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title: "Eleição no Brasil: Lula e Flávio divergem sobre como classificar PCC e CV"
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published: Sat Oct 17 2026 11:25:37 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)
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content_level: Curadoria editorial
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# Eleição no Brasil: Lula e Flávio divergem sobre como classificar PCC e CV

> Em entrevistas à TV Globo em 15 e 16 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro falaram sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos, em vigor desde junho. Lula disse que as facções são terroristas para a comunidade brasileira, mas não o tipo de terrorismo que os EUA querem caracterizar; Flávio prometeu declará-las "organizações narcoterroristas" e colocar o Brasil no Escudo das Américas, coalizão liderada pelos EUA. Alguns analistas e reportagens associam a coalizão a uma estratégia americana de contenção da influência chinesa na região, mas, nas reportagens sobre as entrevistas citadas aqui, nenhum dos dois mencionou a China ao tratar do tema.

Antes do segundo turno da eleição presidencial de 25 de outubro, a TV Globo entrevistou Lula na noite de 15 de outubro e Flávio Bolsonaro na noite de 16. Nas duas entrevistas, os candidatos trataram do mesmo assunto: a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Sobre essa classificação, as respostas divergiram; Flávio prometeu ainda que, se eleito, levará o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão regional de segurança liderada pelos EUA.

Primeiro, o que os Estados Unidos já fizeram. Segundo reportagem do InfoMoney de 5 de junho, o Departamento de Estado incluiu PCC e CV na lista de organizações terroristas estrangeiras e também na categoria de "terroristas globais especialmente designados"; segundo o Metrópoles, a classificação foi anunciada em maio e entrou em vigor em 5 de junho. O Metrópoles escreveu em 15 de outubro que a medida permite a aplicação de medidas jurídicas e financeiras previstas na legislação americana, incluindo restrições a pessoas e empresas que forneçam apoio material às organizações; o governo brasileiro criticou a classificação por considerar que ela pode afetar a soberania do país, e ela não altera automaticamente a legislação nacional. O Escudo das Américas foi lançado por Donald Trump em março, numa cúpula em Doral, na Flórida. Segundo o InfoMoney de 23 de setembro, Trump recebeu em 22 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, líderes e chanceleres dos 14 países que aderiram à iniciativa; uma declaração divulgada naquela semana, assinada pelos Estados Unidos e por 14 países da América Latina e do Caribe, prevê sanções coordenadas contra 24 grupos, entre eles PCC e CV, com medidas como congelamento de ativos, restrições de vistos e responsabilização criminal de quem forneça apoio material; Brasil e México seguem fora da coalizão. A entrada em vigor da classificação americana e o anúncio das sanções coordenadas aconteceram antes da votação; não são consequências que esta eleição vai desencadear.

Na entrevista de 15 de outubro, Lula disse: "Temos consciência de que, aqui no Brasil, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho são terroristas para a comunidade brasileira, para os bairros brasileiros e para as cidades, mas não são o tipo de terrorismo de Estado que os Estados Unidos querem caracterizar." Segundo o Metrópoles, ele completou: "Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, falam em terrorismo de Estado. Falam em terrorismo como o praticado por aqueles que atentaram contra as duas torres americanas ou por aqueles que querem dar um golpe de Estado. Não é o caso das facções do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro." Na mesma entrevista, afirmou que o governo brasileiro entregou por escrito a Trump uma proposta de parceria contra o crime organizado e o narcotráfico, com base na experiência da Polícia Federal; citou também a aprovação da Lei Antifacção, que aumenta as penas para integrantes de organizações criminosas, e defendeu a ampliação da atuação federal na segurança pública, mencionando a PEC da Segurança Pública enviada pelo governo. Ao relatar a divergência durante a Assembleia Geral da ONU, a reportagem do InfoMoney de 23 de setembro também citou Lula: ele afirmou que o Brasil aceita cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou interferência estrangeira e declarou que o país "não cabe no quintal de ninguém".

Flávio apresentou outro caminho na entrevista de 16 de outubro. Segundo o BP Money, ele disse: "Eu vou declarar o Comando Vermelho, PCC e Milícias como organizações narcoterroristas, que é o que eles são." Disse que um de seus primeiros atos será reunir os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e os chefes das polícias estaduais: "vamos declarar guerra ao narcotráfico aqui no Brasil a partir de janeiro do ano que vem". E afirmou: "Então a Marinha vai ter uma tropa de elite ali tomando conta do Porto de Santos pra combater o tráfico internacional de drogas." Sobre o Escudo das Américas, segundo a Exame e o Brasil de Fato (de linha editorial à esquerda), ele disse que o Brasil vai fazer parte da coalizão. Na versão completa registrada pelo Brasil de Fato: "O Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas para ter intercambio de informação e inteligência para gente combater o terrorismo na tríplice fronteira na região de Foz do Iguaçu"; o jornal observou que ele não especificou quais seriam essas atividades terroristas. Não foi a primeira vez que ele falou em aderir à coalizão: ao relatar um evento de Flávio em Brasília em 8 de outubro, a Bloomberg já registrava esse plano.

A ligação desse tema com a China depende de quem fala. Quando a coalizão foi lançada, a Gazeta do Povo (de linha editorial à direita) publicou em 12 de março a avaliação do professor de Direito Internacional Ricardo Caichiolo, diretor do Ibmec Brasília: "Geopoliticamente, a coalizão poderá consolidar padrões tecnológicos e militares norte-americanos na região, criando barreiras de entrada para a influência da China e da Rússia". A mesma reportagem citou análise publicada antes da cúpula por Ryan Berg, diretor do Programa das Américas do Center for Strategic and International Studies (CSIS), segundo a qual o encontro poderia servir para "ampliar a estratégia de contenção à China no Hemisfério Ocidental". Já o jornal argentino Diario de Cuyo, em 7 de março, apresentou como motivação da cúpula a definição de uma estratégia comum contra o avanço regional da China; a mesma reportagem registrou que, no discurso de abertura, a atenção de Trump se concentrou no Irã. No evento de 8 de outubro em Brasília, ao falar das relações externas, incluindo a China, Flávio disse, segundo a Bloomberg, "não vou tomar partido" e "meu lado será o povo brasileiro, seja ao lidar com a China, Israel, o Oriente Médio, a Argentina ou a Índia". Nas reportagens sobre as duas entrevistas citadas aqui, nenhum dos dois mencionou a China ao falar da classificação das facções ou do Escudo das Américas.

O que as duas entrevistas permitem dizer, portanto, é que os candidatos divergem sobre a forma de cooperar com os Estados Unidos em segurança: Lula rejeita a classificação americana, propõe uma parceria com base na experiência da Polícia Federal e aposta em leis internas mais duras; Flávio promete declarar PCC, CV e milícias "organizações narcoterroristas", aderir à coalizão e ampliar o papel das Forças Armadas contra o narcotráfico. Isso não permite concluir que uma vitória de Flávio restringiria as relações econômicas com a China, nem que uma vitória de Lula anularia a classificação americana, que já está em vigor desde junho.

Quanto à classificação americana já em vigor, especialistas ouvidos pelo InfoMoney em 5 de junho avaliam que o impacto mais imediato recai sobre o sistema bancário, especialmente instituições com operações em dólar ou relacionamento com bancos correspondentes americanos; mesmo sem conhecimento prévio, empresas que movimentem recursos depois identificados como ligados aos grupos podem ser atingidas, e bancos e fintechs tendem a reforçar a identificação de clientes e o monitoramento de operações. Flávio promete, se eleito, levar o Brasil a adotar sua própria classificação, aderir à coalizão e enviar uma tropa de elite da Marinha ao Porto de Santos para combater o tráfico internacional de drogas. A implementação dessas promessas dependerá de medidas posteriores.

**Fontes**

1. Metrópoles, Lula diz que PCC e CV "são terroristas para a comunidade brasileira", 15/10/2026, https://www.metropoles.com/brasil/lula-diz-que-pcc-e-cv-sao-terroristas-para-a-comunidade-brasileira
2. BP Money, Flávio Bolsonaro detalha planos para as Forças Armadas, 16/10/2026 (horário de Brasília; 17/10 em UTC), https://bpmoney.com.br/noticias/flavio-promete-usar-forcas-armadas-contra-o-narcotrafico/
3. Brasil de Fato, Flávio Bolsonaro promete aderir a projeto de Trump que prevê entrada de soldados dos EUA em territórios latino-americanos, 16/10/2026, https://www.brasildefato.com.br/2026/10/16/flavio-bolsonaro-promete-aderir-a-projeto-de-trump-que-preve-entrada-de-soldados-dos-eua-em-territorios-latino-americanos/
4. Exame, "Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas", diz Flávio sobre narcotráfico, 16/10/2026, https://exame.com/brasil/brasil-vai-fazer-parte-do-escudo-das-americas-diz-flavio-sobre-narcotrafico/
5. Diário do Nordeste, Flávio sobre Forças Armadas: 'Faremos parte do Escudo das Américas' e 'guerra contra narcotráfico', 16/10/2026, https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder/flavio-sobre-forcas-armadas-faremos-parte-do-escudo-das-americas-e-guerra-contra-narcotrafico-1.3799319
6. InfoMoney, Classificação do PCC e CV como terroristas eleva risco para bancos e fintechs, 05/06/2026, https://www.infomoney.com.br/?p=3359413
7. InfoMoney, Quem integra o Escudo das Américas — e quem ficou de fora, 23/09/2026, https://www.infomoney.com.br/mundo/quem-integra-o-escudo-das-americas-e-quem-ficou-de-fora/
8. Gazeta do Povo, O que é o Escudo das Américas lançado por Trump, 12/03/2026, https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/sem-brasil-escudo-militar-de-trump-nas-americas-mira-narcotrafico-e-avanco-chines/
9. Diario de Cuyo, Donald Trump creará una alianza regional que integra Javier Milei para enfrentar al narcoterrorismo y a China, 07/03/2026, https://www.diariodecuyo.com.ar/mundo/donald-trump-creara-una-alianza-regional-que-integra-javier-milei-enfrentar-al-narcoterrorismo-y-china-n6567630
10. Bloomberg, Brazil Election: Bolsonaro Says He'd Work With US, China as President, 08/10/2026, https://www.bloomberg.com/news/articles/2026-10-08/brazil-election-bolsonaro-says-he-d-work-with-us-china-as-president

**Nota de verificação**

As citações seguem o texto publicado pelos veículos listados e ainda não foram conferidas com o áudio das entrevistas da TV Globo; há pequenas diferenças de transcrição entre veículos, e usamos a versão do veículo indicado. A fala de Flávio de 8 de outubro foi publicada pela Bloomberg em inglês; a tradução é da CBI. O conteúdo do Diario de Cuyo foi resumido a partir do original em espanhol. A data de vigência da classificação americana vem das reportagens do InfoMoney (5/6) e do Metrópoles (15/10); o ato do Departamento de Estado não foi consultado diretamente.

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Fonte: Metrópoles, BP Money e outros veículos brasileiros
Publicado em: Sat Oct 17 2026 11:25:37 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)
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