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title: "Feira de Cantão abre com 30 mil expositores — exportadores brasileiros buscam contratos em meio à guerra tarifária"
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direction: China
category: Macro & Mercados
published: 2026-10-16
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source: "CGTN — Business"
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content_level: Curadoria editorial
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# Feira de Cantão abre com 30 mil expositores — exportadores brasileiros buscam contratos em meio à guerra tarifária

> A 140ª Feira de Cantão foi inaugurada em Guangzhou com carta de Xi Jinping defendendo cadeias globais de suprimentos, enquanto o comércio exterior chinês cresce 18,8% no acumulado de 2026.

## Por que importa

Exportadores de soja, carne, minério e celulose usam a Feira de Cantão para fechar contratos de 2027; importações chinesas crescem 22,3% e favorecem fornecedores brasileiros de commodities.

A 140ª Feira de Importação e Exportação da China — a Feira de Cantão — abriu as portas em Guangzhou nesta quinta-feira com mais de 30 mil expositores e 340 mil compradores estrangeiros esperados até 4 de novembro. Em carta de congratulações pelos 70 anos do evento, o presidente Xi Jinping defendeu maior cooperação econômica internacional e a salvaguarda das cadeias globais de suprimentos. O pano de fundo é robusto: as importações e exportações chinesas somaram 39,94 trilhões de yuans (cerca de US$ 5,97 trilhões) nos primeiros nove meses de 2026, alta de 18,8% — o ritmo mais rápido em cinco anos. Para o exportador brasileiro, a feira é a principal janela para negociar contratos de 2027 em soja, minério de ferro, carne bovina e celulose.

A Feira de Cantão chega à sua 140ª edição com números recordes: 1,55 milhão de metros quadrados de área expositiva, mais de 30 mil expositores e 340 mil compradores estrangeiros esperados entre 15 de outubro e 4 de novembro. Produtos novos e verdes respondem por 23,2% e 26% dos expositores, respectivamente — sinal de que a China está usando o evento para reposicionar sua oferta industrial em direção a tecnologias limpas e bens de maior valor agregado. Na carta de congratulações, Xi Jinping reforçou o compromisso com abertura e defendeu a manutenção de um sistema comercial aberto, em contraste com o avanço do protecionismo em economias ocidentais.

O impacto para o Brasil é direto e mensurável. A China é o maior parceiro comercial brasileiro, e a Feira de Cantão funciona como o principal ponto de encontro entre tradings brasileiras e compradores chineses para contratos de médio prazo. Exportadores de soja do Mato Grosso e do Paraná, frigoríficos de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, mineradoras de Minas Gerais e produtores de celulose do Espírito Santo e da Bahia usam o evento para calibrar volumes e preços do próximo ciclo. O dado mais relevante para esse público é o crescimento de 22,3% nas importações chinesas no acumulado do ano, para 16,74 trilhões de yuans — a demanda chinesa por commodities e bens intermediários está acelerando mais rápido que as exportações, o que favorece países fornecedores de matérias-primas como o Brasil.

Os dados mostram que o comércio da China com a ASEAN subiu 22,7%, para 6,84 trilhões de yuans, e com economias da APEC avançou 23,9%, para 24,07 trilhões de yuans. Bens intermediários responderam por mais da metade das exportações chinesas no período, e a fabricação de equipamentos contribuiu com quase 90% do crescimento das exportações. Na leitura do CBI, esse padrão indica que a China está se consolidando como fornecedora de componentes para redes internacionais de produção — o que reduz a pressão sobre o Brasil em bens finais, mas aumenta a concorrência em segmentos onde o país tenta agregar valor, como autopeças e equipamentos industriais. A menção explícita de Xi à salvaguarda das cadeias de suprimentos deve ser lida como sinal de que Pequim continuará priorizando estabilidade de fornecimento de commodities agrícolas e minerais, o que é favorável ao agronegócio brasileiro.

O contexto geopolítico, porém, exige cautela. A feira ocorre em meio ao escrutínio de economias ocidentais sobre a capacidade manufatureira chinesa e os desequilíbrios comerciais, com preocupações de que as exportações chinesas intensifiquem a pressão competitiva sobre produtores estrangeiros. Zhou Mi, pesquisador do Chinese Academy of International Trade and Economic Cooperation, vinculado ao MOFCOM (comércio exterior chinês), argumenta que empresas chinesas desenvolveram economias de escala que fornecem bens intermediários capazes de ajudar outros países a industrializar. É uma narrativa que interessa ao Brasil em setores como fertilizantes e máquinas, mas que colide com a agenda industrializante de parte do governo brasileiro e com a revisão tarifária em curso no Mercosul.

Empresas com investimento estrangeiro na China também se beneficiam: suas importações e exportações subiram 19% ano a ano nos primeiros três trimestres, recorde para o período. Um relatório de setembro da Câmara de Comércio Americana em Xangai apontou que mais empresas membros veem a China como base global para inovação, produção e sourcing, com a estratégia "in China, for the world" ganhando tração. Para multinacionais brasileiras com operações na China — como Embraer, Suzano e Vale —, isso reforça a lógica de manter presença industrial no país como plataforma de exportação para a Ásia.

O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos contratos fechados durante a Feira de Cantão, especialmente em soja e carne, que darão o tom das negociações para a safra 2026/2027. Segundo, a evolução das importações chinesas de bens intermediários brasileiros, que devem ser monitoradas via Comex Stat e dados da GACC (alfândega chinesa) no fechamento de outubro. Terceiro, o posicionamento do governo brasileiro sobre a revisão tarifária do Mercosul e eventuais medidas antidumping contra produtos chineses, que podem tensionar a relação comercial justamente no momento em que Pequim sinaliza abertura.

## Leitura do CBI

Os dados mostram que as importações chinesas cresceram 22,3% no acumulado de 2026, ritmo superior ao das exportações — fato que amplia o espaço para fornecedores de commodities como o Brasil. Na leitura do CBI, a ênfase de Xi na salvaguarda das cadeias de suprimentos sinaliza que Pequim priorizará estabilidade de fornecimento agrícola e mineral, mas o avanço de bens intermediários chineses pressiona segmentos industriais brasileiros que tentam agregar valor.

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Fonte: CGTN — Business
Publicado em: 2026-10-16
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