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title: "China confirma safra recorde de grãos em 2024 — preços de soja e milho no Brasil sob pressão"
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type: news
direction: China
category: Macro & Mercados
published: 2026-11-04
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content_level: Curadoria editorial
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# China confirma safra recorde de grãos em 2024 — preços de soja e milho no Brasil sob pressão

> O Ministério da Agricultura chinês anunciou que a colheita de outono está 90% concluída e a produção anual deve superar 1,4 trilhão de jin pelo terceiro ano seguido, sinalizando menor necessidade de importação e pressão baixista sobre os preços de grãos que o Brasil exporta.

## Por que importa

Safra chinesa recorde de grãos pressiona prêmios de exportação de soja e milho no Brasil, afetando tradings e produtores de Mato Grosso e Paraná.

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China informou em 4 de novembro que a área plantada de grãos de outono se mantém estável com leve aumento e que mais de 90% da colheita já foi concluída. A produção de grãos de verão atingiu 301,49 bilhões de jin (cerca de 150,7 milhões de toneladas), superando pela primeira vez a marca de 300 bilhões de jin, enquanto o arroz de primeira safra somou 56,58 bilhões de jin. Com isso, a produção anual deve ficar acima de 1,4 trilhão de jin (700 milhões de toneladas) pelo terceiro ano consecutivo. Para o Brasil, maior exportador de soja e segundo de milho, a consolidação da autossuficiência chinesa em grãos básicos reforça a tendência de menor demanda por importações e pressiona os prêmios de exportação nos portos de Santos e Paranaguá.

O anúncio do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês confirma que a safra de outono de 2024 caminha para mais um ano de estabilidade, com área plantada levemente superior à do ano anterior e mais de 90% já colhida. Os números divulgados mostram produção de grãos de verão de 301,49 bilhões de jin — superando pela primeira vez a barreira dos 300 bilhões — e arroz de primeira safra de 56,58 bilhões de jin, patamar mantido acima de 56 bilhões por seis anos consecutivos. A projeção oficial é de que a produção anual de grãos fique acima de 1,4 trilhão de jin pelo terceiro ano seguido, consolidando a meta de segurança alimentar que Pequim vem priorizando desde 2021 com a chamada 'nova rodada de aumento de capacidade de produção em 100 bilhões de jin'.

O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para o agronegócio. A China é o maior comprador de soja brasileira — cerca de 70% das exportações do grão do Brasil têm destino chinês — e vem ampliando a compra de milho nos últimos anos. Uma safra chinesa robusta de grãos básicos, especialmente milho e arroz, reduz a necessidade de importação desses itens e libera espaço para que a demanda por soja se mantenha mais previsível. O efeito prático é sobre os prêmios de exportação: com estoques internos chineses confortáveis, os compradores tendem a negociar com mais poder de barganha, pressionando os prêmios pagos nos portos brasileiros. O MAPA (Ministério da Agricultura brasileiro) e a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) acompanham esses movimentos, mas não há medida regulatória brasileira imediata prevista.

Os dados mostram que a produção chinesa de grãos cresce de forma consistente, mas em ritmo moderado, sem saltos que alterem radicalmente o quadro de importação. Na leitura do CBI, isso indica que a China não deve reduzir de forma abrupta suas compras externas de soja — o país continua dependente de importação do grão, com cerca de 100 milhões de toneladas anuais —, mas o espaço para aumentos expressivos de preço fica limitado. A comparação com anos anteriores é reveladora: em 2022 e 2023, a produção já havia superado 1,3 trilhão de jin, e a meta de 1,4 trilhão foi atingida pela primeira vez em 2023. A repetição do patamar em 2024 sinaliza estabilidade, não expansão acelerada, o que mantém a demanda chinesa por soja brasileira em patamar elevado, porém sem o ímpeto de anos de escassez global.

O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos dados finais da safra chinesa de 2024 pelo Bureau Nacional de Estatísticas (NBS), prevista para dezembro, que confirmará ou ajustará a projeção de 1,4 trilhão de jin. Segundo, os relatórios mensais do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) sobre estoques globais e demanda chinesa, que influenciam diretamente os preços da soja na CBOT e, por consequência, os prêmios em Santos e Paranaguá. Terceiro, o ritmo de compras chinesas de soja brasileira no primeiro trimestre de 2025, que indicará se a safra recorde chinesa de grãos básicos está de fato reduzindo a demanda por importação ou se o país mantém o volume de compras para estocar.

## Leitura do CBI

Os dados oficiais mostram produção chinesa de grãos acima de 1,4 trilhão de jin pelo terceiro ano, com colheita de outono 90% concluída. Na leitura do CBI, isso indica que a China mantém sua estratégia de segurança alimentar sem reduzir a dependência de soja importada, mas com menor urgência de compras emergenciais — o que limita a alta dos prêmios brasileiros.

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Fonte: Fonte CN
Publicado em: 2026-11-04
© China Brazil Insight — https://chinabrazilinsight.com/news/china-confirma-safra-recorde-de-graos-em-2024-precos-de-soja-e-milho-no-brasil