{"editorial":{"content_id":"05f89c29-7c3c-4742-96b4-2a4f666fb4c2","slug":"eleicao-2026-lula-flavio-brics-cupula-china-2027","content_type":"insight","title":"Eleição no Brasil: o que os planos de Lula e Flávio dizem sobre o BRICS, cuja próxima cúpula será na China","summary":"O plano de governo de Lula promete aprofundar a aproximação com o BRICS; o presidente não foi à cúpula de Nova Délhi em setembro, ausência que fontes diplomáticas ouvidas pela CNN Brasil atribuíram à agenda de campanha. O plano de Flávio não contém a palavra \"BRICS\", e, nas duas declarações citadas, ele enfatiza pragmatismo e a recusa em tomar partido. A Declaração de Nova Délhi já foi aprovada, o Senado já autorizou a contratação de um novo empréstimo junto ao banco do bloco e a cúpula de 2027 será na China; as medidas da declaração ainda precisam ser implementadas, e a autorização não equivale à contratação nem ao desembolso do empréstimo.","body":"Antes do segundo turno de 25 de outubro, o BRICS é um tema que envolve financiamento ao desenvolvimento, cooperação em pagamentos e comércio de grãos para o Brasil: o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) oferece financiamento ao país, a declaração aprovada na cúpula de setembro trata de pagamentos em moedas locais e de uma plataforma de comercialização de grãos, e, segundo a agência de notícias do governo sul-africano e a Exame, a cúpula de 2027 será na China. Para saber o que os dois candidatos dizem sobre o assunto, vale olhar primeiro os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois as declarações públicas e, por fim, os documentos e autorizações já aprovados.\n\nOs dois planos dão ao BRICS espaços diferentes. O de Lula, na página 79, lista entre as realizações do governo ter sediado \"com sucesso\" a COP 30, a 17ª Cúpula dos BRICS e a 19ª Cúpula de Chefes de Estado do G20; na página 81, promete \"o fortalecimento do CAF, do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e dos mecanismos financeiros dos BRICS\" e diz: \"Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o BRICS e com o Sul Global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade.\" O plano de Flávio não contém a palavra \"BRICS\" em nenhuma página, como também apontaram a coluna do ND Mais de 29 de setembro e a reportagem da Revista Oeste de 22 de setembro. Na parte de política externa, o documento defende \"uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia\", afirma que \"negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos\" e diz que \"o passo mais urgente é retomar o cronograma interrompido de adesão à OCDE\"; na parte agrícola, promete \"buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa aos produtos nacionais\".\n\nFora do plano, as duas declarações de Flávio citadas neste texto, de 21 de setembro e 8 de outubro, tratam de relações exteriores e da recusa em escolher lado, e não são um posicionamento explícito sobre a permanência no BRICS. Em comício em Natal, em 21 de setembro, ele disse, segundo a CNN Brasil: \"Minha relação vai ser sempre pragmática economicamente\"; \"Vamos fazer o que for melhor para a nação brasileira, diferente do atual governo, que declara guerra aos Estados Unidos e lambe bota da China\"; \"O Brasil é muito maior que isso. A gente não tem que escolher um lado\"; e \"Minhas negociações como presidente da República, tanto com os Estados Unidos quanto com a China, tanto quanto com Israel quanto com o Oriente Médio, vão ser sempre pensando no que vai ser melhor para o Brasil\". Em 8 de outubro, em evento em Brasília, afirmou, segundo a Bloomberg Línea: \"Não vou tomar partido. Meu lado será o povo brasileiro, seja ao lidar com a China, Israel, o Oriente Médio, a Argentina ou a Índia.\" Sobre o BRICS em si, a Gazeta do Povo, jornal de linha editorial conservadora, escreveu em 11 de outubro que o candidato \"já defendeu rever a participação do Brasil no bloco\", sem informar data nem ocasião; essa reportagem não basta para confirmar se ele propôs sair do bloco, e o CBI ainda não verificou a declaração original. Portanto, a ausência da palavra no plano não permite concluir que ele defenda a saída; o material citado neste texto não sustenta essa conclusão, enquanto o plano de Lula propõe expressamente aprofundar a aproximação.\n\nNo caso de Lula, é preciso distinguir suas declarações de sua decisão de não comparecer à cúpula. A declaração conjunta Índia-Brasil divulgada em Nova Délhi em 21 de fevereiro registra que \"o presidente Lula expressou o pleno apoio do Brasil às prioridades definidas pela presidência indiana do BRICS em 2026\" e que ele \"manifestou satisfação com a Cúpula do BRICS a ser realizada sob a presidência da Índia em setembro de 2026\". Em 31 de agosto, a CNN Brasil noticiou que Lula decidiu não ir à cúpula de 12 e 13 de setembro em Nova Délhi e que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o representaria; segundo fontes da diplomacia brasileira citadas pela reportagem, a cúpula cairia em um fim de semana, dias que o presidente vinha reservando para a campanha. O Poder360 informou na madrugada do dia 12, antes da abertura, que Lula seria o único líder dos cinco países fundadores ausente. Na cúpula, Vieira afirmou, segundo a CNN Brasil: \"Em meio ao colapso da velha ordem, a voz do Brics deve se erguer em defesa de um multilateralismo renovado e legítimo\". A ausência em uma cúpula e a promessa de aproximação no plano são coisas distintas: a primeira foi atribuída à agenda de campanha, a segunda é um compromisso eleitoral; esses elementos não bastam para determinar se houve mudança na prioridade atribuída ao BRICS pelo governo Lula.\n\nFora das declarações de campanha, alguns documentos e autorizações já foram aprovados. A cúpula de 12 e 13 de setembro aprovou a Declaração de Nova Délhi, com o Brasil representado pelo chanceler. Segundo o resumo publicado pela Agência Brasil em 16 de setembro, o documento destaca o NDB como instrumento estratégico para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável e o incentiva a expandir operações em moedas locais; defende a interoperabilidade de plataformas de pagamento, o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços e o aumento das liquidações comerciais em moedas locais; inclui, entre as iniciativas previstas para ampliar o comércio intrabloco, a criação de uma plataforma de comercialização de grãos, a BRICS Grain Exchange; e manifesta preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias consideradas incompatíveis com as normas da OMC. Segundo a SAnews, agência de notícias do governo sul-africano, em 13 de setembro, e a Exame, em 14 de setembro, a China exercerá a presidência rotativa do bloco em 2027 e sediará a 19ª cúpula. No plano interno, a Resolução nº 20, de 2026, do Senado Federal, datada de 9 de julho, autoriza a União a contratar com o NDB operação de crédito de até US$ 500 milhões para aporte nos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Centro-Oeste e do Nordeste. A presidente do NDB, Dilma Rousseff, disse em entrevista à agência indiana ANI, publicada em 11 de outubro, que o banco aprovou cerca de R$ 23,95 bilhões em operações de financiamento para o Brasil desde março de 2023. As diretrizes da declaração ainda precisam ser executadas, e a autorização de crédito não significa contrato assinado nem desembolso.\n\nPostas lado a lado, essas informações permitem algumas conclusões, mas não sustentam outras. O material citado neste texto não basta para afirmar que Flávio defenda a saída do BRICS; nas declarações citadas, ele enfatiza o pragmatismo e a recusa em tomar partido. O plano de Lula propõe expressamente aprofundar a aproximação; sua ausência em Nova Délhi foi atribuída, pelas fontes diplomáticas citadas pela CNN Brasil, à agenda de campanha. O que se pode afirmar é que a Declaração de Nova Délhi foi aprovada com a participação do Brasil, que a autorização para um novo empréstimo de até US$ 500 milhões junto ao NDB já foi promulgada e que o presidente que tomar posse em 5 de janeiro de 2027 terá, no primeiro ano de mandato, uma cúpula do BRICS realizada na China. Para empresas atentas ao financiamento de infraestrutura, aos pagamentos em moedas locais e aos canais de comércio agrícola no Brasil, esses são os pontos de partida para acompanhar o próximo governo; o que vale observar a seguir é como as medidas da declaração serão executadas e se o empréstimo será contratado e desembolsado.\n\n**Fontes**\n\n1. Programa de governo da coligação de Lula, divulgação de candidaturas do TSE, arquivo 2026BR280002542548, p. 79 e 81, https://cdn.tse.jus.br/estatistica/sead/odsele/proposta_governo/proposta_governo_2026_BR.zip\n2. Programa de governo da coligação de Flávio Bolsonaro, idem, arquivo 2026BR280002551544, p. 54 e 62–63\n3. ND Mais, \"O programa de Flávio Bolsonaro não menciona BRICS nem Mercosul. O que o candidato do PL propõe para o Brasil no mundo\", 29/09/2026, https://ndmais.com.br/mundo/o-programa-de-flavio-bolsonaro-nao-menciona-brics-nem-mercosul-o-que-o-candidato-do-pl-propoe-para-o-brasil-no-mundo/\n4. Revista Oeste, \"Flávio diz que terá relação 'pragmática' com a China se eleito\", 22/09/2026, https://revistaoeste.com/politica/flavio-diz-que-tera-relacao-pragmatica-com-a-china-se-eleito/\n5. CNN Brasil, \"Relação com a China vai ser sempre pragmática economicamente, diz Flávio\", 21/09/2026, https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/relacao-com-a-china-vai-ser-sempre-pragmatica-economicamente-diz-flavio/\n6. Bloomberg Línea, \"Flávio afirma que vai trabalhar com EUA e China caso seja eleito presidente\", 08/10/2026, https://www.bloomberglinea.com.br/brasil/flavio-afirma-que-vai-trabalhar-com-eua-e-china-caso-seja-eleito-presidente/\n7. Gazeta do Povo (linha editorial conservadora), \"O que uma eventual vitória de Flávio significaria para China, EUA e o Mercosul\", 11/10/2026, https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/o-que-uma-eventual-vitoria-de-flavio-significaria-para-china-eua-e-o-mercosul/\n8. Declaração Conjunta Índia-Brasil (Nova Délhi, 21/02/2026), PDF no site da Embaixada da Índia em Brasília, https://eoibrasilia.gov.in/pdf/India-Brazil%20Joint%20Statement%20-%20State%20Visit%20of%20President%20of%20Brazil%20to%20India%20-%2021%20February%202026-1%20(1).pdf\n9. CNN Brasil, \"Lula decide não ir à cúpula dos Brics por foco em campanha\", 31/08/2026, https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/lula-decide-nao-ir-a-cupula-dos-brics-por-foco-em-campanha/\n10. Poder360, \"Lula será único líder dos Brics fundadores fora de cúpula na Índia\", 12/09/2026, https://www.poder360.com.br/poder-internacional/lula-sera-unico-lider-dos-brics-fundadores-fora-de-cupula-na-india/\n11. CNN Brasil, \"Brics: Vieira cita colapso da governança global e defende multilateralismo\", 12/09/2026, https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/brics-vieira-cita-colapso-da-governanca-global-e-defende-multilateralismo/\n12. Agência Brasil, \"Brics: declaração final reforça defesa de reforma da governança global\", 16/09/2026, https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-09/brics-declaracao-final-reforca-defesa-de-reforma-da-governanca-global ; texto da declaração no site do Itamaraty, https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/brics-new-delhi-declaration-building-for-resilience-innovation-cooperation-and-sustainability-september-12-2026\n13. SAnews (agência de notícias do governo da África do Sul), \"BRICS Summit concludes with adoption of New Delhi Declaration\", 13/09/2026, https://www.sanews.gov.za/south-africa/brics-summit-concludes-adoption-new-delhi-declaration\n14. Exame (via China2Brazil, citando o China Daily), \"BRICS terá presidência chinesa em 2027 com propostas para IA e indústria\", 14/09/2026, https://exame.com/mundo/brics-tera-presidencia-chinesa-em-2027-com-propostas-para-ia-e-industria/\n15. Senado Federal, Resolução nº 20, de 2026 (09/07/2026), https://legis.senado.leg.br/norma/43531000/publicacao/43532367\n16. ANI, \"NDB President Dilma Rousseff says Lula key to strengthening BRICS, NDB\", 11/10/2026 (despacho de agência reproduzido pelo newkerala.com), https://www.newkerala.com/news/a/ndb-president-dilma-rousseff-says-lula-key-strengthening-145.htm\n\nOs trechos da declaração conjunta Índia-Brasil e da entrevista de Dilma Rousseff foram traduzidos do inglês pelo CBI.","why_it_matters":null,"cbi_observation":null,"direction_tag":null,"primary_category":null,"secondary_topics":[],"content_level":"编辑整理","event_type":null,"audience_tags":[],"event_location":null,"verification_status":"unverified","published_at":"2026-10-15T11:38:32.668Z","display_date":null,"source_published_at":null,"source_url":null,"source_name":null,"source_language":null,"author_name":"编辑部","risk_level":"low","risk_flags":[],"opportunity_flags":[],"trend_signals":[]},"intelligence":null,"meta":{"canonical_url":"https://chinabrazilinsight.com/insights/eleicao-2026-lula-flavio-brics-cupula-china-2027","api_url":"https://chinabrazilinsight.com/api/public/content/eleicao-2026-lula-flavio-brics-cupula-china-2027","markdown_url":"https://chinabrazilinsight.com/api/public/content/eleicao-2026-lula-flavio-brics-cupula-china-2027?view=markdown","json_url":"https://chinabrazilinsight.com/api/public/content/eleicao-2026-lula-flavio-brics-cupula-china-2027?view=json","last_updated":"2026-10-15T11:38:32.668Z","platform":"China Brazil Insight","platform_url":"https://chinabrazilinsight.com"}}