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title: "China domina 72% dos pedidos globais de navios — estaleiros brasileiros e exportadores de minério sentem o efeito"
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type: news
direction: China
category: Macro & Mercados
published: 2026-10-23
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source: "Fonte CN"
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event_type: Dados de mercado
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content_level: Curadoria editorial
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# China domina 72% dos pedidos globais de navios — estaleiros brasileiros e exportadores de minério sentem o efeito

> A construção naval chinesa cresceu 50,7% na conclusão e 163,2% em novos pedidos nos primeiros nove meses, concentrando 81,8% das encomendas mundiais; para o Brasil, isso pressiona fretes, afeta a competitividade do setor naval nacional e reforça a dependência logística da rota China–Brasil.

## Por que importa

Com 81,8% dos novos pedidos globais, a China controla o ritmo de entrega de navios que escoam minério e soja do Brasil; qualquer atraso pressiona fretes e a competitividade dos portos brasileiros.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China divulgou nesta segunda-feira (23) que os três principais indicadores da construção naval do país cresceram de forma abrangente nos primeiros nove meses de 2024. A conclusão naval atingiu 58,05 milhões de toneladas de porte bruto (alta de 50,7% ano a ano), os novos pedidos somaram 175,29 milhões de toneladas (salto de 163,2%) e a carteira de encomendas chegou a 399,13 milhões de toneladas (aumento de 64,8%). A participação chinesa no mercado global é de 63,6% na conclusão, 81,8% nos novos pedidos e 72,4% na carteira. Para o Brasil, o dado chega em um momento em que o país tenta retomar sua indústria naval e depende de navios chineses para escoar minério de ferro e soja.

Os números divulgados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) confirmam uma concentração sem precedentes da construção naval global nas mãos de estaleiros chineses. Nos primeiros nove meses do ano, a China concluiu 58,05 milhões de toneladas de porte bruto, um crescimento de 50,7% sobre igual período de 2023, o que representa 63,6% de toda a produção mundial. Mais impressionante ainda é o fluxo de novos contratos: 175,29 milhões de toneladas de porte bruto em novos pedidos, alta de 163,2% ano a ano, equivalentes a 81,8% das encomendas globais. Até o fim de setembro, a carteira de pedidos em execução somava 399,13 milhões de toneladas, 64,8% acima do ano anterior e 72,4% do total mundial. Em termos práticos, de cada dez navios encomendados no mundo, oito serão construídos na China.

Por que isso chega ao Brasil? A cadeia de comércio bilateral depende diretamente da capacidade de transporte marítimo. O Brasil embarca para a China principalmente minério de ferro, soja, petróleo e carne bovina, e importa bens industrializados, eletrônicos e insumos químicos. Com a China concentrando a oferta de navios graneleiros e petroleiros, o mercado de fretes tende a ficar mais sensível a decisões de estaleiros chineses sobre prazos de entrega e preços de novas embarcações. Para o setor naval brasileiro, que tenta se reerguer com encomendas da Petrobras e do programa de renovação da frota de apoio offshore, a escala chinesa impõe uma barreira de custo difícil de superar. Reguladores como a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e o Ministério de Portos e Aeroportos acompanham a evolução da oferta de navios, que afeta diretamente a programação de escoamento nos portos de Santos, Itaguaí e Paranaguá. O BNDES, que financia a indústria naval nacional, precisa calibrar suas linhas diante de um concorrente que produz em escala quase monopólica.

Os dados mostram que a participação chinesa nos novos pedidos subiu de patamares já elevados para 81,8%, um salto de quase 20 pontos percentuais em relação à média histórica recente. Na leitura do CBI, isso indica que a China não está apenas liderando a construção naval, mas consolidando uma posição de quase monopólio na formação de preços de navios novos. Para o Brasil, o efeito é ambíguo: se por um lado a oferta abundante de navios chineses pode manter fretes relativamente controlados no curto prazo, por outro lado aprofunda a dependência logística de um único fornecedor. A comparação com o ciclo anterior, em 2021-2022, quando os estaleiros chineses responderam por cerca de 50% dos novos pedidos, mostra que a concentração atual é estrutural, não conjuntural. O risco para exportadores brasileiros é que eventuais gargalos na entrega de navios chineses — por falta de aço, mão de obra ou energia — se traduzam em aumento de custo de frete para rotas de longo curso, justamente as que ligam Brasil e Ásia.

O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos dados de outubro pelo MIIT, prevista para o fim de novembro, para verificar se o ritmo de novos pedidos se sustenta ou desacelera. Segundo, a evolução dos preços de fretes no índice Baltic Dry para as rotas Brasil–China, que pode sinalizar pressão sobre exportadores de minério e soja. Terceiro, o anúncio de encomendas da Petrobras para navios de apoio offshore, que indicará se o Brasil conseguirá reservar espaço na cadeia global dominada por estaleiros chineses ou se dependerá de importação de embarcações prontas.

## Leitura do CBI

Os dados oficiais confirmam crescimento de 50,7% na conclusão e 163,2% nos novos pedidos, com participação de mercado de 81,8%. Na leitura do CBI, isso indica que a dependência logística do Brasil em relação à China se aprofunda, reduzindo o poder de barganha de exportadores brasileiros em negociações de frete e dificultando a retomada da indústria naval nacional.

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Fonte: Fonte CN
Publicado em: 2026-10-23
© China Brazil Insight — https://chinabrazilinsight.com/news/china-domina-72-dos-pedidos-globais-de-navios-estaleiros-brasileiros-e