motores elétricos que importam óxidos de terras raras da China precisam revisar contratos com a Shenghe e mapear a nova controladora Zhongxi Development.

A Shenghe Resources anunciou a intenção de transferir 51% das ações de suas operações de fundição e separação de terras raras para a Zhongxi Development, em um negócio estimado entre 1,6575 bilhão e 1,8105 bilhão de yuans (aproximadamente USD 230 milhões a USD 250 milhões). O pacote inclui a controlada Leshan Shenghe Rare Earth, a Quannan Xinziyuan Rare Earth e as unidades Jiangyin Jiahua e Zibo Jiahua, todas dedicadas ao processamento de terras raras. Para o Brasil, o movimento importa porque a Shenghe é fornecedora relevante de óxidos e metais de terras raras para a cadeia global de ímãs permanentes — insumo crítico para motores elétricos, aerogeradores e componentes automotivos que o país importa da China.

A Shenghe Resources, listada em Xangai e uma das principais processadoras de terras raras da China, comunicou que pretende transferir parte de suas ações no negócio de fundição e separação de terras raras para a Zhongxi Development. O desenho da operação prevê a separação do negócio não relacionado à fundição e separação dentro da subsidiária controlada Leshan Shenghe Rare Earth Co., cujo negócio principal é justamente a fundição e separação, e a transferência de 51% das ações da Leshan Shenghe pós-separação para a Zhongxi Development. Além disso, serão transferidos 51% da Quannan County Xinziyuan Rare Earth Co., 51% da Jiangyin Jiahua New Material Resources Co. e 51% da Zibo Jiahua New Material Resources Co., todas detidas pela subsidiária controlada Ganzhou Chenguang Rare Earth New Materials Co. O valor final da transferência está estimado entre 1,6575 bilhão e 1,8105 bilhão de yuans, equivalente a cerca de USD 230 milhões a USD 250 milhões na cotação atual.

Por que isso chega ao Brasil: a cadeia brasileira de bens de capital e energia renovável depende de ímãs permanentes de terras raras — neodímio, praseodímio e disprósio — para motores de veículos elétricos, aerogeradores e equipamentos industriais. A Shenghe é uma das fornecedoras globais desses óxidos e metais, e a reorganização societária pode alterar contratos de fornecimento, prazos de entrega e preços de referência para importadores brasileiros. O impacto direto é indireto, via cadeia de suprimentos: fabricantes brasileiros de motores elétricos, montadoras com produção local e o setor eólico — concentrado no Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará — precisam acompanhar se a Zhongxi Development manterá os volumes e as condições comerciais atuais. Reguladores como a CAMEX (comércio exterior) e a Receita Federal, que monitoram classificação fiscal de terras raras importadas, não têm ação imediata, mas o BNDES, que financia projetos de energia eólica e mobilidade elétrica, deve observar o risco de concentração de fornecedor.

A interpretação do CBI: os dados mostram que a Shenghe está separando ativos de fundição e separação de outros negócios, transferindo o controle para a Zhongxi Development — uma reorganização societária clássica de reestruturação de portfólio. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa chinesa busca simplificar a estrutura e possivelmente preparar os ativos para uma nova fase de investimento ou parceria, sem sinal claro de redução de capacidade. O movimento ocorre em um momento de pressão global por diversificação de fontes de terras raras, com Estados Unidos e União Europeia incentivando cadeias alternativas à China. Para o Brasil, que tem reservas relevantes de terras raras, mas ainda sem produção comercial em escala, a reorganização de um player chinês pode abrir espaço para negociações de joint ventures ou fornecimento de concentrado, mas também reforça a dependência de curto prazo da cadeia chinesa.

O que acompanhar: primeiro, a conclusão do processo de separação da Leshan Shenghe e a assinatura definitiva do contrato de transferência com a Zhongxi Development, que deve ocorrer nos próximos meses e pode vir acompanhada de condições comerciais novas. Segundo, a resposta de preços de óxidos de neodímio e praseodímio no mercado chinês (referência para importadores brasileiros) nas semanas seguintes ao anúncio. Terceiro, qualquer sinal de que a Zhongxi Development planeje redirecionar volumes para o mercado interno chinês ou para novos clientes asiáticos, o que afetaria a disponibilidade para o Brasil.

## Leitura do CBI

Os dados mostram uma reorganização societária de 51% em quatro unidades de fundição e separação, com valor de até 1,81 bilhão de yuans. Na leitura do CBI, isso indica reestruturação de portfólio, não redução de capacidade, mas cria incerteza contratual de curto prazo para compradores brasileiros de óxidos de terras raras.

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Fonte: Yicai
Publicado em: 2026-10-18
© China Brazil Insight — https://chinabrazilinsight.com/news/shenghe-resources-vende-51-de-ativos-de-terras-raras-fornecedores-brasileiros-de